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Família
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Roberto Drummond, autor de
Hilda Furacão, narra
a saga de
um clã de desajustados
Marcelo
Marthe
Ronaldo Guimarães
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| Drummond:
150 000 reais de adiantamento |
Recentemente, o escritor mineiro Roberto Drummond esteve no centro de
uma das disputas mais acirradas já travadas no mercado editorial
brasileiro. Cinco editoras brigaram pelos direitos de publicação
de seu mais novo trabalho. Em trinta anos de carreira, Drummond escreveu
nove livros, mas só virou objeto de desejo por um motivo: ele é
o autor do romance Hilda Furacão, que atingiu a vendagem
de 160.000 exemplares no rastro da série homônima, estrelada
por Ana Paula Arósio na Rede Globo. Na esperança de ter
outro best-seller desse porte, a vencedora da parada, a carioca Objetiva,
pagou-lhe um adiantamento de 150.000 reais antes dele, só
o bruxo Paulo Coelho tivera regalia semelhante. O fruto do investimento
chama-se O Cheiro de Deus (408 páginas; 32,90 reais).
Na obra, que acaba de chegar às livrarias, o romancista narra uma
saga familiar com um pezinho no romance regionalista e outro na literatura
fantástica. Para escrevê-la, afirma, foi buscar inspiração
entre os próprios Drummond. Se houver uma gota de verdade naquilo
que está no livro, a família do escritor não é
lá muito convencional. O incesto e a loucura são os estigmas
do clã ficcional.
Drummond
é um narrador envolvente, que pula de uma situação
a outra sem perder o fio da meada. "Procuro ser como o Ronaldinho: driblo
o leitor, para arrematar lá na frente", afirma. O escritor, no
entanto, se diz acometido por uma certa "síndrome de Hilda Furacão".
"Sou refém do sucesso que criei e isso dificultou muito a conclusão
do novo livro", afirma. Ele levou onze anos para arrematar O Cheiro
de Deus. Teceu 23 versões do texto e, no fim, ficou com duas.
Uma é a que está sendo publicada agora; a outra, uma opção
"à la Hilda", com estrutura e ritmo parecidos com os do
sucesso. Drummond promete manter inédito esse segundo texto. Mas,
mesmo na versão publicada, não há dúvida de
que o autor está sonhando com uma adaptação para
a TV. Ele recorre a expedientes que cheiram a novelas de Dias Gomes. Há
até um lobisomem na história (um novo professor Astromar,
de Roque Santeiro?). O sobrenatural, defende-se o autor, faz parte
de sua mineirice. "Lá no interior do Vale do Rio Doce, onde nasci,
tive um amigo lobisomem", brinca. O.k., Drummond.
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