Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 710 - 25 de julho de 2001
Artes e Espetáculos Livros
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  A Eva Futura, de Villiers de L'Isle-Adam
Voragem, de Junishiro Tanizaki
O Cheiro de Deus, de Roberto Drummond
Paulo Coelho lança livro de fábulas
As reprises dos canais pagos
A briga de Gugu com Ratinho no SBT
O escorregão de Julianne Moore
O Parque dos Dinossauros III
O Sepultura fica sem gravadora

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Paixão e escândalo

Poucos escritores foram tão longe
no estudo
da obsessão sexual quanto
o japonês Tanizaki

Carlos Graieb

Imagine um escritor que combinasse os dotes de Machado de Assis e Nelson Rodrigues. Um grande estilista, mas devotado a descrever perversões e taras, sem deter-se diante do escândalo. Quem conceber essa figura estranha terá uma idéia de quem foi Junichiro Tanizaki (1886-1965). Em sua longa carreira, ele ergueu uma das maiores obras ficcionais do Japão moderno. Fez-se herdeiro das milenares tradições literárias de seu país, combinou-as com as formas de expressão do século XX e ainda soube aproveitar influências do Ocidente. Todo o seu domínio sobre a língua, no entanto, estava a serviço da provocação. Poucos autores souberam ir tão fundo no estudo da obsessão sexual quanto Tanizaki, em romances como Voragem, agora publicado no Brasil (tradução de Leiko Gotoda; Companhia das Letras; 240 páginas; 26 reais).

"Voragem" é uma tradução bela, mas não-literal, do título japonês do livro. Ingleses e franceses ficaram mais próximos de uma versão fiel ao optar por "Suástica". O ideograma utilizado por Tanizaki para dar nome ao romance contém a célebre cruz de pontas dobradas. Mas atenção. A história foi escrita entre 1928 e 1930, muito antes de os nazistas se apoderarem do símbolo. E Tanizaki tampouco tinha em mente o significado religioso do ideograma, que entre os budistas representa a felicidade e a salvação. Era o formato da suástica que lhe interessava, pois ele sugere à perfeição o caráter retorcido do relacionamento entre os quatro personagens do romance. As engrenagens do enredo são postas em movimento quando Sonoko e Mitsuko se envolvem numa irrefreável paixão lésbica – que traga para o seu vórtice outros dois personagens, o marido de Sonoko e o jovem Watanuki.

"Considero as mulheres seres superiores", afirmou certa vez Tanizaki. Já os homens costumam ser criaturas débeis em seus livros – masoquistas sempre prontos a tirar prazer da humilhação. Sua obra está repleta, por exemplo, de homens que se deixam pisar por mulheres de caráter forte ou grande sensualidade. E se deixam pisar literalmente, dedicando-se a adorar seus pés. Outra maneira peculiar de os homens manifestarem servidão é fascinar-se pelos excrementos da amada. Em A Mãe do Capitão Shigemoto, por exemplo, o autor zomba de um conceito budista que prega a purificação por meio da contemplação das impurezas deste mundo. No livro, pelo contrário, quanto mais observa os excrementos de sua adorada, mais o protagonista se sente prisioneiro dela. Voragem não tem perversões como essas, mas o jogo de forças entre mulheres e homens é o habitual. Watanuki é um dândi efeminado – e impotente. O marido de Sonoko tem vontade frágil e não consegue saciá-la na cama. Já as duas mulheres são voluntariosas, cheias de caprichos e capazes de mover montanhas para se satisfazer.

Segundo a crítica especializada, Tanizaki lançou mão de vários artifícios para escrever Voragem. Empregou o dialeto aristocrático da região de Osaka para dar cor e atmosfera à história. Além disso, deu à narradora, Sonoko, falas dignas de uma personagem do dramaturgo clássico Chikamatsu (uma espécie de Shakespeare japonês). São características que não puderam ser reproduzidas na versão brasileira. Mas a tradução fluente de Leiko Gotoda reserva muitos prazeres. O humor de Tanizaki não se perde. E muito menos a engenhosa arquitetura do livro, que a cada página apresenta uma reviravolta desconcertante, nessa história em que a obsessão sexual não se extingue nem mesmo depois da morte.

   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Espiral
 
Ingressos
Fun by Net
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS