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Esporte na
idade certa
Cobrar
muito cedo desempenho da
criança em atividades físicas pode
prejudicar seu desenvolvimento

Fernanda
Colavitti
Antonio Milena
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Alisson Melo
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| Aula
de equitação na Sociedade Hípica Paulista, em
São Paulo, e de tênis, no Minas Tênis Clube, de
Belo Horizonte: orientação necessária |
Incentivar
a criança a praticar atividades físicas desde os primeiros
anos de vida é um dos melhores investimentos que os pais podem
fazer para a saúde de seus filhos. Além dos benefícios
para o crescimento e o sistema cardiovascular, os esportes também
proporcionam maior qualidade de sono, regras de convivência social
e desenvolvimento emocional. No entanto, é preciso evitar aquela
empolgação de querer matricular a criança numa escolinha
logo que anda com desenvoltura. "Há idade para tudo", alerta a
pediatra Ana Lúcia de Sá Pinto, especialista em medicina
esportiva, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Em primeiro
lugar, é importante diferenciar atividade de exercício físico.
A primeira categoria inclui qualquer movimento que leve ao gasto de energia,
como mexer e estimular mãos, braços, pernas, pés,
andar e correr, e tem o aval dos especialistas desde o nascimento do bebê.
A natação, a dança e as lutas marciais integram a
lista de práticas estimuladas nos primeiros anos de vida. Os exercícios
físicos, que são seqüências de movimentos com
o objetivo de melhoria da performance e organizados por modalidades, só
devem ser praticados de maneira sistemática depois dos 6 anos,
idade em que a coordenação motora já está
totalmente desenvolvida. Dos 4 aos 6 anos, contudo, os pais podem matricular
os filhos em escolas de esportes, desde que sejam propostas várias
atividades recreativas ao mesmo tempo. Para isso, os clubes são
uma boa opção. As crianças devem ser incentivadas
a participar de brincadeiras de quadra, com ou sem bola, desde que não
haja preocupação obsessiva com técnica ou regras.
O único objetivo nessa fase é criar o gosto pela atividade,
sem que a medição da performance ou o resultado da competição
dêem a tônica. No caso da natação, por exemplo,
ninguém vira peixe muito cedo, embora os bebês estejam em
condições de usar a piscina acompanhados. O que vale é
a diversão, o contato com a água, o aprendizado de bater
braços e pernas.
A partir
dos 6 anos, abre-se o leque de opções (veja
quadro). "Até os 10 anos, a criança deve
ter a oportunidade de conhecer e praticar vários esportes, para
poder escolher aquele de que gosta mais", recomenda o especialista em
esporte infantil Dante De Rose Júnior, da Escola de Educação
Física e Esporte da Universidade de São Paulo. A idéia
é que, por volta dos 12 anos, após o contato com diferentes
modalidades, o pré-adolescente tenha condições de
decidir, sem a imposição dos familiares, se pretende continuar
e em qual atividade. Um erro comum dos pais é exigir e priorizar
o bom desempenho dos filhos em qualquer idade, mas especialmente até
os 12 anos, quando a estrutura emocional ainda não está
preparada para lidar com sentimentos de derrota. "É muito difícil
corrigir esse tipo de trauma, o que pode até causar desestímulo
e aversão ao esporte", diz Timóteo Araújo, pesquisador
do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física
de São Caetano do Sul. Além de gerar problemas como irritação,
stress e agressividade, esse tipo de cobrança pode desencadear
lesões nos ossos e nas articulações. Elas ocorrem
por excesso de treino, quando se ultrapassam seis horas semanais de exercícios,
nas quais devem estar contabilizadas as aulas de educação
física na escola.
A mesma
recomendação dada aos adultos que iniciam exercícios
físicos vale para a meninada. É preciso uma avaliação
médica detalhada, para diagnosticar alterações ou
doenças que possam interferir na prática do esporte e ajudar
a prescrever a atividade mais adequada. Além de fiscalizarem a
freqüência e intensidade dos exercícios, os pais devem
ficar atentos à adaptação à temperatura, sobretudo
até os 10 anos. Nessa idade, a garotada possui menos glândulas
de suor que os adultos e, por isso, tem maior dificuldade para manter
a temperatura do corpo em ambientes muito frios ou quentes. Assim, o ideal
é evitar a ação ao ar livre em dias muito quentes
e piscinas muito frias. Quem fizer bom uso do esporte desde muito cedo
certamente estará pavimentando a trilha para uma vida adulta mais
saudável, sem precisar começar a aprender tudo de uma só
vez quando mais tarde for bater no balcão de uma academia.

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