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Edição
1 710 - 25 de julho de 2001 |
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Uma
das formas de aferir o grau de democracia de um país é ver
como são tratadas as minorias. Os homossexuais, em especial, são
um bom termômetro, visto que o tema envolve complexas considerações
de ordem moral, religiosa e tabus sexuais. A regra nos Estados modernos
é aceitar o direito individual de seguir sem constrangimentos uma
orientação sexual que não é a da maioria.
Tomado por essa medida, o Egito está no rol dos países mais
primitivos do planeta. Na quarta-feira passada, começou no Cairo
o julgamento de 52 homens acusados de homossexualismo. A maioria foi presa
em maio numa boate gay instalada num barco no Rio Nilo. Todos dizem ter
sido torturados pela polícia. Como o homossexualismo não
é proibido pelas leis egípcias, eles estão sendo
processados por "ofensa à moral pública", que pode render
até cinco anos de prisão. O governo transformou o caso numa
questão de segurança nacional. Por isso, o julgamento passou
a ser realizado sob a mesma lei de emergência que não
dá direito a apelação usada para julgar fundamentalistas
islâmicos empenhados em derrubar o regime.
Reuters
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Controvérsia na Turquia: governo só
aceita enfermeiras virgens |
Desde o final do ano passado, a polícia egípcia está
em campanha contra o homossexualismo, sobretudo na internet. Alguns gays
foram presos ao responder a anúncios sexuais publicados pela própria
polícia. É difícil saber por que o governo quer condenar
os homossexuais. "É típico desse regime criar casos para
distrair a opinião pública de problemas mais sérios,
como corrupção e desemprego", diz Maha Youssef, porta-voz
de um centro de direitos humanos do Egito. Mesmo os militantes dos direitos
humanos, contudo, evitam manifestar apoio aos gays. Isso porque o islamismo
pune o homossexualismo com a morte, e a opinião pública
acha justa a punição.
A força da religião e a persistência de costumes medievais
também explicam a atual controvérsia sobre a virgindade
na Turquia, também de maioria islâmica. Na semana passada,
o ministro da Saúde, Osman Durmus, autorizou exames ginecológicos
para as estudantes de enfermagem. O objetivo era expulsar das escolas
públicas aquelas que não fossem virgens. A reclamação
das feministas fez o governo recuar. A virgindade ainda é um valor
fundamental na Turquia, onde até 1999 os homens tinham direito
de exigir testes de virgindade antes do casamento. A lei foi abolida depois
da tentativa de suicídio de cinco órfãs, entre 12
e 16 anos, que tomaram veneno de rato e pularam num poço quando
souberam que seriam submetidas aos exames. O mistério é
saber por que o governo só quer enfermeiras virgens.
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