O concorde volta
a voar
Um ano
depois do acidente que matou
113 pessoas, supersônico testa novas
medidas de segurança
AP

Ingleses
vêem a aterrissagem do Concorde: reforma custou 24 milhões
de doláres |
Depois da queda do Concorde da Air France perto de Paris, no ano passado,
com a morte de 113 pessoas, muita gente apostou na aposentadoria dos elegantes
supersônicos. Os doze exemplares do único avião de
passageiros capaz de voar mais rápido que o som realmente permaneceram
em terra desde o desastre. A quarentena terminou na terça-feira
passada, com a decolagem de um Concorde na Inglaterra para testar equipamentos
de segurança recém-instalados. O aparelho voou durante três
horas e meia, tempo suficiente para ir de Londres a Nova York na velocidade
máxima de 2.170 quilômetros por
hora. Nos últimos dez meses, um esquadrão de 270 engenheiros
da British Airways, dona de sete Concorde, produziu várias alterações
no projeto original, que já tem mais de trinta anos. A empreitada
custou 24 milhões de dólares. Novos testes ainda deverão
ser realizados antes que a aeronave seja autorizada a voar pelas autoridades
francesas e inglesas, mas a empresa aérea britânica espera
retomar os vôos comerciais em setembro.
O aparelho
que decolou de Londres tem vários aperfeiçoamentos em relação
ao que se esborrachou em Paris. O acidente do Concorde foi uma sucessão
de fatalidades que começaram com o estouro de um pneu ainda na
pista de decolagem. Restos de borracha atingiram a asa esquerda e abriram
um buraco no tanque de combustível. Seguiu-se um enorme vazamento
de querosene e o incêndio do avião. Com a nova versão
do aparelho é praticamente impossível que tal seqüência
de incidentes volte a ocorrer. O tanque foi revestido internamente por
uma manta de material maleável e ultra-resistente chamado kevlar.
Qualquer rachadura ou ruptura na parede externa é imediatamente
preenchida por essa manta. Ela veda o buraco, reduzindo bastante a saída
de combustível. No acidente de Paris, o querosene escorreu pelo
buraco aberto sob a asa esquerda a um ritmo de 100 litros por segundo.
Com o novo revestimento, não há possibilidade de surgirem
buracos tão grandes. O máximo que pode acontecer são
orifícios por onde escape 1 litro de combustível por segundo.
"É um volume pequeno que não apresenta risco de incêndio",
diz Peter Middleton, da British Airways.
Há
outras novidades. Os pneus, feitos sob medida, são mais resistentes
e, ao se romper, não lançam fragmentos de borracha. Todos
os cabos dos trens de pouso do avião foram revestidos por uma capa
de aço que impede fagulhas. Como o aparelho ficou mais pesado,
os técnicos precisaram reformar seu apertado interior. As poltronas
foram trocadas por novas, mais leves. O mesmo aconteceu com o revestimento
das paredes, dos bagageiros e dos banheiros. O próximo passo, agora,
é mais complexo. Tanto a Air France quanto a British Airways precisam
reconquistar a confiança dos passageiros milionários,
celebridades e executivos que não têm tempo a perder. Não
será fácil apagar as imagens terríveis do avião
francês decolando com a asa em chamas e se espatifando no chão.
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