Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 710 - 25 de julho de 2001
Brasil Segurança

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
 

O ocaso de Jader Barbalho
Por que os empresários temem Lula, Ciro e Itamar
A greve das polícias militares

Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

A mesma arma
dos
bandidos

Armados e encapuzados, policiais
ameaçam
a sociedade. Isso é motim,
e não pode
ser tolerado

A greve dos policiais militares da Bahia, encerrada há cinco dias, produziu o efeito temido. Na semana passada, o movimento se espalhou por outros Estados. Em Alagoas, os PMs se negaram a sair do quartel para vigiar as ruas. Agências bancárias e ônibus foram apedrejados. No Paraná, mulheres de soldados cercaram o prédio do quartel-general. No Tocantins, os policiais conseguiram um aumento de 35% depois de tomar os quartéis. Em São Paulo, o governador, Geraldo Alckmin, enfrentou manifestações de policiais. Em outros dez Estados, as associações que representam a classe avisaram que querem negociar aumentos salariais. Essa nova onda de greves chamou a atenção para a dependência que a sociedade tem da polícia e provocou uma sensação desconcertante: a impotência de ser refém sem ter a quem pedir ajuda. "Nem nós imaginávamos a dimensão de nosso poder e de como isso iria assustar as pessoas", disse Agnaldo Pinto, da Associação de Cabos e Soldados da Bahia.

O Brasil já se havia acostumado à imagem de encapuzados carregando facas e armas de fogo. Ocorre que o capuz era símbolo dos bandidos amotinados das cadeias e penitenciárias. Ver funcionários públicos com o capuz dos bandidos, como ocorreu na Bahia, é muito mais assustador, pois no primeiro caso é possível chamar a polícia. No segundo, as pessoas só podem trancar-se em casa e esperar pelo pior, como fizeram baianos e alagoanos. Tropas do Exército foram mandadas à Bahia pelo governo federal com o objetivo de executar duas missões: garantir a segurança pública e conter os grevistas. Nenhuma das duas tarefas pôde ser realizada com eficiência. Em Salvador, a criminalidade aumentou mesmo com a presença de soldados do Exército pelas esquinas.

Não se discute que a vida dos policiais é sofrida. Um PM no Nordeste ganha um piso médio de 500 reais. No Sudeste, o salário-base é 1.000 reais. Difícil imaginar que esse dinheiro compense o risco de patrulhar cidades violentas. Num ambiente desses, como resolver o problema e evitar novas greves? Os especialistas não vêem solução a curto prazo. De nada adiantaria aumentar o salário de uma força de baixa qualificação. E também não se conseguiria recrutar gente de melhor nível pagando pouco. A única solução de consenso, estudada há mais de dez anos e jamais encarada com a devida seriedade pelos governantes, é a completa reformulação do modelo policial. "A polícia precisa ser feita de novo", diz o coronel José Vicente da Silva Filho, um estudioso do assunto. "É assustador, mas quanto mais se evita a solução pior fica." A questão central é esta: o país não pode tolerar que homens encarregados de manter a ordem a descumpram eles próprios. Pior: funcionários armados não podem em hipótese alguma desafiar a autoridade que os comanda. Isso não é greve. Isso é motim – e quem deles participa deve ser exemplarmente punido.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS