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A
capital da descrença
Orlando Brito
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Mudança no Senado: após a
renúncia de dois senadores, um presidente interino |
Em
qualquer pesquisa de popularidade, os políticos sempre aparecem
na categoria dos menos prestigiados pela população.
Agora, com base em informações de uma pesquisa do
Ibope que ouviu 5.300 brasileiros em todo o país, é
possível concluir mais um dado sobre essa questão:
quem mais os conhece menos acredita neles. Na pesquisa, o Ibope
perguntou aos entrevistados brasileiros de 12 a 64 anos
se eles acham que os políticos se preocupam realmente com
o bem-estar da população. A menor proporção
de pessoas que responderam "sim" à pergunta está em
Brasília, a cidade que mais convive com políticos
de projeção nacional. Apenas 2,98% dos entrevistados
disseram acreditar em suas boas intenções. Depois
de Brasília, a cidade que menos acredita nos políticos
é Porto Alegre, tradicional reduto de mentalidade oposicionista
que se tornou feudo do PT. A porção mais simpática
aos políticos está no interior de São Paulo,
mas, mesmo ali, é inferior a 10% dos entrevistados (veja
quadro).
A má impressão que os políticos causam aos
brasilienses se deve, em parte, à sua proximidade geográfica
com os escândalos quase diários que afetam deputados,
senadores, ministros e outros representantes da categoria. Além
disso, os moradores do Plano Piloto formam uma população
que está entre as mais abastadas e mais bem informadas do
país o que pode explicar um grau mais elevado de interesse
pela política. Como a pesquisa do Ibope encerrou-se em janeiro
passado, é inútil tentar atribuir essa postura do
brasiliense ao fato de que dois dos três senadores do Distrito
Federal deixaram seus mandatos. Luiz Estevão foi cassado
em junho do ano passado, mas o envolvimento de José Roberto
Arruda com a violação do painel eletrônico do
Senado, que lhe valeu a renúncia ao mandato, só veio
a público em abril passado, três meses depois de concluída
a pesquisa.
O levantamento traz, ainda, outra curiosidade sobre a avalanche
de escândalos. O Ibope também perguntou aos pesquisados
se o combate à corrupção deveria ser prioridade
das autoridades. Em Fortaleza, mais de 90% dos entrevistados responderam
"sim" índice superior à média nacional.
No entanto, os moradores da capital cearense são os primeiros
a dizer que, caso fossem eleitos para algum mandato, não
vacilariam em ajudar seus próprios amigos. "É um reflexo
do clientelismo que ainda vigora no Nordeste do país", acredita
Fábio Wanderley Reis, cientista político da Universidade
Federal de Minas Gerais. "São eleitores politicamente desinformados
que não separam o todo de situações particulares."
Márcio
Pacelli
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Festejando
a sorte do destino
Ana Araujo
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O senador Lobão: de olho nos títulos
do século passado |
Há
duas semanas, o senador Edison Lobão, do PFL do Maranhão,
compareceu a uma solenidade no Palácio do Planalto. Ali,
ao comentar a lentidão com que tramitam processos na Câmara,
Lobão disparou: "Eu, como presidente do Senado, não
posso fazer nada". Foi um ato falho, mas mostra que talvez Lobão
não pensasse em outra coisa senão na sorte que o destino
lhe reservou. Na semana passada, com o pedido de licença
de Jader Barbalho por sessenta dias, a presidência do Senado
lhe caiu no colo. Aos 64 anos, Lobão já foi duas vezes
deputado federal, governou o Maranhão entre 1991 e 1994 e
está no segundo mandato de senador. Soldado da tropa de choque
do ex-presidente José Sarney, o senador ficou todo prosa
ao receber a notícia de que iria sentar na cadeira de presidente.
Lobão é um parlamentar discreto, que gosta mais de
atuar nos bastidores. É um bom articulador político
e já foi incluído pelo Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar (Diap) na lista dos 100 parlamentares
mais influentes do Congresso. Quando se trata de se mover nas coxias
da política, Lobão faz jus ao aumentativo de seu sobrenome,
embora seja mais conhecido pelas trapalhadas do que pelos sucessos.
Em 1989, atuando junto com outros dois políticos, Lobão
articulou o lançamento da candidatura presidencial de Sílvio
Santos, dono do SBT. O trio fez uma lambança tal com a articulação,
afinal frustrada, que ganhou o apelido de "os três porquinhos".
Lobão também é um grande articulador quando
o assunto são os interesses das companhias aéreas,
especialmente se a companhia for a Vasp.
Mesmo com atuação discreta, Lobão já
apareceu algumas vezes envolvido em casos pouco recomendáveis.
Em 1992, conseguiu arrancar um empréstimo irregular, de 330.000
dólares, do Banco do Brasil, então dirigido por Lafaiete
Coutinho. Queria salvar sua destilaria no Nordeste. O caso mais
extremo, no entanto, foi sua participação ostensiva
na montagem de um grande lance financeiro. Lobão fez de tudo
para forçar o governo a honrar o pagamento de títulos
públicos emitidos no início do século passado.
Não deu certo. Se desse, seria a armação mais
fantástica da história. Levaria o governo a pagar
aos portadores dos títulos coisa de 35 bilhões de
reais.
Ana
d'Angelo
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Com
reportagem de Lourenço Flores e Malu Gaspar

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