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Adorei todo
o enfoque dado pela revista à reportagem "O efeito tango" (18 de
julho), principalmente por ser estudante do último ano de comércio
exterior e estar o tempo todo discutindo esses assuntos em sala de aula.
Podem ter certeza de que essa edição ficará guardada
junto aos meus cadernos, pois terá grande valor para minhas matérias
de economia internacional e economia brasileira. Moro na França
há três anos, eu e minha família. Sinto-me segura,
meus filhos estão em boas escolas, há infra-estrutura, transportes
urbanos, limpeza e policiamento, entre tantas outras coisas. Não
sinto saudade do Brasil, só uma grande decepção com
um país que poderia dar oportunidades ao povo, mas só o
trata de maneira cruel, com violência e corrupção.
Infelizmente, não posso nem desejo morar no país em que
nasci ("Eles fogem da bagunça", 18 de julho). Tenho 23
anos, nível superior e planejava deixar o Brasil desde os 12 anos
de idade. Estou no Canadá há quase um ano, legalizada e
tudo o mais. Nunca cogitei voltar a morar no Brasil por várias
razões. Entre elas, o absoluto pavor da violência. Mas não
pretendo praticamente esquecer meu idioma, minha cultura, minhas raízes.
Não vou deixar de ensinar português aos meus filhos, e sim
fazer com que eles falem nossa língua perfeitamente e tenham nossos
valores. O Canadá é ótimo, mas não é
perfeito. Foi exatamente
pelos motivos expostos na reportagem que um ano atrás aceitei a
proposta de emprego de uma empresa no Estado de Wisconsin, nos Estados
Unidos. A reportagem, entretanto, não menciona a grande quantidade
de trabalhadores que vieram para o país como profissionais especializados,
normalmente na área de informática, como eu e vários
colegas espalhados por Texas, Flórida, Califórnia e até
Wisconsin. A situação desse grupo é bem diferente
da dos brasileiros que vivem ilegalmente no país. Com visto de
trabalho temporário ou já com permissão de residência,
a maioria levou bem menos de onze anos para entrar na classe média
americana.
Quero cumprimentar
VEJA pela excelente reportagem sobre famílias compostas de homossexuais.
O preconceito infelizmente é algo que ainda assusta pela força
que tem na sociedade. Muitas vezes esse preconceito vem mascarado. Reportagens
desse tipo são sempre bem-vindas, pois mostram que a homossexualidade
não deve ser considerada um absurdo em pleno século XXI
("Meu pai é gay. Minha mãe é lésbica", 11
de julho). Vivo com
meu companheiro há quatro anos e já há algum tempo
estamos amadurecendo a idéia de adotar uma criança. Essa
reportagem fortalece ainda mais nosso objetivo, não pelo fato de
querermos formar uma família socialmente aceita (isso não
será possível), mas para podermos dar a um ser humano amor,
saúde, educação e cultura. Ressalto também
a colocação adequadíssima em todo o texto da palavra
"orientação", e não "opção" sexual,
pois em momento algum eu optei por ser homossexual. Essas pessoas
que se dizem com "orientação" homossexual na verdade estão
completamente desorientadas. Não quero ser politicamente incorreto,
mas, se essas "famílias" pudessem ser encaradas como "normais",
Deus teria criado outras opções, como Adão e Evandro
ou Ada e Eva. O problema é que não teríamos a humanidade,
descendente de Adão e Eva.
Achei muito
interessante a entrevista com o economista Jeffrey Sachs, da Harvard,
assim como o artigo de Claudio de Moura Castro (Ponto de vista, 18 de
julho). Ambos falaram da falta de pesquisa científica no Brasil.
Sem dúvida, a universidade pública não atinge a maioria
dos estudantes que chegam ao 3º grau. Destes, poucos se voltam para
a pesquisa. Conseguir uma bolsa é tarefa árdua. Tanto a
Fapesp como o CNPq exigem uma série de regras acadêmicas
que desanimam alunos e orientadores. Além disso, o valor da bolsa
ainda é tão baixo que a maior parte dos estudantes desiste.
Não
é necessário ser economista da Harvard para saber que investimentos
na educação e na abertura do mercado no setor de tecnologia
são importantes para o crescimento de uma nação.
Quero ver o senhor Sachs enfrentar nossos políticos com sua tese
(Amarelas, 18 de julho).
Como é
possível as pessoas reclamarem de programas e filmes violentos
que passam na TV e, ao mesmo tempo, deixarem seus filhos assistir a vinte
minutos de pura pancadaria? Tenho 19 anos, adoro desenhos animados, mas
Dragon Ball Z é o mais violento e inútil que já
vi ("Sessão pancada", 18 de julho).
Diogo Mainardi
acha que o Brasil nunca fez uma descoberta científica importante.
Deveria informar-se melhor para saber, por exemplo, que o Brasil é
o único país do Hemisfério Sul que já seqüenciou
o genoma de um organismo inteiro ("Meu assunto preferido", 18 de julho).
Cantoras
como Ana Carolina e Adriana Calcanhotto encantam qualquer público
que tenha o mínimo de bom gosto. Sou heterossexual e feliz com
minha opção e adoro a ambas a ponto de chamá-las
de "poderosas, gostosas e vitaminadas" ("As divas vitaminadas", 18 de
julho).
O que afirmei
em entrevista a VEJA ("Eles fogem da bagunça", 18 de julho) é
que há uma impressão em Portugal que colocaria os imigrantes
brasileiros numa situação superior à dos africanos,
e não que isso seja realidade. Migrantes brasileiros não
são mais cultos, bem-falantes ou mais simpáticos que os
migrantes oriundos dos países africanos de língua oficial
portuguesa em Portugal. A frase mais correta seria "brasileiros têm
mais facilidade de arranjar emprego que os migrantes africanos por terem
um lugar privilegiado numa hierarquia de alteridades portuguesa".
Sou uma
das entrevistadas da reportagem "Droga no trabalho" (4 de julho), uma
das melhores que li sobre o assunto. Foi publicado que sou toxicologista
da USP, quando na verdade tenho pós-graduação em
toxicologia pela USP. Atualmente, exerço o cargo de perita legista
na Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
O caderno
especial de VEJA ficou excelente. A reportagem "Não funciona" mostrou
quais empresas estão preparadas para lidar com o consumidor no
pós-venda. Uma, em particular, não me surpreendeu com o
resultado dos testes de VEJA. A Nokia, realmente, não responde
às dúvidas no site. O cidadão
que em um futuro distante reler a reportagem sobre energia na última
VEJA Especial encontrará um precioso documento sobre a neurose
sofrida pelo povo brasileiro, no início de um novo século,
graças a um governo imprevidente.
CORREÇÕES:
O filho do ex-senador Luiz Estevão citado na reportagem "Foi
Roger que fez" (Perfil, 18 de julho) não é o caçula.
É seu penúltimo filho, nascido em 1995.
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