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Edição 1 710 - 25 de julho de 2001
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O fim da letargia


Paulo Amorim/AE
Jader Barbalho: um entulho no Senado


Em outubro do ano passado, VEJA publicou uma reportagem de capa mostrando que o senador Jader Barbalho tinha um patrimônio visível de 30 milhões de reais, incompatível com seus rendimentos conhecidos. Das 37 edições lançadas desde então, vinte trouxeram matérias em torno de sua suspeita vida financeira. A insistência em abordar o assunto deve-se a vários motivos.

A revista acredita que uma de suas missões é apontar as malfeitorias que se destaquem pelo volume ou pelas personalidades nelas envolvidas. Outra razão para a volta constante ao tema foi a insensibilidade demonstrada pelas autoridades de Brasília, especialmente as instaladas no Senado, em relação às revelações. Por meses a fio, assistiu-se a uma pororoca de denúncias em torno das atividades extraparlamentares de Jader Barbalho. Como se isso não fizesse a mínima diferença, o Senado teve o desplante de elegê-lo seu presidente.

Por fim, a razão mais forte para insistir num tema como esse está na relação do país com suas instituições. O Brasil do século XXI, um país que tenta tornar-se mais justo, mais maduro e mais forte, não pode conviver com suspeitas em torno de personalidades que comandam qualquer dos poderes da República.

Na última semana, finalmente, as coisas mudaram. Na edição passada, VEJA publicou uma reportagem, com base em documentos do Banco Central, provando que Jader e seus familiares se beneficiaram pessoalmente do desfalque milionário aplicado no Banpará, à época em que o senador governava o Pará. Está comprovado que o então governador desviou 2,5 milhões de reais da instituição e que esse dinheiro foi dividido entre ele, sua então mulher, seu pai, seus irmãos e seus auxiliares. Diante da reportagem, baseada em documentos oficiais indesmentíveis, o Senado finalmente saiu da letargia. Na semana passada, a maior preocupação dos senadores era livrar-se do entulho Jader, para não continuar comprometendo a credibilidade do Senado Federal. Antes tarde do que nunca. Veja reportagem.

 
 
   
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