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Cartas
Eike Batista Em um país que busca sempre desestimular
os empreendedores, procurando-lhes os defeitos e mostrando como oportunistas aqueles
que têm idéias novas, foi muito bom VEJA ter retratado o senhor Eike
Batista como um capitalista vencedor. Só espero que o governo e os invejosos
de plantão não tentem apagar seu brilho ("O Mr. X da bolsa",
18 de junho). A
melhor coisa para a nossa economia é ver os brasileiros deixar de lado
a fobia e acolher os riscos do investimento em ações como uma forma
de "crescer". É de grande importância a presença
em massa da população brasileira nos negócios do país.
As micros e as grandes empresas nacionais obtiveram nos últimos anos uma
estabilidade e um crescimento antes obtidos apenas pelas grandes empresas. Tal
crescimento impulsionou a entrada de novos investidores na bolsa e levou os antigos
a apostar nos novos papéis. Essas empresas tendem a crescer e a despontar
no mercado, enquanto os investidores participam do salto não só
do setor privado, mas de toda a nação. Ao lançar a maior oferta
de ações na Bovespa, Eike divide parte de seus
louros entre os investidores crédulos e lança
uma dúvida cruel em meio aos incrédulos do capitalismo:
investimento no mercado de ações vale o risco?
Para Eike, valeu. Ponto interessante
da reportagem é mostrar que o povo brasileiro tem capacidade
para negócios, que no Brasil há pessoas capacitadas.
Esse tipo de reportagem deixa no leitor o sentimento de orgulho,
admiração por seu país. É exatamente
disso que os brasileiros precisam. Por justiça,
devemos dizer que Eliezer Batista é uma das cabeças
mais inteligentes, capazes e espertas deste país e
Eike tem muito, ou tudo, a agradecer-lhe. Eike Batista é
o exemplo de empresário de que o Brasil precisa. Ele
não só tem um perfil empreendedor como uma extensa
rede de contatos e poder de convencer investidores.
John Allen Paulos John Allen Paulos
é um matemático que tem a sua lógica atrelada
aos princípios do filósofo francês René
Descartes (Amarelas, 18 de junho). Desse modo, considera os
fenômenos apenas nas suas especificidades, desconsiderando
a totalidade em torno da qual se dão os acontecimentos.
Assim sendo, limita-se às explicações mecânicas,
reducionistas, as quais apresentam falhas quando se faz necessário
explicar a harmonia e o equilíbrio do universo, que se
comporta como autêntico ser vivo. A visão cartesiana
é caracterizada pelo racionalismo. Penso, logo existo.
O homem e a sua dimensão do visível, em que se
levam em conta apenas o tempo e o espaço. A fé,
pelo contrário, vem de uma visão holística
da vida, que considera o universo como um todo indivisível,
em que as partes desse corpo não podem ser explicadas
separadamente. Essa totalidade que forma um conjunto perfeitamente
harmônico não é completamente explicada
pela ciência. O que se tem é o incompreensível.
É o mistério inexplicável, em que apenas
na dádiva da "fé" encontramos a verdadeira
e divina resposta. O matemático
John Allen Paulos me pareceu apenas mais um exemplo do sapateiro
que quer ir além das sandálias. No livro, o "furo
lógico" que ele diz haver no argumento da causa
primeira inexiste: ele suprime o termo "realidades sensíveis"
(ver artigo 3 da questão 2 da Suma Teológica)
e, para não admitir Deus como Causa Primeira, dá
um salto de fé de fazer inveja a Abraão
o mundo sensível não teria causa, mas tudo que
ele contém teria. Salto de fé presente, aliás,
em todos os que crêem num universo regido por leis, mas
provindo do caos e do acaso. Em seguida, Paulos tenta induzir
o leitor a acreditar que Leibniz identificava Deus com as leis
impessoais do universo e que se podem impugnar os argumentos
a favor da existência de Deus apontando contradições
nas idéias que o cidadão comum tem sobre Deus.
Imagine julgar a teoria da relatividade pelo que o cidadão
comum conhece dela. Entrevista clara e
perfeita desde o título. As religiões em geral
são filhas da ignorância e irmãs da arrogância
e da intolerância, características responsáveis
por grande parte das desgraças sofridas pela humanidade.
John Allen coloca seus argumentos de forma objetiva e inovadora,
utilizando a matemática como ponto central. No Brasil,
infelizmente para nós, já estão utilizando
o método matemático e, assim, pessoas com vocabulário
em torno de vinte palavras exercem cargos públicos. E
alguns são até religiosos. Argumentos que ateus
como John Allen Paulos costumam usar contra a fé
são, em geral, os mesmos que têm sido construídos
contra o cristianismo desde o primeiro século. As respostas
que apologetas (defensores da fé) cristãos têm
dado são igualmente antigas. Ou seja, não há
nenhuma novidade na argumentação, seja de um lado
ou do outro.
Impostos Excelente a Carta
ao leitor "O rei imposto" (18 de junho). A história
se repete. A fome de impostos já provocou a deposição
do rei James II, da Inglaterra, e a Inconfidência Mineira,
quando os impostos chegaram a um quinto (20%). Hoje chega a
40%, e o governo ainda quer mais com a criação
da CSS. Estamos chegando a um ponto perigoso. Seria mais justo,
humano e competente se o governo reduzisse suas despesas
e aplicasse mais em saúde e educação. Mais uma vez, o Senado
Federal terá a missão de defender o povo brasileiro.
Certamente rejeitarão o imposto que já derrubaram:
a CPMF vestida de CSS. Mesmo assediados com a abertura do cofre
pelo governo, os senadores, mais responsáveis, mais maduros,
mais experientes e, sobretudo, com mais caráter que os
deputados, saberão defender os interesses da população
("O fantasma da CPMF volta a assombrar", 18 de junho). Sinto especial pesar
por meu estado, Alagoas, que não teve sequer um deputado
federal a votar contra a CSS, o que certamente não
reflete a unanimidade dos alagoanos, que vivem em um dos mais
pobres estados da nação.
Yeda Crusius Com relação
à crise que assola o governo gaúcho, verifica-se
que o "novo jeito de governar" de Yeda não
passou de um embuste e serviu para enganar quem acreditou no
milagre prometido. Está provado, também, que a
corrupção não é exclusividade do
PT, como alguns acreditam ("A crise permanente", 18
de junho). Não tenho absolutamente
nada a ver com a fraude no Detran ou com eventuais irregularidades
no Banrisul. Tenho quarenta anos de vida pública limpa,
como deputado estadual por três legislaturas, secretário
de estado nos governos de Pedro Simon e Antônio Britto
e secretário da prefeitura de Porto Alegre no governo
de José Fogaça. Desafio alguém a provar
que me envolvi em um caso de corrupção sequer
em toda a minha vida. Mesmo trabalhando no âmbito da política
tradicional, há muitos anos luto por uma reforma estrutural
na política, com profissionalização do
serviço público, democracia participativa, mais
transparência e fiscalização da sociedade
sobre os governos. O que eu disse até as pedras sabem:
o loteamento do estado pelos partidos é a porta de entrada
de relações incestuosas, de promiscuidade entre
os agentes públicos e os negócios e interesses
privados. Essa é a origem de práticas ilícitas,
de desvio de dinheiro público e de corrupção.
Quantas CPIs já se fizeram sobre isso aqui no Rio Grande,
no país afora e no governo federal? Esse foi o contexto
de minha conversa com o vice-governador, que, com sua atitude
de má-fé, omite as quase duas horas de diálogo
que tivemos. Questionado sobre isso, esse senhor diz que desgravou,
diz que tratou de assunto particular, mas, como assim, conteúdo
particular em conversa com alguém em quem ele diz não
confiar e que, por isso mesmo, grava? Com relação
à reportagem "A crise permanente", gostaríamos
de esclarecer que a Polícia Federal em nenhum momento
divulgou trechos de escutas telefônicas da referida investigação
no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O inquérito
que investiga a fraude foi encaminhado à Justiça
Federal de Santa Maria, que posteriormente autorizou a CPI do
Detran a tornar públicos os áudios das conversas
entre os envolvidos. Delegado da Polícia
Federal e superintendente regional do Departamento de
Polícia Federal no Rio Grande do Sul
Educação Cumprimentamos VEJA
por mais uma matéria cuidadosa e interessante sobre as
possíveis soluções para a melhoria da qualidade
da educação brasileira ("7 medidas testadas
e aprovadas", 18 de junho). Quando decidimos patrocinar
estudos e seminários que ajudassem a sociedade a discutir
de uma forma mais objetiva e a buscar mudanças concretas
para a vergonhosa situação de nossos estudantes,
não imaginávamos que a receptividade da imprensa
seria tão grande. O espaço que a educação
ocupa hoje na imprensa brasileira é uma boa notícia
para todos, pois reflete o interesse da nação
em buscar os caminhos que nos levem ao verdadeiro desenvolvimento
social, com oportunidades iguais para todos.
Stephen Kanitz Em meio a tantas discussões
com administradores públicos e especialistas em trânsito,
finalmente encontro sugestões realmente inteligentes
vindas de quem não é do ramo ("São
Paulo vai parar", Ponto de vista, 18 de junho). Apesar
da atual situação, devemos ainda agradecer à
iniciativa privada, que no passado retificou os rios Tietê
e Pinheiros para a construção do complexo de geração
de energia Traição/Billings/Henry Borden e preparou
as marginais. O poder público teve apenas o trabalho
de asfaltá-las; caso contrário, nem essas importantes
vias teríamos e, aí sim, São Paulo já
teria parado. Para que o tráfego
se torne mais eficiente é necessário o investimento
no transporte público, desafogando consideravelmente
as ruas, poluindo menos o ar e economizando combustível.
Millôr A belíssima
canção Arrastão foi a vencedora
do I Festival de Música Popular Brasileira, da extinta
TV Excelsior paulista não da Record , e
o ano era 1965 não 1964. Esse foi o grande impulso
para a carreira de Elis Regina e de Edu Lobo, que passaram a
ser conhecidos nacionalmente ("Pequenos erros", 18
de junho).
Cartas Sou leitor da revista
há mais de doze anos e, nesta semana, li uma reportagem
que me tocou bastante e talvez seja do interesse de vocês
também. Eu me refiro à reportagem "VEJA na
escola" (Cartas, 18 de junho), que fala do professor Carlos
Antônio dos Santos. Sou professor de direito da Faculdade
Asa de Brumadinho-MG e da Faculdade Metropolitana de Belo Horizonte.
Ministro aulas nas matérias de economia política
e prática civil na primeira, e de direito e legislação
turística na segunda. Fiquei bastante comovido com a
reportagem, pois utilizei a mesma revista em sala de aula, mas
para um curso superior de direito. A edição 2
062 foi muito pertinente ao tema da aula de economia, assim
como a edição seguinte, sobre a inflação.
Sempre que posso utilizo as reportagens em sala de aula para
exemplificar a teoria, e os alunos aprovam bastante esse método.
Saúde Modelo bem nutrida
só se for com a mãe controlando bem de perto a
sua alimentação, senão ela passa fome mesmo.
Come besteira num dia e, para compensar, passa fome no outro.
O que interessa é ficar magra, não importa como.
O pior é que essa prática, muitas vezes, leva
a transtornos alimentares, com seqüelas para o resto da
vida ("Má nutrição à porter",
18 de junho).
Tecnologia Cumprimento VEJA pela
elaborada síntese do que é o iPhone ("O capitalismo
segundo Steve Jobs", 18 de junho). É muito importante
saber que o Brasil é visto mundialmente como um país
estável e que muitas empresas têm interesse em
lançar seus produtos aqui. A economia brasileira agora
está inserida na economia mundial, confiável aos
olhos das empresas estrangeiras, e isso só fortalece
a imagem do Brasil mundo afora.
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