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MINISTÉRIO
A
carga está pesada
Os
poderes de José Dirceu, que incluem leque
imenso de tarefas, vão passar por uma lipo

Policarpo Junior
O ministro
José Dirceu, o todo-poderoso chefe da Casa Civil, é
a figura mais relevante da república petista depois do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. De seu gabinete, Dirceu coordena
a articulação política do governo, esgrimindo
contra a própria bancada petista e atendendo aos pleitos
dos parlamentares da base aliada. Também comanda as conexões
internas do governo, cumprindo um papel parecido ao exercido, na
gestão anterior, pelo ministro Pedro Parente. Além
disso, ainda controla o preenchimento de quase 20.000
cargos de confiança na administração federal.
Parece trabalho demais para um único ministro e é
mesmo. José Dirceu continua sendo a sombra mais poderosa
de Brasília, mas, em breve, seu vasto cardápio de
atribuições será submetido a uma lipoaspiração.
No futuro próximo, ainda sem data definida, o governo pode
até criar um novo órgão, talvez um novo ministério,
para absorver as funções burocráticas exercidas
pela Casa Civil. A partilha do poder, pelo menos, já foi
decidida pelo presidente Lula. Resta executá-la.
José
Dirceu já vem sendo poupado de algumas tarefas. Lula já
aliviou o ministro de comandar as reuniões de coordenação
entre os ministérios, destinadas a cobrar resultados e harmonizar
funções de pastas afins. Nos ministérios da
área social, por exemplo, a articulação está
sendo gradativamente transferida às mãos da assessora
especial da Presidência, Miriam Belchior, viúva do
ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. A José Dirceu
caberá fazer apenas a supervisão geral, sem envolver-se
nas questões operacionais. Desde a semana passada, a responsabilidade
pelo preenchimento dos cargos do terceiro escalão do governo
também está sendo dividida com os demais ministros.
Antes, até a nomeação de uma secretária
para atender ao telefone em alguma repartição pública
tinha de passar pela aprovação do chefe da Casa Civil
o que é o paroxismo da concentração
de poderes burocráticos. "É humanamente impossível
dar conta de tudo isso", diz um petista que priva da intimidade
do presidente e tomou conhecimento das mudanças em estudo.
A
sobrecarga de Dirceu já criou dificuldades políticas
ao governo que poderiam ter sido evitadas com um simples telefonema.
O deputado Beto Albuquerque, do PSB gaúcho, por exemplo,
ficou uma arara por não ter sido convidado a integrar a caravana
presidencial que, na semana passada, visitou a cidade de Pelotas,
sua base eleitoral. "Eu nem fui avisado da viagem. Foi um desrespeito",
reclamou o deputado ao ministro José Dirceu. "Os ministros
também não estão recebendo ninguém",
esperneia o líder do PMDB, Eunício Oliveira, cujo
partido é um recém-chegado à base aliada. O
presidente Lula acredita que a divisão de funções
da Casa Civil, deixando-a mais livre para cuidar da articulação
parlamentar, tende a evitar que problemas dessa ordem voltem a acontecer.
São atropelos miúdos, mas todo mundo sabe da repercussão
negativa que provocam entre os parlamentares, sempre tão
carentes de qualquer gesto de afago do poder central.
A
redução dos encargos de José Dirceu pode acontecer
antes da reengenharia que Lula quer fazer no seu ministério
depois que as reformas tributária e previdenciária
forem aprovadas pelo Congresso Nacional, o que, obviamente, só
acontecerá no segundo semestre do ano. Desde já, porém,
o presidente tem feito uma avaliação semanal do desempenho
de cada um de seus auxiliares, tanto para evitar a paralisia do
governo quanto para pavimentar o caminho da reforma ministerial.
Lula tem se mostrado bem impressionado com a atuação
de alguns ministros e não esconde sua insatisfação
com o desempenho de outros. Numa recente reunião de avaliação
no Palácio do Planalto, segundo o relato de um dos presentes
à mesa, o presidente fez um balanço. Elogiou a ministra
Dilma Rousseff, das Minas e Energia, pela firmeza com que vem reorganizando
o setor energético, comentou o sucesso da política
externa conduzida pelo chanceler Celso Amorim e enalteceu a lealdade
de Ciro Gomes, ministro da Integração Nacional. Do
outro lado da gangorra, Lula mostrou-se decepcionado com a falta
de apoio dos intelectuais ao governo, responsabilizando o ministro
Roberto Amaral, da Ciência e Tecnologia, mostrou-se preocupado
com a lentidão na área dos transportes, comandada
por Anderson Adauto, e exibiu sua surpresa com a escassa sensibilidade
política do ministro da Educação, Cristovam
Buarque. É um termômetro de como anda o poder.
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