Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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DVDs

Bambi (Estados Unidos, 1942. Buena Vista) – O clássico dos clássicos do desenho animado – ou não? Em comparação com as criações de Walt Disney que chegaram aos cinemas nos dois anos anteriores – Pinóquio e Dumbo –, Bambi parece ter mais defeitos que qualidades. A animação não é tão audaciosa, o protagonista oscila entre a timidez e o heroísmo, e as canções são cansativas. Mas não há dúvida de que, em todo o catálogo da Disney, esse é um filme que sobressai. As razões prováveis: a delicadeza ímpar de seu traço, a maneira com que ele capta o universo mágico e insular da infância e, claro, "aquela" cena – a morte da mãe do veadinho Bambi, que já educou gerações de crianças para a mais dura das realidades. Definitivamente, um clássico – aqui em versão restaurada e com um disco adicional de extras.

Equus (Inglaterra/Estados Unidos, 1977. PlayArte) – Um adolescente (Peter Firth) é recolhido a um hospital psiquiátrico por ter cegado seis cavalos com uma foice. À medida que seu terapeuta (Richard Burton) sonda as razões de tal crueldade, não só uma bizarra história de repressão vai se formando, como o próprio médico se descobre invejoso da capacidade do rapaz para a dor e a paixão. Dirigido pelo americano Sidney Lumet e adaptado pelo dramaturgo inglês Peter Shaffer da peça de sua autoria, Equus põe o sexo, a religião, as convenções sociais e a própria psiquiatria no banco dos réus, razão pela qual filme e montagem teatral causaram impacto nos anos 70. Hoje, o tom de teatro filmado e o desempenho de Firth – nu na maior parte do tempo – parecem datados. A força da interpretação de Burton, porém, permanece intacta.

 

DISCOS

 
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DJ Dolores: eletrônica do Nordeste  

Aparelhagem, DJ Dolores (Trama) – O sergipano Helder Aragão, mais conhecido como DJ Dolores, é um veterano do mangue beat – movimento que revelou bandas como Chico Science & Nação Zumbi no Recife dos anos 90. No princípio, criava capas de discos e videoclipes para outros artistas. Mais tarde, passou a produzir sua própria música – lançou o CD de estréia em 2002. Aparelhagem, seu segundo trabalho, demonstra por que Dolores é tido hoje como um renovador do pop brasileiro. Produtor habilidoso e sintonizado com as últimas novidades da música eletrônica, ele faz uma ponte entre esse universo e os ritmos típicos do Nordeste. Embora conserve a cor local, seu pop não tem nada de regionalista. Faixas como Azougue e Sanidade funcionam em qualquer pista de dança moderninha.

 
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A turma fictícia do Gorillaz: bom rock com hip hop  

Demon Days, Gorillaz (EMI) – Criado por Damon Albarn, cantor da banda inglesa Blur, e pelo cartunista Jamie Hewlett, o Gorillaz é uma brincadeira que deu certo. Em vez de roqueiros de carne e osso, a banda ostenta quatro personagens fictícios de quadrinhos como "integrantes". O Gorillaz está de volta com a mesma fórmula que garantiu a seu disco de estréia, lançado em 2001, uma vendagem mundial acima dos 6 milhões de cópias. Albarn, o cérebro musical, consegue aprimorar a sua bem urdida mistura de rock e hip hop. Ele recrutou um time eclético para participar das gravações, em que se destacam um coro gospel, os rappers do De La Soul e até o ator Dennis Hopper – que declama um texto sobre a ganância na faixa Fire Coming out of the Monkey's Head.

 

LIVROS

Windows on the World, de Frédéric Beigbeder (tradução de André Telles; Record; 352 páginas; 39,90 reais) – Em abril passado, esse romance ganhou o prêmio de ficção estrangeira concedido pelo jornal inglês The Independent. A distinção é merecida: trata-se da primeira obra de ficção séria a lidar com o horror dos atentados de 11 de setembro – e o faz de forma ousada. O romance acompanha as últimas horas de um corretor de imóveis que toma seu café-da-manhã no restaurante do World Trade Center, no dia do atentado que derrubará as torres. Beigbeder é, ao lado de Michel Houellebecq, um provocador da literatura francesa contemporânea: em Windows on the World, ele ataca o antiamericanismo francês e exalta a vitalidade da cultura pop dos Estados Unidos. Leia trecho.

Diálogos Borges/Sabato (tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro; Globo; 176 páginas; 32 reais) – Borges (1899-1986) e Sabato, de 93 anos, são dois gigantes da literatura argentina no século XX. O primeiro produziu obras célebres como o volume de contos O Aleph e o segundo, uma poderosa trilogia de romances – O Túnel, Sobre Heróis e Tumbas e Abaddon, o Exterminador. Os dois, porém, sempre tiveram pouco em comum: Borges era um empedernido conservador, e Sabato se declara um anarquista. É por isso que esse diálogo, registrado entre 1974 e 1975, é tão precioso: trata-se de um elegante embate entre duas inteligências muito distintas. Há achados magníficos, como a idéia de Borges de que a obra teológica de Santo Tomás de Aquino deveria ser considerada um exercício de literatura fantástica. Leia trecho.

Napoleão – Uma Biografia Política, de Steven Englund (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar; 640 páginas; 78 reais) – Em sua própria época, Napoleão Bonaparte (1769-1821) já era visto como um tirano ou um libertador de povos, dependendo da perspectiva de quem o retratasse. E até hoje o corso que se tornou imperador da França é uma figura cercada de controvérsia. O historiador americano Steven Englund propõe uma visão matizada desse enigma histórico: Napoleão tinha, sim, um viés autoritário, mas não pode ser alinhado com Hitler ou Stalin, esses sim verdadeiros tiranos. Englund mostra que o imperador era na verdade um político muito hábil: suas manobras no exercício do poder excederiam em muito o talento de estrategista militar pelo qual ficou famoso. Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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