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VEJA Recomenda DVDs
Bambi (Estados Unidos, 1942. Buena Vista)
O clássico dos clássicos do desenho animado ou não?
Em comparação com as criações de Walt Disney que chegaram
aos cinemas nos dois anos anteriores Pinóquio e Dumbo
, Bambi parece ter mais defeitos que qualidades. A animação
não é tão audaciosa, o protagonista oscila entre a timidez
e o heroísmo, e as canções são cansativas. Mas não
há dúvida de que, em todo o catálogo da Disney, esse é
um filme que sobressai. As razões prováveis: a delicadeza ímpar
de seu traço, a maneira com que ele capta o universo mágico e insular
da infância e, claro, "aquela" cena a morte da mãe do veadinho
Bambi, que já educou gerações de crianças para a mais
dura das realidades. Definitivamente, um clássico aqui em versão
restaurada e com um disco adicional de extras. Equus
(Inglaterra/Estados Unidos, 1977. PlayArte) Um adolescente (Peter Firth)
é recolhido a um hospital psiquiátrico por ter cegado seis cavalos
com uma foice. À medida que seu terapeuta (Richard Burton) sonda as razões
de tal crueldade, não só uma bizarra história de repressão
vai se formando, como o próprio médico se descobre invejoso da capacidade
do rapaz para a dor e a paixão. Dirigido pelo americano Sidney Lumet e
adaptado pelo dramaturgo inglês Peter Shaffer da peça de sua autoria,
Equus põe o sexo, a religião, as convenções
sociais e a própria psiquiatria no banco dos réus, razão
pela qual filme e montagem teatral causaram impacto nos anos 70. Hoje, o tom de
teatro filmado e o desempenho de Firth nu na maior parte do tempo
parecem datados. A força da interpretação de Burton, porém,
permanece intacta. DISCOS Divulgação
 |  | | DJ
Dolores: eletrônica do Nordeste | |
Aparelhagem,
DJ Dolores (Trama) O sergipano Helder Aragão, mais conhecido como
DJ Dolores, é um veterano do mangue beat movimento que revelou bandas
como Chico Science & Nação Zumbi no Recife dos anos 90. No princípio,
criava capas de discos e videoclipes para outros artistas. Mais tarde, passou
a produzir sua própria música lançou o CD de estréia
em 2002. Aparelhagem, seu segundo trabalho, demonstra por que Dolores é
tido hoje como um renovador do pop brasileiro. Produtor habilidoso e sintonizado
com as últimas novidades da música eletrônica, ele faz uma
ponte entre esse universo e os ritmos típicos do Nordeste. Embora conserve
a cor local, seu pop não tem nada de regionalista. Faixas como Azougue
e Sanidade funcionam em qualquer pista de dança moderninha.
Divulgação
 |  | | A
turma fictícia do Gorillaz: bom rock com hip hop | |
Demon Days, Gorillaz (EMI) Criado por
Damon Albarn, cantor da banda inglesa Blur, e pelo cartunista Jamie Hewlett, o
Gorillaz é uma brincadeira que deu certo. Em vez de roqueiros de carne
e osso, a banda ostenta quatro personagens fictícios de quadrinhos como
"integrantes". O Gorillaz está de volta com a mesma fórmula que
garantiu a seu disco de estréia, lançado em 2001, uma vendagem mundial
acima dos 6 milhões de cópias. Albarn, o cérebro musical,
consegue aprimorar a sua bem urdida mistura de rock e hip hop. Ele recrutou um
time eclético para participar das gravações, em que se destacam
um coro gospel, os rappers do De La Soul e até o ator Dennis Hopper
que declama um texto sobre a ganância na faixa Fire Coming out of the
Monkey's Head. LIVROS Windows
on the World, de Frédéric Beigbeder
(tradução de André Telles; Record; 352 páginas; 39,90
reais) Em abril passado, esse romance ganhou o prêmio de ficção
estrangeira concedido pelo jornal inglês The Independent. A distinção
é merecida: trata-se da primeira obra de ficção séria
a lidar com o horror dos atentados de 11 de setembro e o faz de forma ousada.
O romance acompanha as últimas horas de um corretor de imóveis que
toma seu café-da-manhã no restaurante do World Trade Center, no
dia do atentado que derrubará as torres. Beigbeder é, ao lado de
Michel Houellebecq, um provocador da literatura francesa contemporânea:
em Windows on the World, ele ataca o antiamericanismo francês e exalta
a vitalidade da cultura pop dos Estados Unidos. Leia
trecho. Diálogos
Borges/Sabato (tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro; Globo;
176 páginas; 32 reais) Borges (1899-1986) e Sabato, de 93 anos,
são dois gigantes da literatura argentina no século XX. O primeiro
produziu obras célebres como o volume de contos O Aleph e o segundo,
uma poderosa trilogia de romances O Túnel, Sobre Heróis
e Tumbas e Abaddon, o Exterminador. Os dois, porém, sempre tiveram
pouco em comum: Borges era um empedernido conservador, e Sabato se declara um
anarquista. É por isso que esse diálogo, registrado entre 1974 e
1975, é tão precioso: trata-se de um elegante embate entre duas
inteligências muito distintas. Há achados magníficos, como
a idéia de Borges de que a obra teológica de Santo Tomás
de Aquino deveria ser considerada um exercício de literatura fantástica.
Leia
trecho.
Napoleão
Uma Biografia Política, de Steven Englund (tradução
de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar; 640 páginas; 78 reais)
Em sua própria época, Napoleão Bonaparte (1769-1821) já
era visto como um tirano ou um libertador de povos, dependendo da perspectiva
de quem o retratasse. E até hoje o corso que se tornou imperador da França
é uma figura cercada de controvérsia. O historiador americano Steven
Englund propõe uma visão matizada desse enigma histórico:
Napoleão tinha, sim, um viés autoritário, mas não
pode ser alinhado com Hitler ou Stalin, esses sim verdadeiros tiranos. Englund
mostra que o imperador era na verdade um político muito hábil: suas
manobras no exercício do poder excederiam em muito o talento de estrategista
militar pelo qual ficou famoso. Leia
trecho. |