Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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Radar

Lauro Jardim (e-mail: ljardim@abril.com.br)

• GOVERNO

Os perseguidos
Lula imagina que por trás das denúncias de corrupção e críticas mais pesadas haveria uma "conspiração das elites" para desestabilizar seu governo – raciocício semelhante ao que Aloizio Mercadante externou numa reunião de petistas. A confidência foi feita a alguns poucos na semana passada. Entre as testemunhas do desabafo presidencial estavam Severino Cavalcanti e o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa. A teoria conspiratória anda em alta no PT. Curioso: Fernando Collor também se sentia estigmatizado pelas elites.

Deterioração
Do alto de sua experiência, José Sarney, o parlamentar mais antigo em atividade no Congresso, anda preocupado com o que vê.

Sem comparação
Ninguém entendeu o mais recente auto-elogio de Lula. O presidente, na terça-feira passada, disse que a pujança da economia brasileira só é comparável à dos melhores anos dos governos Vargas e JK. Aos números, pois. O crescimento do PIB nos dois primeiros anos do governo Lula foi de 0,5% e 5,2%. Já o Brasil de JK cresceu 2,9% e 7,7% no mesmo período. Em seu segundo mandato na Presidência (1951/54), Vargas viu o país crescer 4,9% e 7,3% nos dois primeiros anos de governo.

Rigor com o baixo clero
Depois de relaxar a obrigatoriedade da língua inglesa para os novos diplomatas, o Itamaraty resolveu ser rigoroso... com os funcionários administrativos (contínuos, cozinheiros etc.). Agora, somente serão designados para "missões transitórias" no exterior os que comprovarem conhecimento de nível intermediário do inglês. Ou seja, afrouxaram no alto e endureceram embaixo.



A instituição mais confiável


Felipe Araujo/AE
Militares: fora do poder, mas com imagem melhor

Duas décadas depois de deixar o poder quase pela porta dos fundos, as Forças Armadas são, quem diria, a instituição em que o brasileiro mais confia. Uma pesquisa nacional do Ibope, concluída neste mês, revela que 75% da população tem confiança nos militares. É o maior porcentual desde 1989. Ajudou muito a distância do poder, obtido por golpe e mantido por uma ditadura. Em 1989, quatro anos depois de os militares deixarem o governo, 51% dos brasileiros diziam confiar neles. Entre as doze instituições pesquisadas, a que menos inspira confiança é – adivinhe – a dos políticos: 87% não confiam neles. É bem verdade que o desempenho dos políticos sempre foi sofrível nesse tipo de levantamento. Mas o resultado de agora é o pior de todos. E os últimos escândalos não têm ajudado em nada a categoria...

 

• CIGARROS

Tragada mais cara
O governo resolveu arregaçar as mangas, depois de muito tempo patinando no combate ao fumo. Uma comissão que reúne técnicos dos ministérios da Saúde e da Fazenda está trabalhando para instituir uma nova taxação sobre o preço dos cigarros. A idéia é elevar o preço para inibir o consumo. Mas não só: a proposta é criar, com os recursos arrecadados, um fundo para a substituição gradual das culturas de tabaco.

Ressaca do Zeca
Lembra-se da briga entre a Nova Schin e a Brahma pelo passe de Zeca Pagodinho? Na semana passada, a Justiça deu ganho de causa à Fischer (agência da Schin), condenando a África (agência da Brahma) a pagar uma indenização de 600.000 reais por danos morais. E mais uma quantia ainda a ser estipulada por danos materiais. A África vai recorrer.

Raposa no galinheiro
José Janene está pressionando Severino Cavalcanti para nomeá-lo relator do projeto de lei que promove a abertura do setor de resseguros. Janene é um daqueles deputados que têm carinho especial pelo IRB, a estatal do setor. Tem, por exemplo, uma interlocução do tipo olho no olho com um diretor da estatal, Luiz Lucena. Com ele, o projeto do governo empacará.

 

• JUSTIÇA

Ação bilionária
Chegou ao STJ uma ação de indenização bilionária contra a Petrobras – capaz de preocupar até a maior empresa brasileira. A ação remonta à privatização da Petroquisa, subsidiária da estatal. Um acionista minoritário questionou o valor da venda da subsidiária, num processo que se arrasta há treze anos. Se perder, a Petrobras desembolsará 2,4 bilhões de dólares. Mais impressionante: ainda terá de pagar ao escritório de advocacia Lobo & Ibeas, que representa o minoritário, quase 700 milhões de dólares em honorários.

 

• CINEMA

Bye-bye, Brasil
A rede americana UCI está vendendo seus 126 cinemas no Brasil por 24 milhões de dólares para o grupo espanhol Box Cinemas, que já opera timidamente no país.

 

Uma questão de ênfase e diplomacia


Wilton Junior/AE
Mantega: conversa direta com Lula

Numa reunião, na segunda-feira passada, com grandes industriais, o presidente do BNDES, Guido Mantega, passou a impressão de que se reporta diretamente a Lula – e não ao ministro Luiz Furlan, seu chefe imediato. Em várias passagens, disse que já combinara determinada medida com o presidente ou que relatara a ele alguma providência tomada. Carlos Lessa, seu antecessor, sempre arranjava confusão com essas demonstrações de autonomia. Mantega, não. A diferença é que, além de claramente afinado com Furlan, Mantega não compra brigas desnecessárias nem com ele nem com o resto da humanidade.

 



 
 
 
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