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Radar
Lauro Jardim (e-mail: ljardim@abril.com.br)
GOVERNO
Os perseguidos
Lula imagina que por trás das denúncias de
corrupção e críticas mais pesadas haveria uma
"conspiração das elites" para desestabilizar seu governo
raciocício semelhante ao que Aloizio Mercadante externou
numa reunião de petistas. A confidência foi feita a
alguns poucos na semana passada. Entre as testemunhas do desabafo
presidencial estavam Severino Cavalcanti e o governador de Alagoas,
Ronaldo Lessa. A teoria conspiratória anda em alta no PT.
Curioso: Fernando Collor também se sentia estigmatizado pelas
elites.
Deterioração
Do alto de sua experiência, José Sarney, o
parlamentar mais antigo em atividade no Congresso, anda preocupado
com o que vê.
Sem comparação
Ninguém entendeu o mais recente auto-elogio de Lula.
O presidente, na terça-feira passada, disse que a pujança
da economia brasileira só é comparável à
dos melhores anos dos governos Vargas e JK. Aos números,
pois. O crescimento do PIB nos dois primeiros anos do governo Lula
foi de 0,5% e 5,2%. Já o Brasil de JK cresceu 2,9% e 7,7%
no mesmo período. Em seu segundo mandato na Presidência
(1951/54), Vargas viu o país crescer 4,9% e 7,3% nos dois
primeiros anos de governo.
Rigor
com o baixo clero
Depois de relaxar a obrigatoriedade da língua inglesa
para os novos diplomatas, o Itamaraty resolveu ser rigoroso... com
os funcionários administrativos (contínuos, cozinheiros
etc.). Agora, somente serão designados para "missões
transitórias" no exterior os que comprovarem conhecimento
de nível intermediário do inglês. Ou seja, afrouxaram
no alto e endureceram embaixo.
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A instituição
mais confiável
Felipe Araujo/AE
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| Militares: fora do poder, mas
com imagem melhor |
Duas décadas depois
de deixar o poder quase pela porta dos fundos, as Forças
Armadas são, quem diria, a instituição
em que o brasileiro mais confia. Uma pesquisa nacional
do Ibope, concluída neste mês, revela que
75% da população tem confiança
nos militares. É o maior porcentual desde 1989.
Ajudou muito a distância do poder, obtido por
golpe e mantido por uma ditadura. Em 1989, quatro anos
depois de os militares deixarem o governo, 51% dos brasileiros
diziam confiar neles. Entre as doze instituições
pesquisadas, a que menos inspira confiança é
adivinhe a dos políticos: 87% não
confiam neles. É bem verdade que o desempenho
dos políticos sempre foi sofrível nesse
tipo de levantamento. Mas o resultado de agora é
o pior de todos. E os últimos escândalos
não têm ajudado em nada a categoria...
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CIGARROS
Tragada
mais cara
O governo resolveu arregaçar as mangas, depois de
muito tempo patinando no combate ao fumo. Uma comissão que
reúne técnicos dos ministérios da Saúde
e da Fazenda está trabalhando para instituir uma nova taxação
sobre o preço dos cigarros. A idéia é elevar
o preço para inibir o consumo. Mas não só:
a proposta é criar, com os recursos arrecadados, um fundo
para a substituição gradual das culturas de tabaco.
Ressaca
do Zeca
Lembra-se da briga entre a Nova Schin e a Brahma pelo passe
de Zeca Pagodinho? Na semana passada, a Justiça deu ganho
de causa à Fischer (agência da Schin), condenando a
África (agência da Brahma) a pagar uma indenização
de 600.000 reais por danos morais. E mais uma quantia ainda a ser
estipulada por danos materiais. A África vai recorrer.
Raposa
no galinheiro
José Janene está pressionando Severino Cavalcanti
para nomeá-lo relator do projeto de lei que promove a abertura
do setor de resseguros. Janene é um daqueles deputados que
têm carinho especial pelo IRB, a estatal do setor. Tem, por
exemplo, uma interlocução do tipo olho no olho com
um diretor da estatal, Luiz Lucena. Com ele, o projeto do governo
empacará.
JUSTIÇA
Ação
bilionária
Chegou ao STJ uma ação de indenização
bilionária contra a Petrobras capaz de preocupar até
a maior empresa brasileira. A ação remonta à
privatização da Petroquisa, subsidiária da
estatal. Um acionista minoritário questionou o valor da venda
da subsidiária, num processo que se arrasta há treze
anos. Se perder, a Petrobras desembolsará 2,4 bilhões
de dólares. Mais impressionante: ainda terá de pagar
ao escritório de advocacia Lobo & Ibeas, que representa
o minoritário, quase 700 milhões de dólares
em honorários.
CINEMA
Bye-bye,
Brasil
A rede americana UCI está vendendo seus 126 cinemas
no Brasil por 24 milhões de dólares para o grupo espanhol
Box Cinemas, que já opera timidamente no país.
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Uma questão de
ênfase e diplomacia
Wilton Junior/AE
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| Mantega: conversa direta com Lula
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Numa reunião, na
segunda-feira passada, com grandes industriais, o presidente
do BNDES, Guido Mantega, passou a impressão de
que se reporta diretamente a Lula e não
ao ministro Luiz Furlan, seu chefe imediato. Em várias
passagens, disse que já combinara determinada
medida com o presidente ou que relatara a ele alguma
providência tomada. Carlos Lessa, seu antecessor,
sempre arranjava confusão com essas demonstrações
de autonomia. Mantega, não. A diferença
é que, além de claramente afinado com
Furlan, Mantega não compra brigas desnecessárias
nem com ele nem com o resto da humanidade.
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