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Internet
"Naum tow intndndu nd"
(Não estou entendendo nada)
Para conversar pelo computador,
os jovens inventaram uma linguagem
criativa e intrigante para os mais velhos
Andre Penner
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| Natália (no teclado) e amigas
conversam on-line: rapidez |
Quem tem filhos adolescentes sabe:
boa parte do tempo livre, passam conversando com os amigos. Antigamente,
penduravam-se ao telefone por horas a fio. Agora, se têm computador
em casa, dão preferência à troca de mensagens
pela internet, por motivos vários: é barato (adeus
bronca do pai diante da conta telefônica), é muito
mais discreto (ninguém vai escutar "sem querer") e é
rápido. Quer dizer, rápido para quem domina a linguagem
do MSN e dos demais serviços de conversa on-line em tempo
real ou seja, praticamente todo mundo dos 10 aos 30 anos
de idade. O princípio básico do internetês é
espremer o essencial de cada palavra, descartar o supérfluo
e inevitavelmente ceder à tentação dos apelos
fonéticos. Vogais, por exemplo, são quase dispensáveis.
É quando também vira "tbm", certeza vira "ctza" e
depende, "dpnd".
Nessa minimalização
lingüística, outra prática comum é substituir
dois por um: qu, ch e ss se transformam em k, x e c ("eskecer",
"xegar", "ece"). Meninas a quem o Xou da Xuxa marcou pela
eternidade consideram que o som da letra x é "meigo"
daí escolherem, em vez de "vc" (para quem não sabe,
o equivalente a você), "vx". Acentos, evidentemente, são
raríssimos; quando absolutamente necessários, viram
uma letra (por sinal, a única situação em que
a palavra aumenta de tamanho). A indicação de acento
agudo é a letra h ("ahi", "jah", "eh"). O til, coitado, desfigura-se
na expressão "aum" ("naum" para não, "entaum" para
então). Nada disso garante que dois interlocutores cibernéticos
vão se entender perfeitamente, visto que o dialeto da internet
tem uma dinâmica própria e varia conforme a "tribo"
ou a região do país. Nas primeiras vezes em que Júlia
Horita, 15 anos, que mora em Brasília, conversou pelo computador
com a prima Natália, 15, de São Paulo, "ngm c intendia"
(ninguém se entendia). Foi preciso "xplik" (explicar), por
exemplo, que "btf" queria dizer, vejam só, boto fé.
Natália e as amigas do colégio contam que, nos domingos
à noite o horário de pico desse tipo de conversação
, chegam a "falar" com vinte pessoas ao mesmo tempo. Daí,
conclui Natália, a necessidade de abreviações:
"Com elas consigo falar muito mais rápido".
Roberto Setton
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| Vivian: na hora de fazer planos, "todo
mundo fala ao mesmo tempo" |
O hábito de tomar todo
tipo de liberdade com o idioma somado às muitas horas de
computador pode render problemas na hora de escrever a sério.
O estudante Gustavo Del Mero, 20 anos, conta que passou maus bocados
no vestibular. "Demorei na redação porque tive de
corrigir coisas como pq e naum", diz. Percalços desse tipo
não desestimulam em nada essa espécie de novilíngua.
Quem a usa só vê vantagens. A estudante Vivian Saboleski,
19, de Santo André, na Grande São Paulo, utiliza a
internet para conversar desde os 12 anos e passa até dez
horas por dia on-line. Costuma marcar com as amigas um horário
para combinar o fim de semana. "Todo mundo fala ao mesmo tempo.
É muito mais prático", avalia.
O vasto e jovem contingente de
usuários do dialeto levou o canal a cabo Telecine a legendar
com ele os filmes da sessão Cyber Movie evidentemente,
um programa para iniciados. Quem teme pelo futuro do idioma pode
se acalmar: segundo especialistas, internetês, como acne,
é fase. Há quem aponte, inclusive, benesses. "A internet
reabilitou a escrita", afirma Bruno Dallari, professor de lingüística
da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São
Paulo. "Ela estava em desuso entre os jovens dos anos 90. Agora,
voltou a ser comum. Mas as escolas, sobretudo, precisam prestar
atenção ao fenômeno e estabelecer as diferenças",
alerta Claudemir Belintane, professor de metodologia de língua
portuguesa da Universidade de São Paulo. "Não se deve
aceitar que a linguagem da internet contamine a formal de maneira
abusiva." Até porque, no momento em que os jovens que só
batem papo e produzem blogs começam a trocar e-mails regulares,
uma coisa vista nesses círculos como muito mais "séria",
o português volta a ser como antes impreciso, talvez;
incorreto, muito freqüentemente, mas, pelo menos, compreensível.
"Intnderaum?"
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Adeus, vogais
aham = sim
blz = beleza
colokndo = colocando
ctza = certeza
dpnd = depende
fds = fim de semana
fmz = firmeza
gnt = gente
miguxa, milga = amiga
msm = mesmo
naum = não
nd = nada
9dades = novidades
sds = só Deus sabe
t+ = até mais
vlw = valeu
xops = shopping
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