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Economia e
Negócios Agora o petróleo é
deles A Bolívia toma o controle
das reservas de petróleo e gás Dado
Galdieri/AP
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Paz: mineiros protestam contra petrolíferas estrangeiras; Petrobras tem 15% do
PIB do país | David Sapiencia/EFE
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A
Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, aprovou na
terça-feira da semana passada uma nova lei para o setor de petróleo
e gás. A medida eleva o pagamento de impostos não dedutíveis
das companhias estrangeiras para 32% e ratifica os 18% de royalties que já
vinham sendo cobrados. Além disso, recupera para o Estado a propriedade
das reservas no ponto de produção e recria uma companhia estatal
que irá controlar as empresas estrangeiras no processo de exploração
e comercialização do gás natural e do petróleo. A
nova lei substitui uma legislação de 1996, criada no governo do
presidente deposto Gonzalo Sánchez de Lozada, que entregara o controle
da produção a vinte empresas petrolíferas estrangeiras. A
nova medida entrou em vigor depois que o atual presidente, Carlos Mesa, pressionado
por violentos protestos nacionalistas no país, decidiu não vetar
nem fazer observações ao texto sancionado pelo Congresso boliviano
após dez meses de debates.
Num primeiro momento, o aumento de impostos vai colocar 320 milhões de
dólares nos cofres públicos bolivianos. Mas deverá afastar
os investidores estrangeiros e deter o crescimento do país. A Bolívia
possui a segunda maior reserva de gás natural da América Latina,
atrás da Venezuela, mas é a nação mais miserável
da América do Sul mais de dois terços da população
vivem abaixo da linha de pobreza.
Maior empresa em operação no país, a brasileira Petrobras
será duramente atingida pela medida. Seu presidente, José Eduardo
Dutra, anunciou que irá rever todos os novos projetos da empresa na Bolívia,
mas vai manter as atividades atuais. A companhia brasileira é responsável
por 15% do PIB boliviano. Dos 400 postos de gasolina do país, noventa têm
a bandeira da Petrobras. Até a aprovação da nova lei, a Petrobras
operava na Bolívia sob o regime de concessão, o que lhe garantia
autonomia nas decisões relativas à produção. A lei
transformou a concessão em um regime de risco compartilhado, que, na prática,
é uma espécie de prestação de serviços. A empresa
brasileira também perde a propriedade do gás, que, a partir de agora,
deverá ser entregue à YPFB, a estatal boliviana que será
a responsável pela negociação do produto.
Com a decisão da Petrobras de rever os novos investimentos na Bolívia,
três projetos de grande porte ficam comprometidos: o polo gás-químico
na fronteira entre os dois países; a construção de um gasoduto
que vai até a Argentina; e o aumento da exploração de gás
e petróleo. Esses projetos têm orçamento global estimado em
1,5 bilhão de dólares. A empresa planejava também duplicar
o gasoduto BrasilBolívia, obra avaliada em 1,5 bilhão de dólares.
O acordo atual para fornecimento de gás entre os dois países vigora
até 2029 e não foi afetado pela nova lei boliviana.
Segundo o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura
e professor da UFRJ, sem os investimentos que a Petrobras previa fazer na Bolívia
faltará gás no Brasil em 2009. "O governo Lula tem agido de maneira
nacionalista nessa área de energia e agora está provando do seu
próprio veneno. Há poucas alternativas a não ser aceitar
as regras impostas pela Bolívia", diz Pires. Para David Zylbersztajn, ex-diretor-geral
da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que acabou de assumir a presidência
do conselho de administração da Varig, "a Bolívia é
um país com uma indústria precária. Ao afastar os investidores,
ela pode mergulhar em uma grave crise econômica". |