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Saúde A
dieta dos iniciantes Novo livro adapta ao sistema
de pontos o regime mais simples que existe: comer pouco e fazer exercícios
físicos  Bel
Moherdaui
Quem já fez qualquer tipo de dieta, ou simplesmente
se interessou pelo assunto, já deve ter aprendido que o que resolve mesmo
não é cortar radicalmente este ou aquele grupo alimentar do cardápio
diário. O ideal (leia-se: que funciona a longo prazo), não cansam
de repetir os médicos sérios, é mesmo casar uma alimentação
equilibrada com um programa de exercícios. O novo livro do fisiologista
Turibio Leite de Barros e da nutricionista Patrícia Bertolucci é
uma espécie de manual para iniciantes nessa seara. A Balança
dos Pontos (Manole; 220 páginas; 74 reais) tem por objetivo ajudar,
de forma razoavelmente simples, qualquer um a montar seu programa para perder
quilos extras casando restrição alimentar e exercícios físicos.
Cada pessoa determina em que vertente vai se empenhar prioritariamente
exercitando-se mais ou comendo menos , embora as duas coisas sejam indispensáveis
para perder peso. "A balança calórica é a base de qualquer
programa de emagrecimento. Todas as dietas que funcionam induzem o indivíduo
a comer menos. Dietas que partem de dados precisos, como a do índice glicêmico,
são apenas uma sofisticação do que é absolutamente
imutável", analisa Barros, que é coordenador do Centro de Medicina
da Atividade Física e do Esporte (Cemafe) da Universidade Federal de São
Paulo.
Lailson
Santos
 | | Manoela:
3 quilos em um mês comendo até bolinho de chuva |
A
recomendação dos autores é começar com uma análise
minuciosa da alimentação e da atividade física habitual,
contabilizando ponto por ponto com base em duas longas tabelas no fim do
livro tudo o que entra e sai na matemática calórica do corpo
até chegar à média diária em cada um dos, com o perdão
da palavra, pratos da balança. Essa é a parte mais trabalhosa; prepare-se
para gastar calorias (infelizmente não muitas) na calculadora. Com esses
dados em mãos, fica fácil descobrir se está sobrando comida
ou faltando exercício e, daí, definir os ajustes. O programa para
perder 1 quilo por semana exige queimar, por dia, 110 pontos a mais do que o consumido;
para perder meio quilo, metade disso. Sugere-se que a diferença de 110
pontos seja alcançada economizando 80 pontos (ou 800 calorias) na dieta
e gastando 30 pontos extras em atividades físicas, mas também pode
ser cortando 60 pontos da alimentação e acrescentando 50 de exercícios,
ou da forma mais adequada para cada um. "Nossa proposta é um método
que o leitor pode fazer em casa sozinho, sem a necessidade de um profissional
da área", diz Patrícia Bertolucci.
A grande novidade do programa, que está sendo desenvolvido pela dupla há
três anos, foi instituir pontos para as atividades físicas e compará-los
com os adquiridos na alimentação. Na categoria das atividades físicas
estão incluídas as chamadas "ocupacionais", aquilo que todo mundo
faz todo dia mas nem pensa que é exercício porque não envolve
nem esteira nem pesinhos. Assim, lavar a louça, brincar com as crianças
e esfregar o chão rendem 4,6, 6 e 7,88 pontos respectivamente a
cada vinte minutos, para uma pessoa de 65 quilos. Mesmo o gasto em repouso, ou
seja, a energia consumida pelo organismo para manter funções vitais
como respiração, digestão e circulação, entra
na conta. Já a pontuação do
regime de restrição alimentar tem muito pouca variação
em relação à tradicional dieta dos pontos do endocrinologista
paulista Alfredo Halpern. "A dieta dos pontos é um ovo de Colombo. Ela
mostra, de maneira compreensível, a capacidade que a comida tem de engordar.
E não proíbe nada. É a dieta do bom senso", explica Halpern,
orgulhoso inventor do sistema, adotado até pelo universal programa Vigilantes
do Peso, que permite que quem extrapola seus pontos num dia compense no dia seguinte.
"Sou viciada em bolinho de chuva e às vezes ainda conseguia comer um",
diz a professora de educação física Manoela Faro Daffre,
de São Paulo, uma das primeiras a testar o programa da Balança dos
Pontos. Em pouco mais de um mês ela perdeu 3 quilos. "Por trabalhar com
o corpo, tenho contato com muitas dietas e, como toda mulher, tento fazer todas.
Com essa, aprendi realmente a comer, mesmo almoçando muito fora e não
podendo comer frango com salada todo dia", diz ela, que adicionou mais uma hora
de corrida e musculação às quatro que já fazia por
semana. Um dos capítulos mais ilustrativos
do livro é o que compara comidas e exercícios. Ali, fica-se sabendo
ou se tem a triste confirmação que suar durante uma
hora num jogo de tênis equivale a um modesto beirute light com suco de laranja
(opção saudável) ou a uma porção de manjar
(opção pecaminosa). Já trinta minutos varrendo a casa valem
uma fatia de pão light com duas colheres de sopa de queijo cottage ou cinco
camarões médios fritos. "As pessoas tendem a superestimar o valor
dos exercícios e subestimar o da alimentação. Acham que trinta
minutos de abdominal emagrece e que fruta não engorda. Não é
bem assim. Quem quer emagrecer precisa fechar a boca ou abrir o passo", diz Barros.
Melhor ainda é fazer os dois juntos. |