Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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Saúde
A dieta dos iniciantes

Novo livro adapta ao sistema de pontos
o regime mais simples que existe: comer
pouco e fazer exercícios físicos


Bel Moherdaui


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Ponto a ponto
Quadro: Exercícios

EXCLUSIVO ON-LINE
Dicas do livro

Quem já fez qualquer tipo de dieta, ou simplesmente se interessou pelo assunto, já deve ter aprendido que o que resolve mesmo não é cortar radicalmente este ou aquele grupo alimentar do cardápio diário. O ideal (leia-se: que funciona a longo prazo), não cansam de repetir os médicos sérios, é mesmo casar uma alimentação equilibrada com um programa de exercícios. O novo livro do fisiologista Turibio Leite de Barros e da nutricionista Patrícia Bertolucci é uma espécie de manual para iniciantes nessa seara. A Balança dos Pontos (Manole; 220 páginas; 74 reais) tem por objetivo ajudar, de forma razoavelmente simples, qualquer um a montar seu programa para perder quilos extras casando restrição alimentar e exercícios físicos. Cada pessoa determina em que vertente vai se empenhar prioritariamente – exercitando-se mais ou comendo menos –, embora as duas coisas sejam indispensáveis para perder peso. "A balança calórica é a base de qualquer programa de emagrecimento. Todas as dietas que funcionam induzem o indivíduo a comer menos. Dietas que partem de dados precisos, como a do índice glicêmico, são apenas uma sofisticação do que é absolutamente imutável", analisa Barros, que é coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte (Cemafe) da Universidade Federal de São Paulo.


Lailson Santos
Manoela: 3 quilos em um mês comendo até bolinho de chuva


A recomendação dos autores é começar com uma análise minuciosa da alimentação e da atividade física habitual, contabilizando ponto por ponto – com base em duas longas tabelas no fim do livro – tudo o que entra e sai na matemática calórica do corpo até chegar à média diária em cada um dos, com o perdão da palavra, pratos da balança. Essa é a parte mais trabalhosa; prepare-se para gastar calorias (infelizmente não muitas) na calculadora. Com esses dados em mãos, fica fácil descobrir se está sobrando comida ou faltando exercício e, daí, definir os ajustes. O programa para perder 1 quilo por semana exige queimar, por dia, 110 pontos a mais do que o consumido; para perder meio quilo, metade disso. Sugere-se que a diferença de 110 pontos seja alcançada economizando 80 pontos (ou 800 calorias) na dieta e gastando 30 pontos extras em atividades físicas, mas também pode ser cortando 60 pontos da alimentação e acrescentando 50 de exercícios, ou da forma mais adequada para cada um. "Nossa proposta é um método que o leitor pode fazer em casa sozinho, sem a necessidade de um profissional da área", diz Patrícia Bertolucci.

A grande novidade do programa, que está sendo desenvolvido pela dupla há três anos, foi instituir pontos para as atividades físicas e compará-los com os adquiridos na alimentação. Na categoria das atividades físicas estão incluídas as chamadas "ocupacionais", aquilo que todo mundo faz todo dia mas nem pensa que é exercício porque não envolve nem esteira nem pesinhos. Assim, lavar a louça, brincar com as crianças e esfregar o chão rendem 4,6, 6 e 7,88 pontos respectivamente – a cada vinte minutos, para uma pessoa de 65 quilos. Mesmo o gasto em repouso, ou seja, a energia consumida pelo organismo para manter funções vitais como respiração, digestão e circulação, entra na conta.

Já a pontuação do regime de restrição alimentar tem muito pouca variação em relação à tradicional dieta dos pontos do endocrinologista paulista Alfredo Halpern. "A dieta dos pontos é um ovo de Colombo. Ela mostra, de maneira compreensível, a capacidade que a comida tem de engordar. E não proíbe nada. É a dieta do bom senso", explica Halpern, orgulhoso inventor do sistema, adotado até pelo universal programa Vigilantes do Peso, que permite que quem extrapola seus pontos num dia compense no dia seguinte. "Sou viciada em bolinho de chuva e às vezes ainda conseguia comer um", diz a professora de educação física Manoela Faro Daffre, de São Paulo, uma das primeiras a testar o programa da Balança dos Pontos. Em pouco mais de um mês ela perdeu 3 quilos. "Por trabalhar com o corpo, tenho contato com muitas dietas e, como toda mulher, tento fazer todas. Com essa, aprendi realmente a comer, mesmo almoçando muito fora e não podendo comer frango com salada todo dia", diz ela, que adicionou mais uma hora de corrida e musculação às quatro que já fazia por semana.

Um dos capítulos mais ilustrativos do livro é o que compara comidas e exercícios. Ali, fica-se sabendo – ou se tem a triste confirmação – que suar durante uma hora num jogo de tênis equivale a um modesto beirute light com suco de laranja (opção saudável) ou a uma porção de manjar (opção pecaminosa). Já trinta minutos varrendo a casa valem uma fatia de pão light com duas colheres de sopa de queijo cottage ou cinco camarões médios fritos. "As pessoas tendem a superestimar o valor dos exercícios e subestimar o da alimentação. Acham que trinta minutos de abdominal emagrece e que fruta não engorda. Não é bem assim. Quem quer emagrecer precisa fechar a boca ou abrir o passo", diz Barros. Melhor ainda é fazer os dois juntos.

 
 
 
 
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