Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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Tecnologia
O provador eletrônico

Chega às lojas de roupas a cabine
que tira as medidas do corpo
e orienta a escolha do cliente

Para muita gente, experimentar roupas nas lojas até achar aquela que melhor se ajusta ao corpo é um penoso exercício de paciência. Os fabricantes não adotam medidas padronizadas e, além disso, o tamanho das peças varia de acordo com o modelo. Para poupar seus clientes da maratona das provas, grandes lojas americanas, como Macy's e Levi's, estão oferecendo uma opção aos tradicionais provadores apertados e abafados. A novidade é uma cabine que permite ao cliente descobrir em apenas dez segundos quais modelos, tamanhos e marcas lhe caem bem. O fabricante, uma empresa chamada Intellifit, primeiro usou a tecnologia para produzir peças sob medida e levou um tempo para perceber que havia um bom mercado para o provador eletrônico. O aparelho funciona como um scanner por ondas de rádio. "Enxerga" o corpo por baixo de qualquer tipo de tecido, tira suas medidas e sugere diferentes modelos, no tamanho ideal, dentre as peças em estoque na loja (veja quadro). "O sistema é especialmente útil em lojas de departamentos, que vendem diversas marcas, cada qual com suas medidas específicas", diz Eric Sokolsky, representante da Intellifit em Nova York.

A cabine pode ser a solução para um sério problema do vestuário produzido em massa: a falta de padronização dos tamanhos. Um levantamento recente mostra que oito em cada dez americanas reclamam da variedade de tamanhos das roupas de um mesmo número, dependendo da marca. No Brasil, cada indústria adota a própria tabela de medidas, segundo o que acredita serem o biotipo de seu consumidor e as tendências da moda. "A nomenclatura de mercado é, digamos, 42, mas cada um atribui suas medidas a esse 42", diz Edson Amaro, gerente de produto da Hering, o maior fabricante nacional de malhas. Pelas técnicas tradicionais de modelagem, uma calça masculina 44 deveria ter 88 centímetros de cintura, mas é comum encontrar modelos dessa medida com 95 centímetros de cós.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas criou em 1995 um padrão que associa a numeração às medidas do corpo humano, mas a indústria jamais o adotou. Agora, a Associação Brasileira do Vestuário está propondo a uniformização dos tamanhos. "Nossa indústria será a primeira a lucrar, até porque a uniformização reforçaria as vendas pela internet", diz Roberto Chadad, presidente da entidade. Enquanto isso não acontece, o jeito é entrar no provador com uma pilha de roupas. Ou, quando possível, recorrer ao provador eletrônico.

 

Foto divulgação


 
 
 
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