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Espaço
Guerra nas estrelas.
Para valer
A Força Aérea americana quer
colocar armas no espaço para
defesa e para ataque

Diogo Schelp
Steve Cline/The New York Times
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| Lançamento do microssatélite XSS-11: para
interferir nos outros satélites |
A Força Aérea dos Estados Unidos
quer reavivar uma antiga ambição: desenvolver armas
que permitam fazer guerras a partir do espaço. O que os militares
pretendem é mais do que simplesmente tirar da gaveta o projeto
Guerra nas Estrelas, criado pelo governo do presidente Ronald Reagan,
em 1984, ainda na Guerra Fria. O projeto de Reagan que consumiu
quase 100 bilhões de dólares e nunca funcionou
previa criar um escudo para identificar e destruir no ar mísseis
nucleares que viessem a ser lançados pela União Soviética.
O projeto atual é mais ofensivo. O objetivo do Pentágono
é o de desenvolver equipamentos que, colocados em órbita,
sejam capazes de destruir qualquer alvo na superfície do
planeta, estando ele em movimento ou não. O projeto começou
a ser esboçado no início do governo de George W. Bush,
quando o secretário de Defesa Donald Rumsfeld presidiu uma
comissão cuja conclusão foi a de que havia necessidade
de "colocar armas no espaço". No ano seguinte, os Estados
Unidos abandonaram o tratado internacional que bania armas baseadas
no espaço. Em entrevista ao jornal americano The New York
Times, na semana passada, um alto funcionário da Casa
Branca disse que o presidente deve, em breve, anunciar o novo programa
de defesa e ataque pelo espaço.
A Força Aérea americana estuda
três tipos de armamento espacial. O projeto mais ousado foi
apelidado de "Ataque Global". Trata-se de um avião sem piloto
que possa ser lançado de um ônibus espacial. Munido
de armas de precisão, teria capacidade para atacar com grande
rapidez qualquer ponto da superfície do planeta. Outro programa,
chamado de "Varas de Deus", prevê cilindros de titânio,
urânio ou tungstênio, com peso aproximado de 100 quilos
cada um, que seriam arremessados de uma plataforma em órbita.
Ao atingir a superfície com velocidade de 11.000 quilômetros
por hora, o cilindro teria a força destrutiva de uma pequena
bomba nuclear. A terceira arma em consideração é
o raio laser, que pode ser disparado de uma base terrestre, de um
avião ou de uma nave espacial e refletido para o alvo por
um conjunto de espelhos instalados em satélites. No mês
passado, a Força Aérea americana colocou em órbita
um microssatélite experimental que, ao menos em teoria, pode
interferir nas comunicações dos satélites de
reconhecimento ou de comunicação de outros países.
Não há uma estimativa oficial de quanto custaria o
projeto militar no espaço. Estimativas feitas por especialistas
americanos vão de 200 bilhões a 1 trilhão de
dólares.
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ARMAS EM ÓRBITA
A Força Aérea
americana está desenvolvendo armas que, colocadas
em órbita, tenham a capacidade de atacar qualquer
ponto na superfície da Terra. Aqui estão
algumas delas:
O BOMBARDEIRO ESPACIAL
Lançado de um ônibus espacial, um
veículo não tripulado mergulharia sobre
o inimigo com meia tonelada de explosivos a bordo. Teria
a precisão e a potência para destruir bunkers
e bases de lançamento de mísseis a 5 500
quilômetros de distância.
VARAS HIPERVELOZES
Apelidadas de "Varas de Deus", são cilindros
maciços de titânio, tungstênio ou
urânio, com peso em torno de 100 quilos. Lançadas
de plataformas em órbita, as varas atingiriam
o alvo a 11 000 quilômetros por hora, com resultado
devastador.
LASER
Utilizando um sistema de espelhos em satélites,
os raios laser disparados de bases na Terra,
de aviões ou de veículos espaciais
seriam refletidos para o solo. O seu efeito pode variar
de uma simples iluminação até a
destruição completa do alvo.
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