Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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Espaço
Guerra nas estrelas.
Para valer

A Força Aérea americana quer
colocar armas no espaço – para
defesa e para ataque


Diogo Schelp


Steve Cline/The New York Times
Lançamento do microssatélite XSS-11: para interferir nos outros satélites


A Força Aérea dos Estados Unidos quer reavivar uma antiga ambição: desenvolver armas que permitam fazer guerras a partir do espaço. O que os militares pretendem é mais do que simplesmente tirar da gaveta o projeto Guerra nas Estrelas, criado pelo governo do presidente Ronald Reagan, em 1984, ainda na Guerra Fria. O projeto de Reagan – que consumiu quase 100 bilhões de dólares e nunca funcionou – previa criar um escudo para identificar e destruir no ar mísseis nucleares que viessem a ser lançados pela União Soviética. O projeto atual é mais ofensivo. O objetivo do Pentágono é o de desenvolver equipamentos que, colocados em órbita, sejam capazes de destruir qualquer alvo na superfície do planeta, estando ele em movimento ou não. O projeto começou a ser esboçado no início do governo de George W. Bush, quando o secretário de Defesa Donald Rumsfeld presidiu uma comissão cuja conclusão foi a de que havia necessidade de "colocar armas no espaço". No ano seguinte, os Estados Unidos abandonaram o tratado internacional que bania armas baseadas no espaço. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, na semana passada, um alto funcionário da Casa Branca disse que o presidente deve, em breve, anunciar o novo programa de defesa e ataque pelo espaço.

A Força Aérea americana estuda três tipos de armamento espacial. O projeto mais ousado foi apelidado de "Ataque Global". Trata-se de um avião sem piloto que possa ser lançado de um ônibus espacial. Munido de armas de precisão, teria capacidade para atacar com grande rapidez qualquer ponto da superfície do planeta. Outro programa, chamado de "Varas de Deus", prevê cilindros de titânio, urânio ou tungstênio, com peso aproximado de 100 quilos cada um, que seriam arremessados de uma plataforma em órbita. Ao atingir a superfície com velocidade de 11.000 quilômetros por hora, o cilindro teria a força destrutiva de uma pequena bomba nuclear. A terceira arma em consideração é o raio laser, que pode ser disparado de uma base terrestre, de um avião ou de uma nave espacial e refletido para o alvo por um conjunto de espelhos instalados em satélites. No mês passado, a Força Aérea americana colocou em órbita um microssatélite experimental que, ao menos em teoria, pode interferir nas comunicações dos satélites de reconhecimento ou de comunicação de outros países. Não há uma estimativa oficial de quanto custaria o projeto militar no espaço. Estimativas feitas por especialistas americanos vão de 200 bilhões a 1 trilhão de dólares.

 

ARMAS EM ÓRBITA

A Força Aérea americana está desenvolvendo armas que, colocadas em órbita, tenham a capacidade de atacar qualquer ponto na superfície da Terra. Aqui estão algumas delas:

O BOMBARDEIRO ESPACIAL
Lançado de um ônibus espacial, um veículo não tripulado mergulharia sobre o inimigo com meia tonelada de explosivos a bordo. Teria a precisão e a potência para destruir bunkers e bases de lançamento de mísseis a 5 500 quilômetros de distância.

VARAS HIPERVELOZES
Apelidadas de "Varas de Deus", são cilindros maciços de titânio, tungstênio ou urânio, com peso em torno de 100 quilos. Lançadas de plataformas em órbita, as varas atingiriam o alvo a 11 000 quilômetros por hora, com resultado devastador.

LASER
Utilizando um sistema de espelhos em satélites, os raios laser – disparados de bases na Terra, de aviões ou de veículos espaciais – seriam refletidos para o solo. O seu efeito pode variar de uma simples iluminação até a destruição completa do alvo.

 
 
 
 
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