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Automóveis Efeito
aventura Montadoras brasileiras lucram com versões
menores e urbanas dos jipões  Chrystiane
Silva
Montagem
com fotos de Marco de Bari e divulgação
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modelo CrossFox, em amarelo, montado na plataforma do Polo, em cinza |
Em 1997, a Fiat brasileira decidiu pesquisar o súbito aumento da importação
de veículos utilitários esportivos. Após entrevistar 200
donos desses importados, descobriu que 92% deles nunca haviam usado a tração
nas quatro rodas metade nem mesmo sabia acionar o sistema. E mais: a maioria
utilizava os carros apenas dentro das cidades. A montadora descobriu ainda que
esses consumidores estavam mais interessados no espírito de aventura e
na aparência de segurança e robustez desses automóveis do
que no seu desempenho fora do asfalto. Com base nessas informações,
a Fiat lançou a Adventure da linha Palio Weekend, o primeiro modelo urbano
com espírito fora-de-estrada do país. O carro, uma versão
menor e menos potente dos jipões americanos, chegou ao mercado em setembro
de 1999 com quebra-matos, estribos e suspensão 4 centímetros mais
alta que a dos veículos convencionais. Para produzi-lo, a Fiat utilizou
a mesma plataforma do Palio. De lá para cá, os automóveis
fora-de-estrada caíram no gosto do brasileiro. Entre 2001 e 2004, a venda
anual de utilitários esportivos subiu 618%. Passou de 6.500 para 46.727
veículos, elevando a participação de mercado desse segmento
de 2,9% para 21,2%. Montagem
com fotos de Marco de Bari e divulgação
 | | ECOSPORT:
preferido das mulheres, o carro da Ford, o único com motor 4 por 4, já
é exportado para a Argentina e o México |
O mais popular dos jipinhos é o EcoSport, desenhado pela Ford brasileira
após quatro anos de exaustivas pesquisas. A montadora ouviu 3.000 pessoas
no Brasil, Argentina e México e descobriu que os latinos queriam um carro
com suspensão mais alta, que oferecesse sensação de liberdade,
facilidade para dirigir e funcionalidade. O veículo, lançado em
abril de 2003, é o maior sucesso recente de vendas da montadora. Produzido
na plataforma do modelo popular Fiesta, o EcoSport tem uma suspensão elevada
e um vão de 20 centímetros em relação ao solo e é
o único a ser vendido tanto na versão com tração em
quatro rodas quanto em duas. A produção mensal inicial foi de 2.500
unidades e se esgotou em menos de um mês. À época de seu lançamento,
a fila de espera para comprá-lo chegou a dois meses. Alguns detalhes fizeram
com que o carro caísse no gosto das mulheres. Os modelos sem airbag no
lado do passageiro vieram com uma minigeladeira e uma gaveta embaixo do banco.
"As mulheres representam 55% de nossos clientes", diz Luis Salem, gerente-geral
de marketing da Ford. Normalmente, os homens compram 60% dos carros desse segmento
e as mulheres, 40%. A fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, já
produziu 80.000 carros para o mercado nacional, 47.000 para ser exportados para
o México e 25.000 para a Argentina. Montagem
com fotos de Marco de Bari e divulgação
 | | PALIO
ADVENTURE: pioneiro entre os clones de jipões, saiu da plataforma do Palio
e hoje representa 50% das vendas da linha Palio Weekend |
Com o sucesso do EcoSport e da Adventure, a GM e a Volkswagen também decidiram
entrar na briga e seus modelos chegam neste mês às concessionárias.
O CrossFox, da Volks, nasceu após uma pesquisa com 120 consumidores que
chegou a conclusões idênticas às sondagens da Fiat e da Ford.
"Eles queriam um carro com espírito fora-de-estrada, que representasse
ousadia, aventura e juventude", diz Junia Nogueira de Sá, diretora de assuntos
corporativos e imprensa da Volkswagen. Com o diagnóstico em mãos,
os engenheiros da montadora levaram dezoito meses para desenvolver o modelo. No
final, decidiu-se fazer o carro na plataforma do Polo. Entre suas principais características
estão a elevação da suspensão e um vão de 18,9
centímetros em relação ao solo e dezessete porta-objetos
distribuídos no interior do veículo. A expectativa inicial é
que sejam vendidas 1.400 unidades por mês.
A GM também decidiu desbravar o mundo dos fora-de-estrada, mas com outra
estratégia. Desde a semana passada, donos de Celta podem comprar, por 2.900
reais, um conjunto de acessórios para deixar o veículo com aparência
de fora-de-estrada. Os acessórios incluem quebra-matos, estribos laterais
e rack no teto. "O consumidor que busca a aparência pode transformar seu
carro com um investimento baixo", diz Cristiane Sanches, gerente de marcas da
GM. Montagem
com fotos de Marco de Bari e divulgação
 | | CELTA
OFF-ROAD: com um conjunto de acessórios, a GM faz com que o modelo popular
Celta adquira a aura dos veículos fora-de-estrada |
Não é de hoje que os carros urbanos com estilo fora-de-estrada estão
no mercado. Os primeiros modelos surgiram nos anos 70, quando a montadora francesa
Matra lançou o Rancho, um jipinho do tipo EcoSport, que foi desenvolvido
a partir de uma plataforma hatch Simca 1100. Depois, nos anos 80, as montadoras
japonesas incorporaram itens como suspensão elevada e quebra-mato dianteiro
nos modelos convencionais, sem vocação para o fora-de-estrada, como
o pequeno hatch Daihatsu Mira. No entanto, essas tentativas foram isoladas e não
chegaram a despertar o interesse do consumidor. Na década passada, viraram
moda com o lançamento dos modelos Volvo XC70, em 1998. Depois vieram o
Audi Allroad, em 1999, e o Renault Scénic RX4, no ano 2000. Mas o maior
impulso para deslanchar a cobiça dos brasileiros foi a febre dos utilitários
esportivos americanos (sport utilities), que desbancaram os sedãs
na preferência dos motoristas e reinaram no mercado dos Estados Unidos na
década de 90. Recentemente, a alta do petróleo e preocupações
ambientais transformaram esses carrões em vilões nos EUA, o que
prejudicou as vendas e contribuiu para os sérios problemas financeiros
das matrizes da Ford e da GM. Convenientemente, os miniutilitários feitos
Brasil escapam dessa crise porque consomem menos combustível, não
usam diesel como os importados e emitem um volume menor de poluentes. Além
disso, custam muito menos em média 40.000 reais, contra mais de
200.000 de alguns modelos de utilitários esportivos importados. São
menos potentes, é verdade, mas isso não importa. Para seus consumidores,
o que vale é sentir o espírito de aventura, mesmo que sobre o asfalto.
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