Reunião é festa de família
Walquerley Barros Ribeiro/Jornal
do Tocantins
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governador do Tocantins, Marcelo Miranda: devoção à família
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Eleito pelo PFL, em 2002, o governador
Marcelo Miranda, do Tocantins, transferiu-se para o PSDB logo depois de tomar
posse e agora ruma para o PMDB. Volúvel nas convicções políticas,
o governador é uma rocha na lealdade à família. Miranda alcançou
o paroxismo na categoria nepotismo, uma das variantes do mau uso dos cargos públicos.
Desde que está no cargo, nomeou seis parentes para o primeiro escalão
do governo. Sua mulher é secretária de Políticas Governamentais.
Seu pai, secretário de Infra-Estrutura. Uma de suas tias ganhou a Secretaria
do Trabalho e um de seus tios virou seu chefe de gabinete. Outro tio foi nomeado
secretário "extraordinário" da Saúde (uma vez que já
existe um secretário ordinário para a área), e um primo tornou-se
seu secretário particular. "As reuniões do secretariado de Miranda
parecem festa de família", diz o senador Eduardo Siqueira Campos, adversário
do ex-pefelista, ex-tucano e futuro peemedebista do Tocantins. Nem mesmo os familiares
que ficaram fora do secretariado do governador podem reclamar que foram abandonados
por ele. A empresa WTE Engenharia, pertencente a um de seus primos e a um cunhado,
tem como clientes onze repartições do governo incluindo seis
secretarias, rádios e TV estatais e o Palácio Araguaia, além
da Assembléia Legislativa e do Tribunal de Justiça do estado.
Marcelo Miranda já teve problemas pelo uso indevido de verbas públicas.
Em 2002, quando presidia a Assembléia Legislativa do Tocantins, contratou
como funcionária de seu gabinete Maura Barros da Silva. De acordo com a
folha de pagamento da Assembléia, ela ganhava um salário de 1 800
reais. Interrogada pelo Ministério Público Federal, Maura disse
que nunca havia pisado na Assembléia e muito menos visto a cor do dinheiro
que, oficialmente, recebia. Na verdade, declarou, trabalhava na casa de Miranda
como babá de seus filhos, e era paga com roupas e comida. O Ministério
Público pediu autorização à Assembléia para
abrir processo, mas os deputados solidários a Miranda negaram.
O homem é mesmo uma rocha. Fábio
Portela |