Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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Brasil

 

Reunião é festa de família

Walquerley Barros Ribeiro/Jornal do Tocantins
O governador do Tocantins, Marcelo Miranda: devoção à família

Eleito pelo PFL, em 2002, o governador Marcelo Miranda, do Tocantins, transferiu-se para o PSDB logo depois de tomar posse e agora ruma para o PMDB. Volúvel nas convicções políticas, o governador é uma rocha na lealdade à família. Miranda alcançou o paroxismo na categoria nepotismo, uma das variantes do mau uso dos cargos públicos. Desde que está no cargo, nomeou seis parentes para o primeiro escalão do governo. Sua mulher é secretária de Políticas Governamentais. Seu pai, secretário de Infra-Estrutura. Uma de suas tias ganhou a Secretaria do Trabalho e um de seus tios virou seu chefe de gabinete. Outro tio foi nomeado secretário "extraordinário" da Saúde (uma vez que já existe um secretário ordinário para a área), e um primo tornou-se seu secretário particular. "As reuniões do secretariado de Miranda parecem festa de família", diz o senador Eduardo Siqueira Campos, adversário do ex-pefelista, ex-tucano e futuro peemedebista do Tocantins. Nem mesmo os familiares que ficaram fora do secretariado do governador podem reclamar que foram abandonados por ele. A empresa WTE Engenharia, pertencente a um de seus primos e a um cunhado, tem como clientes onze repartições do governo – incluindo seis secretarias, rádios e TV estatais e o Palácio Araguaia, além da Assembléia Legislativa e do Tribunal de Justiça do estado.

Marcelo Miranda já teve problemas pelo uso indevido de verbas públicas. Em 2002, quando presidia a Assembléia Legislativa do Tocantins, contratou como funcionária de seu gabinete Maura Barros da Silva. De acordo com a folha de pagamento da Assembléia, ela ganhava um salário de 1 800 reais. Interrogada pelo Ministério Público Federal, Maura disse que nunca havia pisado na Assembléia e muito menos visto a cor do dinheiro que, oficialmente, recebia. Na verdade, declarou, trabalhava na casa de Miranda como babá de seus filhos, e era paga com roupas e comida. O Ministério Público pediu autorização à Assembléia para abrir processo, mas os deputados – solidários a Miranda – negaram. O homem é mesmo uma rocha.


Fábio Portela

 

Os (poucos) punidos

 
Epitacio Pessoa/AE
João Carlos da Rocha Mattos
Condenado a três anos de prisão por comandar um esquema de venda de sentenças – o juiz aguarda julgamento de habeas-corpus que pode resultar na sua soltura
Marco Antonio Rezende
Jorgina de Freitas
A ex-advogada foi presa em 1997 e condenada a prisão até 2020 por fraude contra o INSS. Entre 1988 e 1991, ela e mais dezessete pessoas desviaram 500 milhões de reais da Previdência
Ed Ferreira/AE
Nicolau dos Santos Neto
O ex-juiz cumpre prisão domiciliar pelos crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Da quadrilha acusada de desviar 169 milhões de reais dos cofres públicos, é o único que está preso
Vidal Cavalcanti/AE
Vicente Viscome
O ex-vereador integrava uma quadrilha de políticos acusados de comandar um esquema de corrupção nas administrações regionais de São Paulo. Condenado a doze anos de prisão, está em liberdade condicional

 

Por um buracao de agulha

O flagrante de corrupção nos Correios só foi possível graças ao uso de uma microcâmera. Esse recurso foi incorporado pelas equipes de reportagem há cerca de dez anos, e de lá para cá contribuiu para que várias denúncias viessem à tona, da Máfia dos Fiscais, na prefeitura paulistana, ao caso Waldomiro Diniz. Desde que se popularizaram, as microcâmeras evoluíram muito. Com a tecnologia digital, hoje há modelos sem fio de apenas 2 centímetros, capazes de transmitir imagens de ótima definição para um gravador à distância de até 200 metros. O áudio pode ser captado pelas próprias câmeras ou por um equipamento à parte. Os diálogos comprometedores de Maurício Marinho foram provavelmente registrados por uma microcâmera escondida dentro de uma valise ou de uma bolsa de mão. A seguir, os principais equipamentos do gênero – e seus disfarces.

 
Fotos Lailson Santos
BOLSA PRETA
Substituiu a pasta 007, hoje muito manjada, na preferência dos usuários. Esconde a câmera com maisor facilidade e filma por um buraco imperceptível (detalhe)
ESTE É O TAMANHO REAL DO BURACO DA CÂMERA

 
AS MICROCÂMERAS
O modelo mais utilizado é o "pinhole", capaz de filmar por um orifício com 1 milímetro de diâmetro. Custa 900 reais na versão colorida e 150 reais na preto-e-branco

Esta câmera com apenas 2 centímetros é a menor disponível no mercado. Por ser sem fio, permite uma mobilidade maior

 

CELULAR
Trata-se de um telefone apenas por fora. Dentro, há uma câmera que envia as imagens por radiotransmissão

ÓCULOS
As imagens são captadas em fibra óptica e transportadas para uma câmera escondida sob a roupa

 

Fonte: Youssef Ben Riman/YBR Segurança

 
 
 
 
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