Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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Corrupção
Diga-me com quem anda...

...que direi quem você é, a menos que faça
de público a diferença. Em vez disso, Lula se
solidariza com o PTB e Roberto Jefferson e,
assustado e atônito, mobiliza o governo para
impedir a criação da CPI dos Correios


André Petry


Ed Ferreira/AE
UMA COMPANHIA INCÔMODA
Jefferson e Lula: com reforma administrativa e reforma política efetivas, talvez nunca estivessem lado a lado

NESTA EDIÇÃO
Mesada de 400 000 reais para o PTB
A maior crise de Lula
Temporada de caça aos ratos

DOS ARQUIVOS DE VEJA
Reportagens sobre corrupção

A reportagem de VEJA mostrando que o PTB do deputado Roberto Jefferson organizou uma rede de corrupção nos Correios deixou o Palácio do Planalto atônito – e por mais de um motivo. O primeiro temor do governo, diplomaticamente dissimulado em público, é que apareçam novos tentáculos de roubalheira no aparato estatal, além do PTB e dos Correios. Um caso já apareceu. É a pressão feita pelo PTB para extorquir uma mesada de 400.000 reais em outra estatal, o Instituto de Resseguros do Brasil (veja reportagem). Outro receio do governo é que esses tentáculos possam enlaçar também estrelas do próprio PT, principalmente aquelas mais ligadas à área financeira do partido. Movido por esse temor, que em alguns momentos da semana passada beirou o pânico, o Palácio do Planalto deslanchou sua maior mobilização no Congresso desde a posse com a finalidade de barrar a CPI dos Correios (veja reportagem). É uma pena. A investigação parlamentar, se sair, dará uma dupla contribuição ao país e ao Planalto: poderá revelar a extensão das falcatruas na máquina pública e ajudar a expulsar as más companhias do governo.

A CPI dos Correios, porém, é apenas um dos instrumentos necessários para enfrentar o assunto. Na base da crise atual está a ausência de duas reformas. Uma é a reforma administrativa, que reduziria o escandaloso número de 20.000 cargos de confiança na máquina federal, o que sempre atiça o apetite daqueles que entram na política com motivações inconfessáveis. Quanto menos cargos houver no balcão da barganha, mais reduzido será o espaço para a pilantragem. A outra é a reforma política, orientada para dar um mínimo de organização e racionalidade ao sistema atual, fortalecendo os partidos e a fidelidade partidária. Com partidos sólidos e políticos compromissados com suas legendas, a tendência é que haja menos fisiologismo, menos chantagem política e, portanto, menos corrupção. O governo Lula, como os anteriores, tem sua parcela de culpa pela situação atual. Tivesse se dedicado a fazer as duas reformas, Lula não estaria hoje ao lado da constrangedora figura de Roberto Jefferson. Nem precisaria dar a constrangedora declaração da semana passada. "Nós temos de ser parceiros, e parceiro é solidário com seu parceiro", disse Lula, ao prestar solidariedade a Roberto Jefferson. Ora, parceiros de quê, presidente?

 
 
 
 
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