Edição 1906 . 25 de maio de 2005

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Carta ao leitor
Um câncer da alma do país

 
Reportagens de VEJA que desvendam a corrupção: a imprensa faz sua parte

A propósito da necessidade de arejar as discussões sobre o câncer de modo a tornar o ataque à doença mais eficaz e menos doloroso para os pacientes, VEJA escreveu neste mesmo espaço na semana passada: "O primeiro passo para a resolução de qualquer problema é uma discussão aberta e franca sobre ele". A frase vale também para a corrupção, assunto principal desta edição da revista. Por sua presença endêmica nos três níveis de governo, sua resistência histórica e seu poder destrutivo, a corrupção tornou-se uma espécie de câncer da alma do Brasil.

VEJA, em particular, e alguns poucos órgãos da imprensa brasileira podem se orgulhar de dar sempre o pontapé inicial na luta contra corruptos e corruptores. Nas páginas de VEJA, desde seu primeiro número, em 1968, essa praga nacional tem sido atacada, suas artimanhas desmascaradas e seus autores devidamente identificados. Infelizmente, a execração pública pela imprensa tem sido, em muitos casos, a única real punição dos corruptos. É pouco. As instituições oficiais, constitucionalmente responsáveis por coibir a corrupção no Brasil, como as polícias, o Ministério Público e a Justiça, têm falhado ou, para colocar a questão em termos mais brandos, demonstrado uma eficácia muito aquém do necessário.

A reportagem de VEJA revela algumas providências práticas de aplicação imediata que, se implantadas, podem coibir a corrupção, contendo-a em níveis menos destrutivos para o país. Obrigar os governantes de todas as esferas a contratar serviços e fazer compras de materiais exclusivamente por leilões abertos na internet é uma dessas providências. Isso aumenta a transparência e diminui o número de intermediários, dificultando os desvios. Outra recomendação é reduzir drasticamente o número de cargos executivos preenchidos por indicação política. São medidas que podem ser tomadas com uma penada. Outras, de implantação mais demorada e complexa, já funcionaram em países antes devastados pela imoralidade pública, como mostram estudos do Banco Mundial e da organização Transparência Internacional reproduzidos na reportagem. É vital que as instituições atuem com mais vigor, caso contrário o combate aos corruptos ficará sempre restrito apenas ao "primeiro passo" dado nas páginas das revistas e dos jornais e na tela dos televisores.

 
 
 
 
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