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Carta ao leitor Um
câncer da alma do país  |  |  |  | | Reportagens
de VEJA que desvendam a corrupção: a imprensa faz sua parte |
A
propósito da necessidade de arejar as discussões sobre o câncer
de modo a tornar o ataque à doença mais eficaz e menos doloroso
para os pacientes, VEJA escreveu neste mesmo espaço na semana passada:
"O primeiro passo para a resolução de qualquer problema é
uma discussão aberta e franca sobre ele". A frase vale também para
a corrupção, assunto principal desta edição da revista.
Por sua presença endêmica nos três níveis de governo,
sua resistência histórica e seu poder destrutivo, a corrupção
tornou-se uma espécie de câncer da alma do Brasil.
VEJA, em particular, e alguns poucos órgãos da imprensa brasileira
podem se orgulhar de dar sempre o pontapé inicial na luta contra corruptos
e corruptores. Nas páginas de VEJA, desde seu primeiro número, em
1968, essa praga nacional tem sido atacada, suas artimanhas desmascaradas e seus
autores devidamente identificados. Infelizmente, a execração pública
pela imprensa tem sido, em muitos casos, a única real punição
dos corruptos. É pouco. As instituições oficiais, constitucionalmente
responsáveis por coibir a corrupção no Brasil, como as polícias,
o Ministério Público e a Justiça, têm falhado ou, para
colocar a questão em termos mais brandos, demonstrado uma eficácia
muito aquém do necessário. A reportagem
de VEJA revela algumas providências práticas de aplicação
imediata que, se implantadas, podem coibir a corrupção, contendo-a
em níveis menos destrutivos para o país. Obrigar os governantes
de todas as esferas a contratar serviços e fazer compras de materiais exclusivamente
por leilões abertos na internet é uma dessas providências.
Isso aumenta a transparência e diminui o número de intermediários,
dificultando os desvios. Outra recomendação é reduzir drasticamente
o número de cargos executivos preenchidos por indicação política.
São medidas que podem ser tomadas com uma penada. Outras, de implantação
mais demorada e complexa, já funcionaram em países antes devastados
pela imoralidade pública, como mostram estudos do Banco Mundial e da organização
Transparência Internacional reproduzidos na reportagem. É vital que
as instituições atuem com mais vigor, caso contrário o combate
aos corruptos ficará sempre restrito apenas ao "primeiro passo" dado nas
páginas das revistas e dos jornais e na tela dos televisores. |