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Edição 2005

25 de abril de 2007
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CINEMA

O Inferno (L'Enfer, França/Itália/Bélgica, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Morto em 1996, o cineasta polonês Krzysztof Kieslowski deixou uma trilogia de roteiros com sua marca registrada: à medida que a história se desenrola, percebe-se que todos os personagens estão vivendo ou viveram um drama da mesma natureza – a tragédia humana, afinal, é repetir seus erros. O primeiro roteiro, Paraíso, foi filmado em 2002 pelo alemão Tom Tykwer e resultou muito mal. O Inferno tem a direção do bósnio Danis Tanovic, de Terra de Ninguém, e é tão bom quanto os melhores filmes do próprio Kieslowski. Numa paráfrase da Medéia de Eurípides, três irmãs, interpretadas por Emmanuelle Béart, Karin Viard e Marie Gillain, enfrentam infelicidades que têm suas raízes (e seu espelho) na traição de seu pai à sua mãe, décadas antes. Veja cenas.

 

LIVROS

 
AFP
Pamuk: numa Istambul dividida  

Istambul, de Ohran Pamuk (tradução de Sergio Flaksman; Companhia das Letras; 408 páginas; 48 reais) – Neve, o romance do turco Ohran Pamuk que mais sucesso encontrou no Brasil, tem lugar na pequena Kars, no interior da Turquia. O cenário principal da ficção de Pamuk, porém, é Istambul, a antiga capital do Império Otomano, onde o autor nasceu em 1952. Ilustrado com muitas fotos de época, Istambul é um ensaio autobiográfico sobre essa cidade dividida entre a memória da suntuosidade e a ânsia de imitar os padrões europeus que grassou, ao longo do século XX, na Turquia secular do líder Ataturk. Com um toque melancólico, Pamuk revisita sua infância e juventude – a época em que o Nobel de Literatura de 2006 ainda pensava em se tornar pintor. Leia trecho.

Homens em Armas, de Evelyn Waugh (tradução de Antonio Sepulveda; Nova Fronteira; 304 páginas; 39,90 reais) – O inglês Evelyn Waugh (1903-1966) serviu como oficial na II Guerra Mundial, combatendo na Iugoslávia. Primeiro romance da trilogia A Espada da Honra, este Homens em Armas recupera as experiências pessoais do autor na guerra – temperadas pela verve satírica que tornou o estilo de Waugh único. Guy Crouchback, um inglês de meia-idade que passou anos vivendo na Itália, retorna a seu país natal na esperança de participar do esforço de guerra, mas, a princípio, não consegue que o aceitem no Exército. Depois de muitos incidentes, consegue se alistar em um grupo de comandos que se formava na Escócia – cujo coronel roubara a mulher de Crouchback sete anos antes.

 

Divulgação
Maysa: a "rainha da fossa" em biografia  

Maysa: Só numa Multidão de Amores, de Lira Neto (Globo; 432 páginas; 32 reais) – Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (1936-1977) foi uma das maiores intérpretes da MPB. Uma de suas especialidades era o repertório de canções sobre romances mal resolvidos e separações – o que lhe valeu o apelido de "rainha da fossa". Nessa biografia, o jornalista Lira Neto mostra que muitas das histórias tristes cantadas por Maysa eram baseadas em suas próprias experiências. Tal qual uma Billie Holiday, ela sabia transportar a tristeza da vida real para o palco. Canções como Ouça e Meu Mundo Caiu são um belo exemplo disso. Só numa Multidão de Amores passa longe do estilo chapa-branca das biografias autorizadas: descreve ainda os problemas de Maysa com a bebida – relatados no diário da cantora – e reafirma sua importância no cenário da música brasileira. Leia trecho.

 

DISCO

 

Divulgação
Arctic Monkeys: no caminho certo  

Favourite Worst Nightmare, Arctic Monkeys (EMI) – O primeiro disco desse grupo foi o álbum de estréia de venda mais rápida na história da parada inglesa. Graças a uma base de fãs leais criada na internet – e à qualidade de suas canções –, em poucos dias eles venderam 118.501 cópias. Meses depois, o Arctic Monkeys sucumbiria a uma crise interna, que culminou com a partida do baixista Andy Nicholson. Favourite Worst Nightmare, porém, volta a pôr a casa em ordem. Os trunfos do quarteto inglês residem nas guitarras distorcidas, porém melodiosas, na bateria bem marcada de Matt Helders e em canções que retratam o cotidiano de sua geração. Brianstorm e This House Is a Circus, duas das melhores faixas do CD, mostram que eles estão no caminho certo.

 

DVD
Giulio Napolitano/AFP
Morricone: sem essa de "arte menor"

Morricone por Morricone (Versátil) – Gravada em 2004, essa apresentação do compositor e maestro italiano Ennio Morricone quebra um tabu. Em geral, os artistas eruditos torcem o nariz para os temas de cinema – que consideram uma "arte menor". É certo que alguns compositores de trilhas são medíocres, mas as criações de Morricone têm qualidades que as alçam além da categoria. É o caso da música para Três Homens em Conflito, em que cada personagem foi representado por um instrumento específico. Esse e outros temas, como os de Era uma Vez na América e Cinema Paradiso, estão presentes nesse DVD, executados por Morricone e pela prestigiada Filarmônica de Munique.

 

 

COLEÇÃO

Divulgação

A Glória: a beleza de rememorar


Ambos lançados nos cinemas em 1990, A Glória de Meu Pai e O Castelo de Minha Mãe, que saem agora em DVD, são daquele tipo de filme em que não há propriamente uma trama – há, sim, pequenas coisas que vão acontecendo e dando forma à infância de Marcel, um garoto que, na primeira década do século XX, mora em Marselha com o pai, professor primário, e a mãe, dona-de-casa exemplar. Marcel aprende a ler; Marcel ganha um irmão (nascido de um repolho, acredita ele) e depois uma irmã; a tia solteira de Marcel se casa com o bonachão Jules; e, quando Marcel tem lá seus 10 anos, a família aluga uma casa no campo da Provença, para onde vão (a pé) em todas as oportunidades possíveis. Marcel, então, se apaixona pelas colinas, pelo sol, pelos pássaros e pela idéia da Provença, onde para ele sempre parece ser verão. Quando o espectador dá por si, já está tão apaixonado quanto Marcel pelo sul da França – e pelos dois filmes (que compõem uma única história). Dirigidos por Yves Robert (1920-2002), de A Guerra dos Botões, com base na autobiografia do romancista e cineasta Marcel Pagnol, A Glória e O Castelo têm o ritmo exato das reminiscências: o que a princípio parece ser um rememorar inócuo se revela, afinal, a busca por aquele tempo que, embora perdido, continua a fazer das pessoas o que elas são.

Fontes: São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Campinas: Fnac; Rio: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Saraiva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Natal: Laselva; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Fnac, Livrarias Curitiba, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; internet: Cultura, Laselva, Nobel, Saraiva, Submarino.
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