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Edição 2005

25 de abril de 2007
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Música
Axé music S/A

Nos carnavais fora de época, o gênero escapa
da crise e ainda cria estrelas como Cláudia Leitte


Sérgio Martins

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Agonizou, mas não morreu

Recentemente, a axé music pareceu prestes a exalar o seu último suspiro. As causas do coma eram a queda nas vendas de discos – que no caso de alguns grupos chegou a 70% –, o desinteresse do público e a deserção de artistas importantes para outros gêneros. Mas o axé recobrou o fôlego. Não tanto no mercado de CDs, que anda ruim para todo mundo, mas sobretudo no ramo do entretenimento. Música de festa por excelência, o axé ecoa em mais de 400 micaretas, ou carnavais fora de época, que têm lugar garantido no calendário de cidades brasileiras de todas as regiões. É um negócio graúdo, com lucros tão generosos que as bandas mais importantes hoje exigem um porcentual da bilheteria, em vez de cobrar cachê fixo. Nesse circuito, misturam-se veteranos como Chiclete com Banana e Ivete Sangalo – uma cantora que tem orgulho de se apresentar como artista de axé, embora pudesse ter se desvencilhado do rótulo há muito tempo. E há estrelas em ascensão, como o Babado Novo. Liderado pela vocalista Cláudia Leitte, moça de voz grave e talento para o rebolado – os críticos, de maneira um tanto ambígua, a descrevem como "uma Ivete que sabe dançar" –, o grupo vendeu 360 000 cópias de seus cinco discos e faz uma média de doze shows por mês. Há três semanas, eles tocaram na finalíssima do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo. Alemão, vencedor da competição, é fã de canções como Safado, Cachorro Sem Vergonha, que deve achar que foi feita para ele.

O Babado Novo é o melhor exemplo de como o axé se profissionalizou e aprendeu a usar muito, muito marketing. Seis anos atrás, os empresários Cal Adan (que já foi dono do É o Tchan!) e Manoel Castro (ex-Cheiro de Amor) decidiram criar uma banda nos moldes do Chiclete com Banana, mas com uma mulher nos vocais. Cláudia Leitte cantava desde a infância, participou do grupo de Daniela Mercury e tinha experiência na noite de Salvador. Antes do Babado, era vocalista de um grupo de pagode chamado Nata do Samba. A estratégia adotada por Adan e Castro foi levar o Babado Novo para outras praças antes de lançar o grupo em Salvador. Eles fizeram cerca de quarenta apresentações numa pequena cidade do Maranhão até sentir que estavam no ponto para tocar na Bahia. "Enfiamos o pessoal por dois meses num motel maranhense, enquanto eles se aprimoravam", conta Castro. Desde sempre o alvo foram as micaretas. "É um show que todo mundo quer, e há lugar até mesmo para artistas que não fazem sucesso no rádio nem aparecem na TV", diz Alexandre Lins, produtor de Ivete Sangalo. Bem azeitado, o Babado Novo foi em frente. Hoje abocanha 50% das vendas de ingressos para suas apresentações. Não pisam no palco por menos de 500.000 reais.

Cláudia Leitte é competente e bem fornida. Tem 1,68 metro de altura, 57 quilos e pernas fortes que na adolescência lhe renderam o péssimo apelido de "zagueiro do Bahia", mas que hoje fazem seus admiradores sonhar com um carrinho. A única "imperfeição" foi resolvida na mesa de cirurgia. Cláudia achava seu busto pequeno e colocou uma prótese de silicone de 175 mililitros nos seios. Embora cante letras que sugerem grande escassez de ligações neurais, ela não tem nada de tola. É praxe que os blocos e bandas da Bahia sejam geridos por empresários e que os cantores atuem apenas como contratados. Os artistas ganham cachê enquanto os patrões ficam com o lucro. Esse arranjo pode causar separações traumáticas. Astros do axé como Carla Visi e Márcia Freire, ambas do Cheiro de Amor, não repetiram sozinhas o sucesso que tinham na banda por falta de tino comercial. Cláudia é sócia do Babado Novo e recebe um porcentual de 30% sobre os lucros. Especula-se que poderia partir em carreira-solo, mas a cantora se diz satisfeita. Se sair mesmo da banda, ela pode trabalhar como consultora financeira: em certos meses, seus ganhos têm batido nos 500.000 reais.

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