Recentemente,
a axé music pareceu prestes a exalar o seu último suspiro. As causas
do coma eram a queda nas vendas de discos que no caso de alguns grupos
chegou a 70% , o desinteresse do público e a deserção
de artistas importantes para outros gêneros. Mas o axé recobrou o
fôlego. Não tanto no mercado de CDs, que anda ruim para todo mundo,
mas sobretudo no ramo do entretenimento. Música de festa por excelência,
o axé ecoa em mais de 400 micaretas, ou carnavais fora de época,
que têm lugar garantido no calendário de cidades brasileiras de todas
as regiões. É um negócio graúdo, com lucros tão
generosos que as bandas mais importantes hoje exigem um porcentual da bilheteria,
em vez de cobrar cachê fixo. Nesse circuito, misturam-se veteranos como
Chiclete com Banana e Ivete Sangalo uma cantora que tem orgulho de se apresentar
como artista de axé, embora pudesse ter se desvencilhado do rótulo
há muito tempo. E há estrelas em ascensão, como o Babado
Novo. Liderado pela vocalista Cláudia Leitte, moça de voz grave
e talento para o rebolado os críticos, de maneira um tanto ambígua,
a descrevem como "uma Ivete que sabe dançar" , o grupo vendeu 360
000 cópias de seus cinco discos e faz uma média de doze shows por
mês. Há três semanas, eles tocaram na finalíssima do
programa Big Brother Brasil, da Rede Globo. Alemão, vencedor da
competição, é fã de canções como Safado,
Cachorro Sem Vergonha, que deve achar que foi feita para ele.
O Babado Novo é o melhor exemplo de como o axé se profissionalizou
e aprendeu a usar muito, muito marketing. Seis anos atrás, os empresários
Cal Adan (que já foi dono do É o Tchan!) e Manoel Castro (ex-Cheiro
de Amor) decidiram criar uma banda nos moldes do Chiclete com Banana, mas com
uma mulher nos vocais. Cláudia Leitte cantava desde a infância, participou
do grupo de Daniela Mercury e tinha experiência na noite de Salvador. Antes
do Babado, era vocalista de um grupo de pagode chamado Nata do Samba. A estratégia
adotada por Adan e Castro foi levar o Babado Novo para outras praças antes
de lançar o grupo em Salvador. Eles fizeram cerca de quarenta apresentações
numa pequena cidade do Maranhão até sentir que estavam no ponto
para tocar na Bahia. "Enfiamos o pessoal por dois meses num motel maranhense,
enquanto eles se aprimoravam", conta Castro. Desde sempre o alvo foram as micaretas.
"É um show que todo mundo quer, e há lugar até mesmo para
artistas que não fazem sucesso no rádio nem aparecem na TV", diz
Alexandre Lins, produtor de Ivete Sangalo. Bem azeitado, o Babado Novo foi em
frente. Hoje abocanha 50% das vendas de ingressos para suas apresentações.
Não pisam no palco por menos de 500.000 reais.
Cláudia Leitte é competente e bem fornida. Tem 1,68 metro de altura,
57 quilos e pernas fortes que na adolescência lhe renderam o péssimo
apelido de "zagueiro do Bahia", mas que hoje fazem seus admiradores sonhar com
um carrinho. A única "imperfeição" foi resolvida na mesa
de cirurgia. Cláudia achava seu busto pequeno e colocou uma prótese
de silicone de 175 mililitros nos seios. Embora cante letras que sugerem grande
escassez de ligações neurais, ela não tem nada de tola. É
praxe que os blocos e bandas da Bahia sejam geridos por empresários e que
os cantores atuem apenas como contratados. Os artistas ganham cachê enquanto
os patrões ficam com o lucro. Esse arranjo pode causar separações
traumáticas. Astros do axé como Carla Visi e Márcia Freire,
ambas do Cheiro de Amor, não repetiram sozinhas o sucesso que tinham na
banda por falta de tino comercial. Cláudia é sócia do Babado
Novo e recebe um porcentual de 30% sobre os lucros. Especula-se que poderia partir
em carreira-solo, mas a cantora se diz satisfeita. Se sair mesmo da banda, ela
pode trabalhar como consultora financeira: em certos meses, seus ganhos têm
batido nos 500.000 reais.