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Edição 2005

25 de abril de 2007
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Especial
Hora da faxina

Na Itália e nos Estados Unidos, dois exemplos
de combate à corrupção no poder público

Paul J.Richards/AFP

Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York: a demissão dos maus policiais foi o ponto de partida para o combate ao crime
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Nos últimos quinze anos, o mundo assistiu a duas ações espetaculares para extirpar a corrupção do poder público. A primeira delas foi a Operação Mãos Limpas, deflagrada na cidade italiana de Milão, a bela e industrializada capital da Lombardia. Em 1992, um episódio aparentemente banal – a denúncia de um empresário de que um asilo do governo lhe cobrava propina pelos serviços que prestava – foi o estopim da faxina que em um ano colocou na cadeia 300 figuras graúdas, entre deputados, senadores e funcionários públicos de altos escalões. Além disso, nove ministros renunciaram ao cargo. "Vivemos o nosso 14 de julho de 1789", comemorou na época o escritor italiano Umberto Eco. Na Operação Mãos Limpas, comprovou-se aquilo que os italianos desconfiavam: praticamente todas as concessões para obras públicas envolviam propinas fornecidas por empresários para financiar os partidos políticos. Durante a operação, a população lavou a alma. A Itália já havia visto escândalos maiores, envolvendo mais dinheiro e gente mais importante, como a quebra do Banco Ambrosiano, nos anos 80. Mas as investigações nunca davam em nada, obstruídas à sorrelfa pelos políticos.

A segunda grande campanha para varrer a corrupção em tempos recentes foi feita em Nova York. Em 1994, o então prefeito da cidade, Rudolph Giuliani, decidiu jogar duro contra o crime adotando a política batizada de tolerância zero. A estratégia de Giuliani tinhas duas diretrizes básicas – não tolerar nenhum delito, por menor que fosse, e manter todos os criminosos presos. Mas havia uma pedra em seu caminho: os índices altos – para os padrões americanos – de corrupção na polícia de Nova York. Para tornar viável sua tolerância zero, primeiro Giuliani determinou ao chefe de polícia, William Bratton, que limpasse seus quadros de membros corruptos. Em 1995, 1.222 policiais passaram por uma espécie de teste de integridade. Primeiro, investigavam-se a fundo suspeitas relacionadas a eles. Depois, acompanhavam-se os policiais em ação para ver como agiam ao encontrar grandes somas em dinheiro ou drogas nas mãos de criminosos. Naquele ano, onze policiais foram demitidos. Em 1996, nova operação malha fina com 1.320 policiais resultou no afastamento de 24 deles. Deflagrada a política de tolerância zero, a criminalidade despencou. Nova York, que ocupava o primeiro lugar entre as 150 cidades mais violentas dos Estados Unidos, pulou para o último lugar em 1996. Para isso, o primeiro passo foi combater a corrupção entranhada no poder público.

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