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Edição 2005

25 de abril de 2007
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Especial
Justo para crescer

Ao combater com rigor a corrupção no Judiciário,
o Brasil estará dando um passo rumo ao crescimento


Ronaldo França

Nano Cartagena/AP
Refinaria da Petrobras na Bolívia: subsidiária na Holanda para garantir o investimento


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Ao provar que previsibilidade, estabilidade e respeito a contratos e regras são essenciais para a redução dos custos das transações, o economista inglês Ronald Harry Coase ganhou o Prêmio Nobel, em 1991. Ele demonstrou que países com sistemas judiciais deficientes acabam com a capacidade competitiva das empresas. Chamada a atuar na resolução de conflitos, cabe à Justiça a tarefa de estabelecer o clima de confiança necessário para atrair investimentos. O Brasil, diante do crescimento pífio que vem apresentando e da notória superioridade de seus competidores globais, tem como desafio livrar-se do peso de um Judiciário desacreditado. Sua ineficiência e sua corrupção acabam por inibir o desenvolvimento econômico do país. As lições de Coase devem servir como uma bússola. A limpeza do Judiciário é o norte geográfico em que o país deve mirar.

O nível de infiltração que a máfia do jogo alcançou nos gabinetes da Justiça, país afora, tem como efeito direto a imprevisibilidade das decisões. Quando o que decide uma sentença é a propina, as leis têm sua credibilidade ferida de morte e a incerteza torna mais difícil a vida dos investidores. É o caso dos investimentos que a Petrobras tem na complicada Bolívia. Quando decidiu fazê-los, em 1995, tratou de se defender dos riscos. Investiu cada centavo a partir de sua subsidiária na Holanda. Desde 1994, Bolívia e Holanda têm um tratado bilateral de investimento que oferece garantias extras aos investidores. Isso antes de surgir o desvairado Evo Morales, que retomou, na marra, as refinarias brasileiras. Agora, o caso deverá correr na Justiça de Nova York, onde as garantias da empresa aumentam porque têm lastro não somente em leis locais, mas em um acordo firmado entre duas nações.

Para o economista americano Douglass North, os países são mais bem-sucedidos quando têm regras claras na economia, Justiça eficiente e instituições políticas sólidas. Nesse ponto é preciso observar a enorme contribuição que a desorganização do Judiciário brasileiro oferece aos que querem manobrar as leis. Cria-se incerteza e abre-se o terreno em que brota a corrupção. Entre os poderes, o Judiciário é o encarregado de solucionar conflitos. Portanto, de manter a paz. E é disso que os empresários precisam para fazer o país crescer. Isso e menos impostos. Mais nada.

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