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Edição 2005

25 de abril de 2007
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Internacional
Beco sem saída

Atentados expõem a falência do estado
iraquiano e a impotência americana


Denise Dweck

Ali Al Saadi/AFP
Ataque a bomba em Bagdá: duas centenas de mortos em quatro ataques contra xiitas

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Sempre que surge uma luz no fim do túnel, novas matanças sepultam qualquer esperança de estabilidade no Iraque. Na quarta-feira passada, quatro carros-bomba mataram cerca de 200 pessoas em Bagdá. Em um dos atentados, num mercado de Sadriya, bairro de população xiita e curda, morreram 140 pessoas, no pior ataque com uma única bomba desde a invasão americana, em 2003. A série de atentados violentos colocou em xeque o plano de segurança dos Estados Unidos para a capital iraquiana. Desde fevereiro, reforços americanos tentam limpar os bairros de milícias e insurgentes. Para os americanos, o plano já apresenta resultados positivos em reduzir o número de sunitas assassinados. O saldo parecia tão bom que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki anunciou que os iraquianos iriam assumir as operações de segurança do país até o fim do ano. Ironicamente, o anúncio foi feito horas antes das grandes explosões de quarta-feira.

A escalada de ataques da semana passada não revela apenas uma falha na estratégia americana. Expõe um problema maior: a falência do estado iraquiano. "A invasão americana desmantelou as instituições do país, como o Exército, que era o único com autoridade de alcance nacional, e o partido Baath, que tinha a memória administrativa", diz o americano Mark Danner, autor do livro O Caminho Secreto para a Guerra, sobre o conflito no Iraque. Com eleições e acordos entre facções rivais, os americanos tentaram dar um governo legítimo ao país. Não funcionou. Grupos étnicos, religiosos, tribais e políticos aproveitaram o colapso estatal para uma sangrenta disputa de poder.

Kent Porter/AP
Enterro de soldado americano: sem um plano de retirada

Para que o Iraque volte a ter estabilidade, a solução, diz Toby Dodge, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, é o estado iraquiano recuperar sua autoridade. Fácil de dizer, difícil de fazer. As milícias xiitas e seus inimigos, os insurgentes sunitas e os terroristas da Al Qaeda, ignoram a tênue autoridade do governo iraquiano, que depende dos americanos para existir. Washington parece não ter idéia de como resolver o impasse. "Um primeiro passo seria ter forças policiais mais competentes e em número razoável", sugere Richard Stoll, da Universidade Rice, no Texas. Para Stoll, os soldados iraquianos precisam entender que sua missão é defender todos os iraquianos, e não se misturar às milícias. "Só com a eliminação das milícias ou o seu desgaste é que se vai conseguir fazer acordos para iniciar o processo de reconstrução do Iraque", diz John Mueller, professor de ciência política da Universidade de Ohio. A idéia de dividir o país em áreas autônomas para cada uma das três principais etnias (xiitas, sunitas e curdos) voltou à mesa de debate, mas há um enorme entrave: o petróleo. As reservas estão concentradas nas áreas de predominância xiita e curda. Seria necessário dividir a receita petrolífera de forma igualitária. Isso só seria conseguido com um longo processo de reconciliação, o que depende de confiança e segurança. Duas palavras que ainda não se ouvem no Iraque.

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