Acabemos
com o símbolo, já que a defesa do meio ambiente não permite
acabar com o real.
Uma
vez por ano, vez que se prolonga durante meses em aflições por parte
do cidadão, provocadas por ameaças masoquistas da parte dos sempiternos
burocratas no poder (Gogol é imortal!), lá vem, caminhando e rugindo
na selva selvaggia da informática arrecadadora, o Leão predatório
da Receita Federal. Cometendo, entra ano sai ano, os erros mais crassos (inimputáveis)
em seus rugidos, o Leão não permite o menor desvio ou erro, considerados
crimes hediondos, inafiançáveis e imprescritíveis, quando
cometidos pelo cidadão. Somos os eternos carneiros da eterna fábula:
"Não interessa se você bebeu da água abaixo da corrente. O
fato é que deletou minha água, interrompeu o fluxo hidráulico
do nosso banco de dados. E, se não foi você, foi seu pai, seu filho,
seu neto nesse nepotismo irrefreável dos nerds. Vai pagar multa,
ter seus bens penhorados, vai ser chicoteado, condenado à prisão
perpétua e, quando esta acabar, executado".
Aí
o fiduciário monstro abre a goela gigantesca, e todos nós, apavorados,
começamos a fazer declarações que nos incriminam (coisa proibida
pela lei penal), revelando até o último centavo a nossa renda, pra
que sobre ela caia o imposto (in)devido.
Bem, vamos deixar de lado o imposto de renda propriamente dito (o mais injusto
dos impostos, um bonde errado social em que o mundo inteiro embarcou achando que
os ricos iam mesmo pagar igual) pra falar só no Leão, seu detestável
e caricato símbolo brasileiro.
Se estamos numa democracia mesmo feita com farinha de mandioca misturada
com urina esse símbolo deve ser imediatamente eliminado da logotipia
oficial. Ele ruge odiosamente, como se fôssemos todos criminosos (o país
ainda tem duas ou três pessoas que não o são), numa publicidade
sempre grosseira, e humilhante pro contribuinte (leia-se extorquido). Fim com
ele, Leon-liberalismo!
O leão
é o símbolo maior da heráldica, e, como já lembramos,
o mais prepotente, odioso, animal das fábulas.
E, se deixarmos os leões simbólicos e os selvagens e ficarmos apenas
com os históricos, como os dos circos romanos, aí a coisa piora.
Esses leões só entravam na arena pra perseguir, mutilar e devorar
os pobres, os famintos, os cristãos. Nunca se viu um leão comendo
um Jader Barbalho. Ou um Paulo Maluf, pelo menos.