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Edição 2005

25 de abril de 2007
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Nunca tantos deveram tanto a tão pôrcos.

O Leão

Acabemos com o símbolo, já que a defesa do meio ambiente não permite acabar com o real.

Uma vez por ano, vez que se prolonga durante meses em aflições por parte do cidadão, provocadas por ameaças masoquistas da parte dos sempiternos burocratas no poder (Gogol é imortal!), lá vem, caminhando e rugindo na selva selvaggia da informática arrecadadora, o Leão predatório da Receita Federal. Cometendo, entra ano sai ano, os erros mais crassos (inimputáveis) em seus rugidos, o Leão não permite o menor desvio ou erro, considerados crimes hediondos, inafiançáveis e imprescritíveis, quando cometidos pelo cidadão. Somos os eternos carneiros da eterna fábula: "Não interessa se você bebeu da água abaixo da corrente. O fato é que deletou minha água, interrompeu o fluxo hidráulico do nosso banco de dados. E, se não foi você, foi seu pai, seu filho, seu neto nesse nepotismo irrefreável dos nerds. Vai pagar multa, ter seus bens penhorados, vai ser chicoteado, condenado à prisão perpétua e, quando esta acabar, executado".

Aí o fiduciário monstro abre a goela gigantesca, e todos nós, apavorados, começamos a fazer declarações que nos incriminam (coisa proibida pela lei penal), revelando até o último centavo a nossa renda, pra que sobre ela caia o imposto (in)devido.

Bem, vamos deixar de lado o imposto de renda propriamente dito (o mais injusto dos impostos, um bonde errado social em que o mundo inteiro embarcou achando que os ricos iam mesmo pagar igual) pra falar só no Leão, seu detestável e caricato símbolo brasileiro.

Se estamos numa democracia – mesmo feita com farinha de mandioca misturada com urina – esse símbolo deve ser imediatamente eliminado da logotipia oficial. Ele ruge odiosamente, como se fôssemos todos criminosos (o país ainda tem duas ou três pessoas que não o são), numa publicidade sempre grosseira, e humilhante pro contribuinte (leia-se extorquido). Fim com ele, Leon-liberalismo!

O leão é o símbolo maior da heráldica, e, como já lembramos, o mais prepotente, odioso, animal das fábulas.

E, se deixarmos os leões simbólicos e os selvagens e ficarmos apenas com os históricos, como os dos circos romanos, aí a coisa piora. Esses leões só entravam na arena pra perseguir, mutilar e devorar os pobres, os famintos, os cristãos. Nunca se viu um leão comendo um Jader Barbalho. Ou um Paulo Maluf, pelo menos.

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