BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2005

25 de abril de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Millôr
Lya Luft
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato: John Zeisel
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Auto-retrato
John Zeisel

Divulgação


É possível enfrentar o mal de Alzheimer com uma fímbria de esperança? O americano John Zeisel, sociólogo com doutorado em arquitetura e design, criou até uma empresa para isso. Por meio dela, fornece métodos de atendimento e projetos de prédios para idosos com Alzheimer – onde uma área comum reproduz pracinhas do interior como elas eram antigamente. Ele assessorou um centro do gênero que será inaugurado em São Paulo e falou à editora Lizia Bydlowski.

O QUE PASSA PELA MENTE DE UMA PESSOA COM ALZHEIMER?
Basicamente, ela quer que o mundo faça sentido. Busca entender o que está acontecendo e lidar com isso. Quanto mais o tempo passa, mais difícil vai ficando. É nossa função tornar o mundo mais compreensível, para facilitar sua vida.

AGITAÇÃO E ANSIEDADE, COMUNS EM PESSOAS COM ALZHEIMER, SÃO SINTOMAS DA DOENÇA OU RESULTADO DESSAS TRANSFORMAÇÕES?
Geralmente, são resultado. Pelo menos um terço dos comportamentos que identificamos como agitação, agressão ou ansiedade é, na verdade, conseqüência da incapacidade de se lembrar, de achar o caminho, de ter certeza de que se tem de fazer uma coisa mas não se sabe o que é. Como também é conseqüência o outro extremo do comportamento de quem tem Alzheimer: a apatia. Quando a parte do cérebro que marca o tempo, que permite que a gente saiba em que parte do dia está sem olhar para o relógio, é danificada, não há mais senso de passado nem de futuro, só de presente. As pessoas com Alzheimer vivem no presente. Por causa disso, tornam-se apáticas. Ficam sentadas, olhando para o vazio.

COMO O SENHOR RECOMENDA QUE SE AJA COM PESSOAS QUE TEM ALZHEIMER?
Há métodos para cada dificuldade. No caso do seqüenciamento, função executiva do cérebro que é afetada pela doença, o truque é não exigir que a pessoa dê todos os passos, é ajudá-la a executar a seqüência. Para uma tarefa como escovar os dentes, por exemplo, é recomendável pegar a escova, pôr a pasta e dizer: "Agora vamos escovar os dentes". Ou, em vez de dizer para ela se vestir, abrir o armário, oferecer três ou quatro opções e perguntar: "O que a senhora quer usar hoje?". É uma escolha limitada, na qual não é preciso fazer opções demais. Você cria a seqüência e deixa que a pessoa faça o que pode. No caso da memória, crie um ambiente em que ela tenha seus próprios objetos, retratos dos filhos, coisas que lembrem o passado. Música e arte são fundamentais, porque estão entranhadas profundamente no espírito e na mente.

DEVE-SE CONTAR A UMA PESSOA QUE ELA TEM ALZHEIMER?
Cada caso é um caso. De modo geral, acredito em sinceridade, o que não quer dizer que você deve contar exatamente da maneira como enxerga o problema. Para o doente, é muito importante ter esperança. Mas tem gente que sabe que alguma coisa está errada e se sente muito aliviada quando lhe contam que tem Alzheimer. Enfim entende que está doente, e não que está ficando maluca. De modo geral, acho importante que a pessoa no estágio inicial da doença fique sabendo, para que possa planejar a vida, a morte, os cuidados enquanto ainda tem condições. É melhor ser sincero e contar de uma maneira que a pessoa entenda do que não falar nada.

COMO O SENHOR REAGIRIA SE FOSSE DIAGNOSTICADO COM ALZHEIMER?
Realmente não sei. Acho que ficaria abalado, como todo mundo que ficasse sabendo que tem uma doença terminal. Mas não mais abalado do que se fosse câncer ou qualquer outra coisa. E menos agora que sei que posso continuar a ter uma vida, e a apreciá-la, por muitos anos. Penso nisso, até por estar tão perto da doença. Mas não tenho o que chamo de "Alzheimer por antecipação", do tipo que perde a chave e já acha que é um sintoma. Quando comecei a trabalhar com isso, há mais de dez anos, vivia com muito mais medo de acontecer comigo. Dizia que essa era uma doença que eu não queria ter. Agora digo que não quero ter doença nenhuma. E concordo com o princípio budista de que pensamentos do tipo "e se..." não levam a nada.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |