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Vende-se sangue
15
Minutos finge ter um
pretexto nobre. Mas seu
propósito
é mesmo explorar a violência
Isabela Boscov
Play Arte Pictures
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| Burns
e De Niro: ao estilo dos comerciais de produtos esportivos |
O
filme Assassinos por Natureza, do cineasta Oliver Stone, falava
de um casal de jovens que comete crimes horrendos (todos eles mostrados
em minúcias) para, com isso, garantir seu lugar no pódio
das celebridades. Lançado há sete anos, ele ainda divide
opiniões: era uma denúncia do fascínio da mídia
pela violência ou uma mera exploração sensacionalista?
Goste-se ou não da fita, porém, ela era tão oportuna
quanto ousada, o que torna quase impossível pôr fim à
controvérsia. Já no caso de 15 Minutos (15
Minutes, Estados Unidos, 2001), que estréia nesta sexta-feira
no país, a decisão é fácil. O negócio
dessa aventura protagonizada por Robert De Niro é mesmo jogar sangue
na cara do espectador. Há lá um pretexto "nobre" novamente,
denunciar a sanha da mídia e do público por emoções
cada vez mais fortes , mas ele é pura balela.
De Niro interpreta um policial célebre de Nova York, do tipo que
aparece em capas de revista a cada novo crime solucionado. Seu maior desafio,
contudo, está por vir. Trata-se de dois sujeitos que chegam do
Leste Europeu (os vilões da hora em Hollywood) ansiosos por experimentar
as benesses do capitalismo. A dupla rouba uma câmara e sai matando
sem esquecer de registrar as imagens em vídeo. Para capturá-los,
De Niro terá de se associar a um especialista em investigar incêndios
criminosos (Edward Burns), que despreza o estrelismo do colega. A expressão
constrangida de Burns durante todo o filme é típica de um
ator decente que, tarde demais, se deu conta de estar numa roubada. O
que mais chama a atenção em 15 Minutos, porém,
é o seu estilo, roubado àquele visual nervoso dos comerciais
de produtos esportivos. Mas os únicos artigos que ele tem à
venda são brutalidade e xenofobia.
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