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Edição 1 697 - 25 de abril de 2001
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Vende-se sangue

15 Minutos finge ter um
pretexto nobre. Mas
seu propósito
é mesmo explorar a violência

Isabela Boscov

Play Arte Pictures
Burns e De Niro: ao estilo dos comerciais de produtos esportivos

O filme Assassinos por Natureza, do cineasta Oliver Stone, falava de um casal de jovens que comete crimes horrendos (todos eles mostrados em minúcias) para, com isso, garantir seu lugar no pódio das celebridades. Lançado há sete anos, ele ainda divide opiniões: era uma denúncia do fascínio da mídia pela violência ou uma mera exploração sensacionalista? Goste-se ou não da fita, porém, ela era tão oportuna quanto ousada, o que torna quase impossível pôr fim à controvérsia. Já no caso de 15 Minutos (15 Minutes, Estados Unidos, 2001), que estréia nesta sexta-feira no país, a decisão é fácil. O negócio dessa aventura protagonizada por Robert De Niro é mesmo jogar sangue na cara do espectador. Há lá um pretexto "nobre" – novamente, denunciar a sanha da mídia e do público por emoções cada vez mais fortes –, mas ele é pura balela.

De Niro interpreta um policial célebre de Nova York, do tipo que aparece em capas de revista a cada novo crime solucionado. Seu maior desafio, contudo, está por vir. Trata-se de dois sujeitos que chegam do Leste Europeu (os vilões da hora em Hollywood) ansiosos por experimentar as benesses do capitalismo. A dupla rouba uma câmara e sai matando – sem esquecer de registrar as imagens em vídeo. Para capturá-los, De Niro terá de se associar a um especialista em investigar incêndios criminosos (Edward Burns), que despreza o estrelismo do colega. A expressão constrangida de Burns durante todo o filme é típica de um ator decente que, tarde demais, se deu conta de estar numa roubada. O que mais chama a atenção em 15 Minutos, porém, é o seu estilo, roubado àquele visual nervoso dos comerciais de produtos esportivos. Mas os únicos artigos que ele tem à venda são brutalidade e xenofobia.

   
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