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Edição 2105

25 de março de 2009
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CINEMA

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Sally Hawkins em Simplesmente Feliz: bom humor tão imperturbável que chega a irritar

SIMPLESMENTE FELIZ (Happy-Go-Lucky, Inglaterra, 2008. Estreia nesta sexta-feira)

• Poppy (a excelente Sally Hawkins) é sempre tão bem-humorada que chega a irritar: acena para gente que não conhece na rua, nunca perde a paciência com seus alunos da pré-escola e não fica brava nem quando lhe roubam a bicicleta ("nem tivemos tempo de nos despedir!", é sua única queixa). A tarefa a que o filme do inglês Mike Leigh (de Segredos e Mentiras) se propõe é mostrar que Poppy é feliz não porque é uma tonta que não vê o que se passa no mundo, mas porque prefere relevar o ruim e atentar ao bom. Nem Poppy, porém, é páreo para Scott (o também ótimo Eddie Marsan), seu instrutor de autoescola, um homem que odeia tudo e a todos com fúria. Da colisão entre os dois personagens, Leigh tira uma bela reflexão sobre como a maneira como se vive é fundamentalmente uma escolha.

 

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LIVROS

OS DESBRAVADORES, de Felipe Fernández-Armesto (tradução de Donaldson M. Garschagen; Companhia das Letras; 536 páginas; 62 reais)

• Professor das universidades de Oxford e de Londres, Fernández-Armesto é um historiador voltado para panoramas amplos. Em Milênio, por exemplo, construiu uma narrativa original dos últimos 1 000 anos. Os Desbravadores vai até mais longe: começa das primeiras andanças dos humanos primitivos, a partir da África, há pelo menos 150 000 anos, e chega ao mundo globalizado de hoje. O livro examina os feitos de navegadores e exploradores como o português Vasco da Gama e o escocês David Livingstone. Mas o foco central não está nos feitos heroicos desses aventureiros: Fernández-Armesto examina sobretudo os encontros e choques culturais envolvidos na exploração da Terra. Leia trecho.


CÓDEX ARQUIMEDES,
de Reviel Netz e William Noel (tradução de Rachel Shwartz; Record; 322 páginas; 49 reais)

• Um dos mais importantes pensadores da Grécia antiga, Arquimedes deixou uma obra fundamental para a física e para a matemática. A descoberta recente de um manuscrito seu é inestimável para a história da ciência. Netz, professor de ciência antiga da Universidade Stanford, e Noel, diretor do projeto Palimpsesto de Arquimedes, contam a história desse achado em Códex Arquimedes. O livro refaz a longa trajetória do manuscrito, da Antiguidade até um leilão de 1998, em Nova York, e explica as técnicas usadas em seu deciframento. Na Idade Média, o manuscrito foi raspado para que se escrevesse um novo texto sobre ele. Técnicas modernas de raio X foram usadas para chegar às palavras de Arquimedes. Leia trecho.

 

DISCOS

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Nelson Freire: novas interpretações de Debussy, que o pianista descobriu aos 12 anos

DEBUSSY, Nelson Freire (Universal)

• Nelson Freire tinha 12 anos quando descobriu a música do francês Claude Debussy, graças ao incentivo de seu professor de piano, que insistiu para que o aluno incluísse obras de impressionistas ao repertório. Desde então, Debussy incorporou-se a todos os recitais do instrumentista mineiro. Freire recentemente gravou Chopin, Schumann e Beethoven, mas talvez nenhum disco do pianista seja tão especial quanto este retorno ao compositor que o apaixonou na adolescência. O CD traz os Prelúdios – as versões de La Sérénade Interrompue e La Cathédrale Engloutie ficaram magistrais – e Children’s Corner. Freire consegue dar até novo colorido a Clair de Lune, uma das mais populares (e desgastadas) músicas de Debussy.


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Van Morrison: um disco de quarenta anos atrás, reenergizado ao vivo

ASTRAL WEEKS: LIVE AT THE HOLLYWOOD BOWL, Van Morrison (EMI)

• Lançado em 1968, Astral Weeks é um dos melhores trabalhos do cantor irlandês Van Morrison. Gravado em apenas duas sessões, reuniu grandes músicos (como o baixista Richard Davis, que trabalhou com Sarah Vaughan) para interpretar composições calcadas no rock, no jazz e na música erudita. Em 2008, numa apresentação em Los Angeles, Morrison tocou o repertório de Astral Weeks na íntegra. O show deu origem a este CD ao vivo, no qual ele modificou e reenergizou as músicas originais (Slim Slow Slider, por exemplo, dobrou de tamanho) e ainda incluiu duas faixas que não faziam parte do álbum – Listen to the Lion/The Lion Speaks e Common One. É um disco empolgante tanto para os fãs do original quanto para os neófitos.

 

Cinemateca VEJA

Durante a Guerra do Vietnã o Capitão Willard (Martin Sheen) percorre o Rio Mekong, em território inimigo, para localizar o Coronel Kurtz (Marlon Brando), que instalou uma república de selvageria no Camboja. O espectador, então, adentra uma obra-prima feita com uma ambição e com um brilhantismo que simplesmente não existem mais no cinema americano. Apocalypse Now Redux, que a Cinemateca VEJA lança nesta semana em São Paulo e no Rio de Janeiro, ficou notório também como uma das mais arriscadas e tumultuadas filmagens da história. Não à toa, o diretor Francis Ford Coppola o apresentou no Festival de Cannes, em 1979, dizendo que seu filme não era sobre a guerra – era a própria guerra.

Nos demais estados, nesta semana:
O dom de John Malkovich e Glenn Close para a traição em Ligações Perigosas.

Como comprar a Cinemateca VEJA

Em bancas, livrarias e redes de supermercados, a 13,90 reais o
exemplar avulso. Para assinar, ligue 3347-2180 (Grande São Paulo)
ou 0800-775-3180 (outras localidades), de segunda a sexta-feira,
das 8 às 22 horas. Pela internet, acesse www.assineabril.com

 

 
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B] há quantas semanas o livro aparece na lista
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