BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2105

25 de março de 2009
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Lya Luft
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Cinema
HORA DA AULA

Um filme tirado de um livro de autoajuda, como Ele Não Está Tão
a Fim de Você,
parece exótico. Mas é só impressão: a lição de
moral ou comportamento está no DNA do cinema americano


Isabela Boscov

Divulgação
MULHERES, APRENDAM
Cooper e Jennifer discutem a relação: se ele não liga, é porque não quer ligar


VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line
Trailer

Com o intuito de dar um chacoalhão nas mulheres mais românticas – e portanto iludidas, e sujeitas a decepções em série –, o best-seller de autoajuda Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você desdobrava em todas as facetas possíveis a afirmação do título. Por exemplo: se ele não ligou nem marcou um novo encontro, não é porque ele é tímido, teve de viajar, perdeu seu número de telefone ou sofreu um acidente; é porque não quis. Se vocês estão juntos, mas ele dá em cima de outras mulheres, não é porque os homens são assim mesmo; é porque ele está menos comprometido do que você imagina; e assim por diante. Como é quase regra nesse filão editorial, o livro de Liz Tuccillo e Greg Behrendt (ambos com créditos na equipe de criação da série Sex and the City), publicado aqui pela Rocco, é um tanto pedestre e estica o assunto além da conta. E, claro, não tem enredo, o que indicaria que a adaptação de um manual como esse para o cinema sairia um purgante. Surpresa: Ele Não Está Tão a Fim de Você (He’s Just Not That Into You, Estados Unidos, 2009), que estreia nesta sexta-feira no país, é suficientemente lúcido, bem escrito e atento aos seus personagens para se destacar da massa medíocre em que o gênero da comédia romântica se converteu de uma ou duas décadas para cá.

Mais surpreendente ainda é que esse resultado positivo se deve em parte à matéria-prima da qual o filme se origina. O ensinamento moral está no genoma da produção cultural americana, das jeremiadas – os longos textos de exortação produzidos pelos puritanos – e da Declaração de Independência à corrente da autoajuda, oficialmente inaugurada na década de 1930 com o perene Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas. Nestes séculos de prevalência, adquiriu fortes características narrativas e deixou marcas indeléveis no cinema: a produção de Hollywood abomina as pontas soltas e os desfechos abertos, sem lição, da mesma maneira que o cinema europeu detesta os finais fechados e amarrados. No filme romântico, essa inclinação para arrumar a casa tem se traduzido, à medida que a qualidade dos roteiros declina (e ela está, sim, declinando), numa mesmice insuportável. Ao buscar inspiração na fonte primeira dessa tendência, contudo, Ele Não Está Tão a Fim de Você salta uma barreira. Como o livro descreve uma série de situações distintas, o filme não tenta fazer aquela ginástica desgraciosa de resumi-las em um par principal. Em vez disso, opta por seguir um punhado de personagens ligados entre si – mas com uma boa folga – pelo trabalho, pela amizade ou pelas circunstâncias, e então identificar neles os equívocos e armadilhas comuns nos relacionamentos amorosos.

Dirigido por Ken Kwapis, do igualmente honesto Quatro Amigas e Um Jeans Viajante, o filme faz a cortesia de trocar o batidíssimo cenário de Nova York pela mais aconchegante Baltimore. Lá, Jennifer Aniston e Ben Affleck batem de frente porque, depois de sete anos de vida em comum, ele continua achando que o casamento é uma formalidade desnecessária. Bradley Cooper tenta se lembrar das razões pelas quais se casou com Jennifer Connelly, e descobre que fica ainda mais difícil puxar pela memória quando está perto de Scarlett Johansson, que conheceu por acaso. Kevin Connolly também tem um fraco por Scarlett, mas não vê que ela só o procura à cata de reforço positivo. Na trama mais bem desenvolvida, Ginnifer Goodwin se entusiasma com Kevin (como se entusiasma com qualquer um) depois de um encontro às escuras, e interpreta mal (como sempre) os supostos sinais de afinidade que ele emitiu. Enquanto o persegue, conhece o ótimo Justin Long, um gerente de bar que prefere ciscar a se comprometer, e que tenta mostrar a Ginnifer os estratagemas que ela usa para se enganar a respeito dos homens que encontra. Nenhum dos personagens é perfeito, tampouco um canalha – e todos falam uma língua reconhecível e se comportam como pessoas que estão do lado de cá, e não de lá, da tela. O que, em vista da produção recente, é uma lição e tanto a ensinar.




Fotos divulgação

 


Trailer

Video

 



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |