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Edição 2105

25 de março de 2009
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Música
Militante da diversão

Um dos mais populares nomes do pop, o Pet Shop Boys
está lançando seu décimo disco. Nesta entrevista,
Neil Tennant, vocalista da dupla, fala de música,
dos direitos dos gays e de Tony Blair

Em 1981, o jornalista Neil Tennant juntou-se ao amigo Chris Lowe, então um estudante de arquitetura, para formar o Pet Shop Boys – uma das mais influentes e populares bandas de música pop das últimas décadas. A dupla criou hits como West End Girls e Being Boring, vendeu 50 milhões de discos – e, de quebra, produziu discos de cantoras como Dusty Springfield e Liza Minnelli. Tennant é uma das figuras mais articuladas do pop. Gay assumido e engajado em movimentos de direitos dos homossexuais, não faz, no entanto, proselitismo barato em suas músicas – seu negócio é diversão, não pregação. O cantor falou com o repórter Sérgio Martins sobre sua carreira e sobre Yes, o décimo disco dos Pet Shop Boys, que chega às lojas nesta semana no Brasil.

Qual a principal colaboração do Pet Shop Boys para a música?
Sem falsa modéstia, criamos um estilo único. Sou fã de cantoras como Dusty Springfield. Inspirado na dramaticidade dela, criei uma maneira original de cantar. Ninguém na música pop canta do mesmo jeito que eu. Creio que também criamos uma sonoridade bastante original, que mistura música eletrônica e elementos da música dos anos 60.

O Pet Shop Boys é um grupo gay?
O Pet Shop Boys é um grupo de música pop. Eu sou homossexual assumido, mas é restritivo rotular nosso estilo musical dessa maneira. As pessoas que ouvem nossas músicas e compram nossos discos o fazem porque gostam do ritmo e das letras. Não temos sucesso porque fazemos pregação, mas por causa da qualidade de nossas composições. Não importa que eu seja gay: a música da minha banda é feita para ser consumida por gays e héteros.

Mas o senhor, ao lado de Elton John, é um árduo defensor da causas homossexuais na Inglaterra.
Sim, e continuarei sendo. Muita coisa, aliás, melhorou a partir dessa luta. Hoje em dia, atores e jornalistas saem do armário sem receio. A idade do consentimento na Inglaterra, que estabelece um limite legal para quem quiser ter relações sexuais, hoje é a mesma – 16 anos – para homossexuais e heterossexuais. Até 2000, o limite para gays do sexo masculino era mais alto, de 18 anos. Mas é sempre importante separar a militância do trabalho artístico.

Nos anos 80, o senhor trabalhou como jornalista na revista Smash Hits, que cobre o mundo da música pop. O que aprendeu com a profissão?
Aprendi a escrever textos sobre música – e espero jamais ter de escrevê-los novamente. Não é que eu tenha ojeriza pela profissão. Mas sou melhor cantor e compositor do que jornalista. Fiquei pouco mais de dois anos na Smash Hits. Não foi tempo suficiente para que eu amasse a profissão. Hoje em dia, até fico lisonjeado quando alguém me pede para escrever um artigo musical – mas prefiro continuar cantando.

Legacy, música do disco Yes, é inspirada na trajetória do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Qual sua avaliação do governo dele?
Essa música é uma carta de despedida para Blair. A primeira frase da canção – "Tudo o que eu pude fazer, eu fiz certo" – foi tirada do próprio discurso de renúncia dele. Eu não acho que ele tenha sido um péssimo político, mas errou ao aderir à Guerra do Iraque. E saiu com a reputação manchada entre os ingleses.

 



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