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Leitor
O "socialismo" americano
"A
intervenção do presidente Barack Obama na economia não vem
para acabar com o sistema capitalista, mas para ajudá-lo a se reafirmar.
Da mesma forma que na crise de 1929. Mesmo em um sistema liberal, às vezes
é necessária a intervenção do governo para impedir
um colapso." "Somos todos socialistas
agora" foi a chamada de capa da revista americana Newsweek, há
cerca de um mês, e apenas uma das muitas confusões de articulistas
que se apressam em apontar um início de planificação econômica
nos Estados Unidos. Análises sensatas, que indicam os limites das ações
coordenadas pelo estado pivô da crise econômica mundial, não
são só bem-vindas; são necessárias ("Socialismo?
Qual? Onde?", 18 de março). Barack Obama chegou à
Presidência dos Estados Unidos com a desafiante missão de viabilizar
a concretização de uma alternativa para o falido modelo de desenvolvimento
do capitalismo financeiro. O trabalho é árduo, pois vivemos uma
verdadeira crise de valores nas dimensões financeira, econômica,
ambiental, social e humana. Os padrões de produção e consumo
da sociedade de massa precisam ser remodelados, dentro de uma linha de gestão
pública sem nuances ideológicas, voltada para um progresso sustentável
que inclua todos os países e cidadãos do nosso combalido planeta
Terra. Há
demonstrações de que a maior parte do antiamericanismo atual é
dirigida contra as políticas, e não contra a cultura. Afortunadamente,
é mais fácil mudar políticas que mudar a cultura. Acredito
que o governo Obama pode, sobretudo, combinar sua rigorosa economia a uma política
social que seja caridosa a curto prazo e altamente produtiva a longo prazo. A
inépcia da "mão invisível", a autorregulação,
no mercado financeiro americano levou a meca do liberalismo a uma situação
sui generis: na bonança temos a privatização dos lucros,
mas na crise prevalece a socialização dos prejuízos.
O poder do PMDB É impressionante
como as antigas atrações do nosso governo conseguem transformar
o Senado num constante picadeiro ("O Senado perde a compostura", 18
de março). Com
toda a certeza ainda teremos surpresas desagradáveis. Essa turma não
vai perder tempo, pois o governo Lula está terminando e dificilmente Dilma
Rousseff será eleita. Nada se fará em favor do país, mas
sim daqueles que entrarem no esquema, ou melhor, dos que assumirem os cargos que
o senador Renan Calheiros distribuirá a quem lhe deu apoio quando teve
de renunciar ao cargo de presidente do Senado.
Dom José Cardoso Sobrinho A vida é feita
de escolhas. Entre a vida de uma menina de 9 anos, constantemente abusada sexualmente
pelo pai, e a cega obediência às incontestáveis regras da
Igreja, escolho a vida da criança. Dom Cardoso, fique à vontade
para me excomungar por apostasia! Deus está vendo (Amarelas, 18 de março). Continuo
achando abomináveis e paradoxais as excomunhões. Mas convenhamos
que a Igreja Católica fez o que lhe é de ofício, ainda que
isso atente contra nosso próprio tempo. Nada de estranhar, muito a criticar. Expresso
meu apoio ao bispo de Olinda e Recife, que excomungou os médicos que realizaram
o aborto. Ora, a Igreja Católica possui suas regras. Se a pessoa quer participar
de uma organização, tem de seguir as suas regras. E os médicos
não seguiram as regras da Igreja. Portanto, nada mais natural que a Igreja
expulsar essas pessoas. A resposta do arcebispo
é totalmente coerente com os dogmas da Igreja e as leis de Deus. "Quem
não aceita esses dogmas está fora." Nada mais coerente e claro.
Muito esclarecedor. Não significa que eu concorde. Pela minha visão,
Deus ofereceu ao homem a capacidade de pensar, aprender, evoluir e refletir para
o exercício de suas escolhas. O homem exercita o livre-arbítrio
de acordo com as leis do estado, da sua fé e da sua consciência.
O
equívoco de dom José Cardoso Sobrinho está na compreensão
do direito canônico. Assim como qualquer outra lei, o código deve
ser contextualizado e interpretado à luz dos elementos que compõem
cada situação. No caso do aborto realizado pela equipe médica,
a interpretação literal do código se mostra injusta e inoportuna.
Drogas A
reportagem "A solução menos pior" (18 de março)
mostra que a humanidade está perdendo as batalhas que trava contra o consumo
de drogas. Para que 5% da população adulta mundial satisfaça
a sua necessidade de fugir da realidade através das falsas ilusões
provocadas por tais substâncias, o restante da sociedade paga um preço
demasiado alto. Os gastos com segurança e com tratamento de usuários
são pagos com o dinheiro dos impostos de todos. Seria uma grande aberração
continuar atendendo aos "caprichos" de quem usa drogas se aceitássemos
que elas fossem liberadas. Como médico, tenho um compromisso com a saúde
e não aceitaria nunca que produtos nocivos a ela fossem legalizados.
Netbooks Intrigante
a reportagem sobre os netbooks. Temos certeza de que muitas pessoas não
sabiam dessa "nova" tecnologia e agora estão mais informadas.
Mas o netbook não ultrapassa o notebook, pois é muito lento e chega
a ter quase a metade da memória do notebook. Ele não é aconselhável
para uso em viagens de negócios nem serve para arquivar imagens.
Veja.com Queria
cumprimentar VEJA pela reportagem sobre o vinho Pêra-Manca e a sua importância
para a história ("Pêra-Manca: o vinho que descobriu o Brasil",
VEJA.com). Espero que a revista continue surpreendendo os seus leitores.
Correção: o crédito correto das fotos que ilustraram as três categorias de sistema de pouso por instrumentos na página 106 da edição passada de VEJA é, da esquerda para a direita: Manuel Mueller/airliners.net, Ismael Jorda/airliners.net e Matheus Barbosa/airliners.net.
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