Livros
Melhor na ficção
A autora policial
que defende o terrorista
Eric Fougere/Corbis/Latinstock
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A CAUSA ERRADA
Fred Vargas: o que o
delegado Adamsberg
diria de Cesare Battisti? |
No século XIX,
o romancista Émile Zola empenhou-se na defesa do oficial
do Exército Alfred Dreyfus, falsamente acusado de traição.
A francesa Fred Vargas tentou seguir seu exemplo mas
escolheu a causa errada: ela é a mais ardente defensora
de Cesare Battisti, terrorista que, condenado na Itália
pela participação em quatro homicídios,
ganhou refúgio no Brasil por decisão do ministro
da Justiça, Tarso Genro. Com o argumento comprovadamente
furado de que a condenação de Battisti se baseou
só no depoimento de um ex-companheiro de armas, Fred
Vargas publicou um panfleto em defesa do terrorista e ainda
assina o posfácio de Minha Fuga sem Fim, livro
de memórias (vagas) de Battisti. Felizmente, Fred Vargas
tem outros talentos. Ela é criadora dos divertidos
romances policiais do delegado Adamsberg. Em Relíquias
Sagradas (tradução de Dorothée
de Bruchard; Companhia das Letras; 408 páginas; 48,50
reais), que chega às livrarias nesta semana, Adamsberg
investiga a morte de dois jovens que têm a garganta
cortada e enfrenta o que parece ser um fantasma em
sua casa. Na ficção, Fred nunca está
do lado do bandido.