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Leitor
Adolescentes VEJA
leu minha mente ao publicar a reportagem de capa "A juventude em rede"
(18 de fevereiro). Tenho 18 anos e cheguei à conclusão de que o
jovem realmente não está mais tão dividido em grupos, como
há alguns anos, e de que o acesso fácil à informação
o faz parecido tanto aqui no interior de Minas quanto em qualquer outra região
do país. Sou
educadora e consultora em tecnologia responsável. Nossos filhos sabem de
tudo um pouco e zapeiam por todos os assuntos e áreas do conhecimento,
porém de forma superficial. São horizontais e generalistas. Nós,
em contrapartida, somos os verticais e especialistas. Temos uma formação
que nos permitiu um "mergulho" em determinadas áreas. Precisamos
promover para nossos rebentos oportunidades de mergulho, de modo que o conhecimento
horizontal e o vertical se fundam e ampliem verdadeiramente suas potencialidades
humanas. Esta pode ser uma supergeração, capaz de ter um olhar amplo
e revelador sobre todas as coisas que a envolve. Pode ser também uma geração
frustrada, que sabe um pouco de tudo e nada de nada. Sou coordenadora pedagógica
e gostaria muito de agradecer essa reportagem, pois ela tem tudo a ver com o meu
ambiente de trabalho. Ela será muito útil. Acredito na orientação,
na conversa, na religião, na religiosidade e, principalmente, em uma educação
voltada para o bem comum. Pode até ser piegas, mas um mundo melhor, sem
sombra de dúvida, é construído pelo afeto que se oferece
em todas as áreas. Muitíssimo obrigada pelas informações
que obtive na leitura desse texto.
Jarbas Vasconcelos Muito interessante e surpreendente
a entrevista com Jarbas Vasconcelos. Ele literalmente chutou o balde. Há
muito tempo não leio uma entrevista tão lúcida e que reflete
com tamanha clareza a podridão atual da política e dos políticos
brasileiros. Em
meio à mediocridade do atual cenário político brasileiro,
a entrevista nas páginas amarelas (18 de fevereiro) com o senador Jarbas
Vasconcelos homem íntegro e político sério
é um lenitivo para os que não perderam a capacidade de se indignar
diante de tantos abusos originados nos gabinetes oficiais de Brasília. A
entrevista com o senador Jarbas Vasconcelos é uma daquelas pérolas
que me enchem de orgulho de ser pernambucano. Pernambuco não é somente
Lula; é, sobretudo, Jarbas, esse velho cacique dos tempos da Arena e do
MDB, que com sua dignidade, integridade e idoneidade inabaláveis mostra
ao Brasil que nem todos aqui no Nordeste são alienados, tampouco se rendem
ao populismo nefasto, imoral do senhor presidente da República. Acompanhei
de perto a fundação do antigo MDB. Desejo compartilhar com o senador
Jarbas Vasconcelos o seu horror, que é o meu também, a essa privatização
da missão político-partidária. Vi e confirmo que em minha
família, Vargas e Amaral Peixoto, os políticos não eram assim.
Lutavam por projetos. Brigavam, dentro e fora dos partidos, por ideias e pelo
poder legitimamente constituído ou não. Entendia-se que o homem
público tinha uma missão a cumprir. Por meio de cargos públicos,
no Legislativo ou no Executivo, defendiam e debatiam programas e políticas.
Mas usar dinheiro do governo para enriquecer ou fazer enriquecer seus familiares
e apaniguados, na minha formação moral, é criminoso. E sempre
ouvi minha mãe, Alzira Vargas do Amaral Peixoto, repetir cansativamente:
o dinheiro público é sagrado. Assim fui criada. Portanto, lamento
profundamente o que está acontecendo hoje no Brasil, depois de tantos anos
de luta de homens e mulheres honestos. Muitos deram a sua vida por uma causa,
um projeto, um ideal, como foi o caso de Getúlio Vargas, em 24 de agosto
de 1954.
Charles Darwin Excelente a reportagem "A
Darwin o que é de Darwin..." (11 de fevereiro). No entanto, não
é correto dizer que as aves vindas do continente desenvolveram, em Galápagos,
características diferentes de acordo com as condições do
ambiente. O correto é dizer que as aves, por mutação ou recombinação
genética, ou seja, aleatoriamente, sem nenhum determinismo ou finalidade,
desenvolveram novas características que foram selecionadas por permitir
uma adaptação ao ambiente. A frase que afirma que hoje os biólogos
se dedicam a responder a questões em aberto no evolucionismo, como quais
exatamente as mudanças genéticas que provocam as adaptações
produzidas pela seleção natural, é totalmente sem sentido,
pois a seleção natural não produz as adaptações,
ela apenas determina a sobrevivência do mais apto. A forma como esses
trechos foram escritos tem mais a ver com o lamarckismo do que com o darwinismo.
Acho que tão excelente artigo merece essa correção. Darwin
nunca mencionou as mutações em seus trabalhos. O darwinismo tem
como alvo a luta pela sobrevivência diante da desproporção
entre o número de indivíduos da população e a oferta
de alimento, a seleção natural e a grande variabilidade das espécies,
fato esse que Darwin não conseguiu explicar. Só a partir dos primeiros
anos do século XX o holandês Hugo De Vries utilizou o termo mutação,
originando uma nova teoria, o mutacionismo. Então, sim, surgia uma explicação
para a grande variabilidade das espécies as mutações.
Reunindo o mutacionismo ao darwinismo surge o neodarwinismo; logo, Darwin, que
morreu em 1882, não conhecia o termo nem o significado das mutações,
o que é elucidador para a sua teoria. Nem Darwin nem Lamarck
mencionam a girafa em seus textos. Assim, a grande fotografia com girafas e
as explicações segundo Lamarck ou Darwin para seu longo pescoço
reforçam uma exemplificação que nenhum dos dois utilizou
de fato.
Correções: a foto que ilustrou a reportagem "A responsabilidade e os riscos de ser superpotência" (21 de janeiro) é do porta-aviões USS Kitty Hawk, e não do USS Abraham Lincoln, como foi publicado. As professoras Eliana Zacarelli e Hellen Coelho, cujo levantamento foi usado como base na matéria "Um cardápio melhor para a escola" (11 de fevereiro), fizeram a pesquisa pela Universidade Paulista.
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