Edição 1842 . 25 de fevereiro de 2004

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Música
Um Suplicy, um violão...

Mais um filho de Marta e Eduardo se
arrisca na música. Esse tem o estilo do pai


Sérgio Martins


Claudio Rossi
João Suplicy: bossa e letras que conquistaram a comediante Maria Paula


Por longos anos, o casal formado pelos políticos Marta e Eduardo Suplicy exemplificou a máxima de que os opostos se atraem. Marta era elétrica e exuberante. Eduardo era lento e discreto. O casal teve três filhos. O do meio, André, é um advogado que toca sua vida longe dos holofotes. Os dois outros resolveram seguir a carreira artística e, curiosamente, transplantaram para o mundo da música os estilos contrários da mãe e do pai. Supla, o mais velho e o mais famoso, é do time de Marta. Gosta de moda, preocupa-se com o penteado e não tem medo de fazer barulho. Aos 37 anos, pratica um gênero musical que batizou de "bossa furiosa". João, cuja carreira começa a engrenar, prefere as maneiras zen de Eduardo Suplicy. Ele fala como o senador petista, com frases intercaladas por loon...gas, loon...guís...simas pausas de meditação. Aos 29 anos, prefere a bossa nova tradicional, sem fúria mesmo. Ele já lançou dois discos, Musiqueiro (1998) e Cafezinho (2002). Atualmente está envolvido numa parceria com o cantor Jair Oliveira. Eles têm subido ao palco num projeto que batizaram de Café com Leite – título também de uma música.

João debutou nos palcos por obra do irmão mais velho. "Eu o fantasiava de punk e o obrigava a subir ao palco para anunciar os shows da minha banda, a Tokyo", conta Supla. Isso foi em 1985. Pouco mais tarde, o caçula dos Suplicy mudou-se para a Califórnia, para aprender guitarra. De volta ao Brasil, foi à luta. Como músico, João ainda vive no regime de renda mínima. Cafezinho foi gravado num estúdio cedido por amigos, com instrumentistas que receberam um terço do cachê a que estão acostumados. Para divulgar seus shows, pelos quais recebe no máximo 5.000 reais, o cantor conta com um assessor de imprensa entusiasmadíssimo: o senador Eduardo, mais uma vez, que já se plantou na calçada de uma casa noturna para pescar transeuntes. "Ele também faz questão de agradecer às pessoas que compraram ingresso", diz o dono de uma boate que já abrigou o músico. Ainda bem que não são muitas.

João Suplicy e seu paizão senador moram na mesma casa no bairro do Jardim Paulistano, em São Paulo. Mas por pouco tempo. Em dezembro do ano passado, o músico se casou com a comediante Maria Paula. Os dois esperam um bebê para junho. Será o segundo filho do rapaz: ele é pai de uma menina de 10 meses, nascida de um relacionamento com uma modelo. A história de João e Maria Paula vem de longe. Eles tiveram um romance em meados da década passada. Terminaram, entre outros motivos, porque João se sentia incomodado com o fato de ganhar menos que a namorada. Mas essa preocupação faz parte do passado. Após o Carnaval, ele se muda de mala, cuia e violão para o apartamento da atriz, no Rio de Janeiro. A mudança, aposta ele, vai acelerar seu processo criativo e dar embalo à sua carreira. Só em janeiro deste ano João Suplicy compôs oito músicas. "Maria... Paula... instiga... o meu... pensamento", diz ele.

 
 
 
 
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