Edição 1842 . 25 de fevereiro de 2004

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Medicina
Mais cuidado, menos custo

Planos de saúde começam a fazer
acompanhamento
de pacientes
crônicos,
para diminuir custos


Regis Filho
Helicóptero-UTI: que tal melhorar esse tipo de serviço?

No Brasil, 38 milhões de pessoas têm plano de saúde. Cerca de 10% delas são vítimas de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes ou asma, e não se tratam como deveriam. Essa falta de cuidado sai caro para as empresas privadas de saúde – sem assistência adequada, os pacientes são hospitalizados com mais freqüência e passam por um número maior de exames e atendimentos de emergência. Na tentativa de reduzir ao máximo os gastos com esses doentes, os planos de saúde e as companhias que oferecem assistência médica a seus funcionários começaram a adotar uma estratégia bastante comum nos Estados Unidos desde meados dos anos 90: a implementação de programas que acompanham de perto a rotina de tratamento de pacientes crônicos. Esse monitoramento é feito principalmente por enfermeiros. Uma vez por semana, eles telefonam para saber se o paciente tem tomado a medicação corretamente, seguido a dieta prescrita ou cumprido o programa de exercícios físicos determinado. Uma vez por mês, essa avaliação é feita in loco, ocasião em que o paciente passa por um exame clínico.

Claudio Rossi
Celeste: dieta seguida à risca graças às visitas da enfermeira


Medidas simples como essas representam uma economia anual de até 45% por doente crônico. A redução deve-se sobretudo a uma queda de 40% no número de internações e de quase 30% nos atendimentos de emergência. É tão vantajoso para as empresas que elas não cobram nada pelo serviço. Uma boa idéia seria aplicar parte do dinheiro economizado para melhorar os serviços propagandeados na televisão, como os helicópteros-UTI. Fica aqui a sugestão.

O tratamento das doenças crônicas exige uma dedicação muito grande dos doentes. Seus hábitos de vida têm de ser regrados. Além disso, grande parte dos pacientes tem de tomar remédio diariamente, várias vezes por dia e em horários certos. Por isso, a taxa de adesão aos tratamentos é incrivelmente baixa – cerca de 30%, em média, conforme a Organização Mundial de Saúde. Um dos principais trunfos dos programas de monitoramento para aumentar a adesão dos doentes é o vínculo que se cria entre eles e os monitores. Vítima de uma cardiopatia, a dona-de-casa Celeste Lopes, de 72 anos, só começou a cumprir as orientações alimentares depois que passou a receber a visita de uma enfermeira enviada pelo plano de saúde. "Só de medir a minha pressão, ela percebe se desrespeitei a dieta", diz Celeste. "Como não quero que a enfermeira se chateie comigo, tento não lhe desobedecer."

 
 
 
 
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