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Medicina
Mais
cuidado, menos
custo
Planos
de saúde começam a
fazer
acompanhamento de
pacientes
crônicos, para
diminuir custos
Regis Filho
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| Helicóptero-UTI:
que tal melhorar esse tipo de serviço? |
No
Brasil, 38 milhões de pessoas têm plano de saúde.
Cerca de 10% delas são vítimas de doenças crônicas,
como hipertensão, diabetes ou asma, e não se tratam
como deveriam. Essa falta de cuidado sai caro para as empresas privadas
de saúde sem assistência adequada, os pacientes
são hospitalizados com mais freqüência e passam
por um número maior de exames e atendimentos de emergência.
Na tentativa de reduzir ao máximo os gastos com esses doentes,
os planos de saúde e as companhias que oferecem assistência
médica a seus funcionários começaram a adotar
uma estratégia bastante comum nos Estados Unidos desde meados
dos anos 90: a implementação de programas que acompanham
de perto a rotina de tratamento de pacientes crônicos. Esse
monitoramento é feito principalmente por enfermeiros. Uma
vez por semana, eles telefonam para saber se o paciente tem tomado
a medicação corretamente, seguido a dieta prescrita
ou cumprido o programa de exercícios físicos determinado.
Uma vez por mês, essa avaliação é feita
in loco, ocasião em que o paciente passa por um exame
clínico.
Claudio Rossi
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| Celeste:
dieta seguida à risca graças às visitas da enfermeira
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Medidas simples como essas representam uma economia anual de até
45% por doente crônico. A redução deve-se sobretudo
a uma queda de 40% no número de internações
e de quase 30% nos atendimentos de emergência. É tão
vantajoso para as empresas que elas não cobram nada pelo
serviço. Uma boa idéia seria aplicar parte do dinheiro
economizado para melhorar os serviços propagandeados na televisão,
como os helicópteros-UTI. Fica aqui a sugestão.
O
tratamento das doenças crônicas exige uma dedicação
muito grande dos doentes. Seus hábitos de vida têm
de ser regrados. Além disso, grande parte dos pacientes tem
de tomar remédio diariamente, várias vezes por dia
e em horários certos. Por isso, a taxa de adesão aos
tratamentos é incrivelmente baixa cerca de 30%, em
média, conforme a Organização Mundial de Saúde.
Um dos principais trunfos dos programas de monitoramento para aumentar
a adesão dos doentes é o vínculo que se cria
entre eles e os monitores. Vítima de uma cardiopatia, a dona-de-casa
Celeste Lopes, de 72 anos, só começou a cumprir as
orientações alimentares depois que passou a receber
a visita de uma enfermeira enviada pelo plano de saúde. "Só
de medir a minha pressão, ela percebe se desrespeitei a dieta",
diz Celeste. "Como não quero que a enfermeira se chateie
comigo, tento não lhe desobedecer."
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