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Estilo
Festa,
show, evento?
Só dá jeans
A
calça mais esporte
do mundo
agora também
faz par
com
noite, brilho e salto
alto

Bel
Moherdaui
No
ensaio da escola de samba, calor dantesco, lá estava Adriane
Galisteu de top justinho e calça jeans idem. No show no Rio
de Janeiro, tipo de ocasião em que todo mundo capricha mais
no figurino, o casal Rodrigo Santoro e Ellen Jabour também
não dispensou o seu par o dela, por sinal, com uma
das cinturas mais baixas jamais vistas na história do vestuário.
Na última semana de moda em São Paulo, Luana Piovani
reproduziu a combinação tipo festa: top todo chique
e jeans. O namorado Ricardo Mansur foi de camiseta falsamente
surrada e, claro, o único tipo de calça que usa fora
dos campos de pólo. Numa festa em Angra dos Reis, Sophia
Alckmin, filha do governador de São Paulo e vendedora da
mitológica butique Daslu, complementou o modelo rasgadinho
com tomara-que-caia e salto. De peça básica que sempre
foi, sinônimo de descontração e informalidade,
o jeans está praticamente entronizado como "roupa de sair".
Não há festa, show ou algum dos famigerados eventos
em que não tenha uma presença maciça. "De curinga,
o jeans virou uma peça de estilo, como uma bolsa, um relógio",
acredita Riccy Souza Aranha, da grife paulistana Mixed, que endossa,
entusiasmada, a mistura da calça de brim com peças
mais chiques. Não só ela. Entre patricinhas, dasluzetes,
modelos (vide Gisele Bündchen, usuária em regime praticamente
exclusivo) e gente da moda, a combinação de jeans
com alguma peça habillée, como blusa de renda, sandália
altíssima (se for Manolo Blahnik, melhor), escarpim ou casaquinho
Chanel, praticamente não tem concorrentes.
Bob Paulino
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| Mansur
e Luana: casal unido no jeans |
"O jeans é neutro e tira um pouco o tom de perua da produção.
Fica com cara de quem não perdeu muito tempo se arrumando
o que, claro, não é verdade, porque é
preciso escolher muito bem a combinação", diz Astrid
Monteiro de Carvalho, dona da loja multimarcas Tidsy, no Rio, e
proprietária de quase cinqüenta calças diferentes
(sim, para uso próprio). Entre elas, muitas das cobiçadas
marcas internacionais, como Paper Denim, Seven e a badaladíssima
Diesel, a número 1 no circuito dos famosos. No Brasil desde
2001, a grife italiana, apesar dos preços nas alturas (um
jeans sai em média por 750 reais), caiu no gosto dos abastados,
que consomem cerca de 70.000 peças por ano. Segundo o distribuidor
da Diesel no país, Esber Hajli, o volume de negócios
nas duas lojas de São Paulo colocou a cidade na terceira
posição entre as que mais vendem jeans Diesel no mundo,
atrás de Nova York e Tóquio. "Hoje somos considerados
uma marca de luxo cujo carro-chefe é o jeans. Nossas peças
são objeto de desejo, que as pessoas compram independentemente
do preço", orgulha-se Hajli. Mas o que diferencia uma calça
de 30 reais de uma de 700?
Divulgação
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Cia. da Foto
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Na
noite: Sophia chega à festa, Ellen faz
pose no show de música
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"Um
jeans é resultado do tecido, da alquimia das lavagens e da
modelagem. No tecido variam o fio, a construção, o
tingimento e o acabamento. As lavagens mudam de acordo com a combinação
de ação química, mecânica, tempo e temperatura",
enumera Marli Guth, gerente de marketing da área de índigos
da Vicunha. A Diesel, como as grifes de qualidade, lapida cada uma
dessas etapas. Cerca de 80% do índigo consumido pela grife
é italiano. A cada estação a marca lança
trinta tons, obtidos através de lavagens feitas, em sua maioria,
em lavanderias italianas que trabalham com exclusividade para a
grife (nelas são fixadas, com o maior cuidado, as marcas
esbranquiçadas de "uso" que acompanham a calça novinha).
Uma equipe de oitenta pessoas cuida da criação e da
modelagem, toda feita na Itália. É também de
lá que saem as inovações de outra grife cultuada
pelos jovens, a Miss Sixty. Mas, no caso desta, junto com as peças
importadas são vendidas calças adaptadas por uma equipe
brasileira à modelagem e ao clima daqui, com tecidos nacionais.
"No futuro, o Brasil será um pólo produtor não
só para a América Latina, como é hoje, mas
para todo o mundo", avisa Luciana Fagnani, diretora de marketing
da grife no Brasil. O país também pode irradiar estilo:
as cinturas baixíssimas nasceram aqui e provavelmente também
não existe nenhum outro lugar no mundo onde o jeans tenha
uma presença tão avassaladora como traje social, como
se dizia antigamente. "Acontece de a pessoa se produzir para uma
festa, chegar lá e estar todo mundo de jeans", constata Angelita
Feijó, também ela fã declarada da calça
velha (na aparência) e desbotada (com todo o esmero, na Itália).
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