Edição 1842 . 25 de fevereiro de 2004

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Estilo
Festa, show, evento?
Só dá jeans

A calça mais esporte do mundo
agora
também faz par com
noite, brilho e
salto alto


Bel Moherdaui

 
Divulgação
Ernesto Rodrigues/AE
Leonardo Marinho

Variações: em Gisele, com nada, em Angelita, com tênis, e em Adriane, com coroa

No ensaio da escola de samba, calor dantesco, lá estava Adriane Galisteu de top justinho e calça jeans idem. No show no Rio de Janeiro, tipo de ocasião em que todo mundo capricha mais no figurino, o casal Rodrigo Santoro e Ellen Jabour também não dispensou o seu par – o dela, por sinal, com uma das cinturas mais baixas jamais vistas na história do vestuário. Na última semana de moda em São Paulo, Luana Piovani reproduziu a combinação tipo festa: top todo chique – e jeans. O namorado Ricardo Mansur foi de camiseta falsamente surrada e, claro, o único tipo de calça que usa fora dos campos de pólo. Numa festa em Angra dos Reis, Sophia Alckmin, filha do governador de São Paulo e vendedora da mitológica butique Daslu, complementou o modelo rasgadinho com tomara-que-caia e salto. De peça básica que sempre foi, sinônimo de descontração e informalidade, o jeans está praticamente entronizado como "roupa de sair". Não há festa, show ou algum dos famigerados eventos em que não tenha uma presença maciça. "De curinga, o jeans virou uma peça de estilo, como uma bolsa, um relógio", acredita Riccy Souza Aranha, da grife paulistana Mixed, que endossa, entusiasmada, a mistura da calça de brim com peças mais chiques. Não só ela. Entre patricinhas, dasluzetes, modelos (vide Gisele Bündchen, usuária em regime praticamente exclusivo) e gente da moda, a combinação de jeans com alguma peça habillée, como blusa de renda, sandália altíssima (se for Manolo Blahnik, melhor), escarpim ou casaquinho Chanel, praticamente não tem concorrentes.

Bob Paulino
Mansur e Luana: casal unido no jeans


"O jeans é neutro e tira um pouco o tom de perua da produção. Fica com cara de quem não perdeu muito tempo se arrumando – o que, claro, não é verdade, porque é preciso escolher muito bem a combinação", diz Astrid Monteiro de Carvalho, dona da loja multimarcas Tidsy, no Rio, e proprietária de quase cinqüenta calças diferentes (sim, para uso próprio). Entre elas, muitas das cobiçadas marcas internacionais, como Paper Denim, Seven e a badaladíssima Diesel, a número 1 no circuito dos famosos. No Brasil desde 2001, a grife italiana, apesar dos preços nas alturas (um jeans sai em média por 750 reais), caiu no gosto dos abastados, que consomem cerca de 70.000 peças por ano. Segundo o distribuidor da Diesel no país, Esber Hajli, o volume de negócios nas duas lojas de São Paulo colocou a cidade na terceira posição entre as que mais vendem jeans Diesel no mundo, atrás de Nova York e Tóquio. "Hoje somos considerados uma marca de luxo cujo carro-chefe é o jeans. Nossas peças são objeto de desejo, que as pessoas compram independentemente do preço", orgulha-se Hajli. Mas o que diferencia uma calça de 30 reais de uma de 700?

 
Divulgação
Cia. da Foto

Na noite: Sophia chega à festa, Ellen faz pose no show de música

"Um jeans é resultado do tecido, da alquimia das lavagens e da modelagem. No tecido variam o fio, a construção, o tingimento e o acabamento. As lavagens mudam de acordo com a combinação de ação química, mecânica, tempo e temperatura", enumera Marli Guth, gerente de marketing da área de índigos da Vicunha. A Diesel, como as grifes de qualidade, lapida cada uma dessas etapas. Cerca de 80% do índigo consumido pela grife é italiano. A cada estação a marca lança trinta tons, obtidos através de lavagens feitas, em sua maioria, em lavanderias italianas que trabalham com exclusividade para a grife (nelas são fixadas, com o maior cuidado, as marcas esbranquiçadas de "uso" que acompanham a calça novinha). Uma equipe de oitenta pessoas cuida da criação e da modelagem, toda feita na Itália. É também de lá que saem as inovações de outra grife cultuada pelos jovens, a Miss Sixty. Mas, no caso desta, junto com as peças importadas são vendidas calças adaptadas por uma equipe brasileira à modelagem e ao clima daqui, com tecidos nacionais. "No futuro, o Brasil será um pólo produtor não só para a América Latina, como é hoje, mas para todo o mundo", avisa Luciana Fagnani, diretora de marketing da grife no Brasil. O país também pode irradiar estilo: as cinturas baixíssimas nasceram aqui e provavelmente também não existe nenhum outro lugar no mundo onde o jeans tenha uma presença tão avassaladora como traje social, como se dizia antigamente. "Acontece de a pessoa se produzir para uma festa, chegar lá e estar todo mundo de jeans", constata Angelita Feijó, também ela fã declarada da calça velha (na aparência) e desbotada (com todo o esmero, na Itália).

 
 
 
 
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