Edição 1842 . 25 de fevereiro de 2004

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Energia
Óleo de dendê?
Encha o tanque

Começa neste ano a produção no
primeiro empreendimento comercial
para fabricar biodiesel no Brasil


Leonardo Coutinho

Fala-se há tanto tempo da existência de um combustível vegetal capaz de substituir o óleo diesel em quase todas as suas aplicações sem que se vejam resultados que a maioria das pessoas já acha que essa é uma conversa de cientista louco. Agora a idéia está saindo das pesquisas em laboratório e se transformando numa empreitada real, o primeiro investimento comercial no ramo, que, dentro de um ano, estará operando para suprir parte do consumo de óleo diesel da Amazônia. O chefão do empreendimento é o empresário Aloysio Faria, ex-dono do Banco Real e controlador do Grupo Alfa. Este, por sua vez, possui a empresa de óleo de dendê Agropalma, responsável pela primeira usina de biodiesel no país, cujas obras começam no próximo mês, em Belém.

Apesar de o Brasil ter todas as matérias-primas e conhecimento tecnológico para produzir biodiesel em grande escala, o país está, na verdade, chegando atrasado a esse estágio. Em praticamente todos os países da Comunidade Européia há postos que oferecem essa alternativa aos motoristas, com óleo feito de canola. Na usina de Belém, a matéria-prima são os rejeitos da produção do dendê, o que vai tornar a fabricação do óleo brasileiro ainda mais barata que a do similar utilizado, por exemplo, para mover quase toda a frota pesqueira da França. No pátio da Agropalma, já há tratores testando o novo combustível, cujo rendimento é equivalente ao do óleo convencional, com a vantagem de ser menos poluente. Os motores não precisam de nenhuma adaptação especial para receber o biodiesel.

Ronaldo Kotscho
Fruto do dendê: sobra do óleo vira diesel


Desde a invenção do motor a óleo sabe-se que extratos vegetais também podem ser usados para movê-lo, mas, até o refinamento das pesquisas com o biodiesel, isso custava três vezes mais do que utilizar o derivado de petróleo. "Agora temos uma opção com custo muito menor", diz o químico Donato Aranda, que trabalhou no desenvolvimento do óleo na Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Por enquanto, ninguém poderá abastecer veículos com o produto em postos convencionais. A regulamentação do setor permite que essa alternativa seja vendida apenas para frotistas, no atacado. Também os ganhos nos custos de produção não devem chegar ao consumidor final. "Esperamos vender o biodiesel pelo menos ao mesmo preço que o combustível comum, devido a suas vantagens ambientais", avisa o diretor executivo da Agropalma, Hilário Freitas. Diante do consumo nacional de óleo, a produção da Agropalma, de 16 milhões de litros por ano no segundo ano de produção, não é significativa. Mas ela abre nova perspectiva para o setor. No ano passado, o país gastou 800 milhões de dólares com a importação de óleo diesel.

 
 
 
 
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