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Energia
Óleo
de dendê?
Encha o tanque
Começa neste ano a produção
no
primeiro
empreendimento comercial
para fabricar biodiesel no Brasil

Leonardo
Coutinho
Fala-se
há tanto tempo da existência de um combustível
vegetal capaz de substituir o óleo diesel em quase todas
as suas aplicações sem que se vejam resultados que
a maioria das pessoas já acha que essa é uma conversa
de cientista louco. Agora a idéia está saindo das
pesquisas em laboratório e se transformando numa empreitada
real, o primeiro investimento comercial no ramo, que, dentro de
um ano, estará operando para suprir parte do consumo de óleo
diesel da Amazônia. O chefão do empreendimento é
o empresário Aloysio Faria, ex-dono do Banco Real e controlador
do Grupo Alfa. Este, por sua vez, possui a empresa de óleo
de dendê Agropalma, responsável pela primeira usina
de biodiesel no país, cujas obras começam no próximo
mês, em Belém.
Apesar de o Brasil ter todas as matérias-primas e conhecimento
tecnológico para produzir biodiesel em grande escala, o país
está, na verdade, chegando atrasado a esse estágio.
Em praticamente todos os países da Comunidade Européia
há postos que oferecem essa alternativa aos motoristas, com
óleo feito de canola. Na usina de Belém, a matéria-prima
são os rejeitos da produção do dendê,
o que vai tornar a fabricação do óleo brasileiro
ainda mais barata que a do similar utilizado, por exemplo, para
mover quase toda a frota pesqueira da França. No pátio
da Agropalma, já há tratores testando o novo combustível,
cujo rendimento é equivalente ao do óleo convencional,
com a vantagem de ser menos poluente. Os motores não precisam
de nenhuma adaptação especial para receber o biodiesel.
Ronaldo Kotscho
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| Fruto
do dendê: sobra do óleo vira diesel |
Desde a invenção do motor a óleo sabe-se que
extratos vegetais também podem ser usados para movê-lo,
mas, até o refinamento das pesquisas com o biodiesel, isso
custava três vezes mais do que utilizar o derivado de petróleo.
"Agora temos uma opção com custo muito menor", diz
o químico Donato Aranda, que trabalhou no desenvolvimento
do óleo na Escola de Química da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Por enquanto, ninguém poderá abastecer
veículos com o produto em postos convencionais. A regulamentação
do setor permite que essa alternativa seja vendida apenas para frotistas,
no atacado. Também os ganhos nos custos de produção
não devem chegar ao consumidor final. "Esperamos vender o
biodiesel pelo menos ao mesmo preço que o combustível
comum, devido a suas vantagens ambientais", avisa o diretor executivo
da Agropalma, Hilário Freitas. Diante do consumo nacional
de óleo, a produção da Agropalma, de 16 milhões
de litros por ano no segundo ano de produção, não
é significativa. Mas ela abre nova perspectiva para o setor.
No ano passado, o país gastou 800 milhões de dólares
com a importação de óleo diesel.
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