Edição 1842 . 25 de fevereiro de 2004

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Esporte
O rali da caminhada

O enduro a pé, competição que
não exige preparo físico, recebe
cada vez mais adeptos


Diogo Schelp

Renata Ursaia
Travessia de rio: as competições de trekking valorizam o espírito de equipe

DA INTERNET
Trilha Brazil (SP)
Enduro a Pé (SP)
Minas Trekking (MG)
Trekking em Sergipe (SE)
Trilha a pé (RJ)
North Brazil (SP)
Interponta (PR)
CC Trekking (ES)
Paz na Terra (SC)
Trilha Pé (PR)
Paletada (BA)

Um grupo composto por médicos com mais de 40 anos caminha contra a correnteza dentro de um rio lamacento, com água até a cintura. Um deles conta o número de passos, outro se esforça para não molhar o bloquinho com indicações do trajeto e um terceiro controla o tempo no cronômetro. O que fazem esses típicos cidadãos urbanos em uma situação tão desconfortável? Parece estranho, mas eles estão se divertindo e relaxando de uma semana estressante no trabalho e nos estudos. A caminhada no rio é um dos trechos emocionantes de uma modalidade que vem ganhando adeptos. Mais de 4.000 brasileiros participam todos os meses de competições de trekking em oito Estados. O enduro a pé, como é chamado o esporte, possui as mesmas regras de um rali de motocicletas ou automóveis, em que o que conta é a regularidade. Ou seja, o objetivo é fazer o percurso no tempo exato estipulado pelos organizadores da competição. No dia da prova, cada equipe, que pode ter entre três e seis integrantes, recebe uma planilha com as indicações do caminho, as distâncias a ser percorridas e a velocidade média. O percurso inclui trechos de rio, matas, campos e estradas de terra. Ao longo da trilha estão distribuídos postos de controle que registram o tempo das equipes em cada trecho da prova.

As tarefas e os equipamentos são divididos: o navegador usa a planilha e a bússola para encontrar o caminho certo, o calculista controla o tempo e a velocidade e o contador de passos mede a distância. "É uma atividade desafiante justamente porque exige o entrosamento do grupo", diz a advogada Crislaine Simões, de 28 anos, que no domingo 15 participou de uma prova do Campeonato Paulista de Trekking nos arredores da cidade de Atibaia. Se a equipe não se perder nenhuma vez, é desnecessário correr para recuperar o tempo. Por isso, é um esporte que pode ser praticado por gente de qualquer idade e com pouco preparo físico. Há até circuitos especiais, de 2 quilômetros, para crianças. Os percursos para adultos têm até 12 quilômetros em terreno acidentado e duração de três a quatro horas. É brasileira a idéia de transpor para o trekking as normas dos enduros motorizados ou a cavalo. A primeira competição desse tipo aconteceu em 1986 em Minas Gerais. Hoje, há até uma liga nacional. Os competidores são, em sua maioria, moradores das cidades que gostam de atividades ao ar livre, mas não querem nada muito pesado e estressante. "Para nós, é um alento saber que todo mês tem um domingo em que saímos da neura da cidade grande para superar desafios na mata", diz Anselmo Galvão Leal, de 40 anos, médico que participa há dois anos do Campeonato Paulista de Trekking com sua família e com amigos.

 

EQUIPADO PARA CAMINHAR

Além da inscrição, em torno de 30 reais, o enduro a pé exige poucos equipamentos básicos (preços médios)



Bota de trekking
200 reais
Bússola
70 reais
Garrafa para água
30 reais
Pedômetro
de 40 a 130 reais
Cronômetro
100 reais

 

Foto Xico Buny, Fabio Mangabeira, Dercilio e Mari Queiroz

 

 
 
 
 
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