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Esporte
O
rali da caminhada
O
enduro a pé, competição que
não exige preparo físico, recebe
cada vez mais adeptos

Diogo
Schelp
Renata Ursaia
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| Travessia
de rio: as competições de trekking valorizam o
espírito de equipe |
Um
grupo composto por médicos com mais de 40 anos caminha contra
a correnteza dentro de um rio lamacento, com água até
a cintura. Um deles conta o número de passos, outro se esforça
para não molhar o bloquinho com indicações
do trajeto e um terceiro controla o tempo no cronômetro. O
que fazem esses típicos cidadãos urbanos em uma situação
tão desconfortável? Parece estranho, mas eles estão
se divertindo e relaxando de uma semana estressante no trabalho
e nos estudos. A caminhada no rio é um dos trechos emocionantes
de uma modalidade que vem ganhando adeptos. Mais de 4.000
brasileiros participam todos os meses de competições
de trekking em oito Estados. O enduro a pé, como é
chamado o esporte, possui as mesmas regras de um rali de motocicletas
ou automóveis, em que o que conta é a regularidade.
Ou seja, o objetivo é fazer o percurso no tempo exato estipulado
pelos organizadores da competição. No dia da prova,
cada equipe, que pode ter entre três e seis integrantes, recebe
uma planilha com as indicações do caminho, as distâncias
a ser percorridas e a velocidade média. O percurso inclui
trechos de rio, matas, campos e estradas de terra. Ao longo da trilha
estão distribuídos postos de controle que registram
o tempo das equipes em cada trecho da prova.
As
tarefas e os equipamentos são divididos: o navegador usa
a planilha e a bússola para encontrar o caminho certo, o
calculista controla o tempo e a velocidade e o contador de passos
mede a distância. "É uma atividade desafiante justamente
porque exige o entrosamento do grupo", diz a advogada Crislaine
Simões, de 28 anos, que no domingo 15 participou de uma prova
do Campeonato Paulista de Trekking nos arredores da cidade de Atibaia.
Se a equipe não se perder nenhuma vez, é desnecessário
correr para recuperar o tempo. Por isso, é um esporte que
pode ser praticado por gente de qualquer idade e com pouco preparo
físico. Há até circuitos especiais, de 2 quilômetros,
para crianças. Os percursos para adultos têm até
12 quilômetros em terreno acidentado e duração
de três a quatro horas. É brasileira a idéia
de transpor para o trekking as normas dos enduros motorizados ou
a cavalo. A primeira competição desse tipo aconteceu
em 1986 em Minas Gerais. Hoje, há até uma liga nacional.
Os competidores são, em sua maioria, moradores das cidades
que gostam de atividades ao ar livre, mas não querem nada
muito pesado e estressante. "Para nós, é um alento
saber que todo mês tem um domingo em que saímos da
neura da cidade grande para superar desafios na mata", diz Anselmo
Galvão Leal, de 40 anos, médico que participa há
dois anos do Campeonato Paulista de Trekking com sua família
e com amigos.
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EQUIPADO
PARA CAMINHAR
Além
da inscrição, em torno de 30 reais, o
enduro a pé exige poucos equipamentos básicos
(preços médios)
Foto Xico Buny, Fabio
Mangabeira, Dercilio e Mari Queiroz
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