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Telefonia
O império sem fio da Cingular
A Cingular paga 41 bilhões de dólares
para incorporar a AT&T Wireless
e se
torna a maior empresa do mercado
americano de telefonia celular

Carlos
Rydlewski e Leandra Peres
Tudo
o que é sólido se concretiza no ar. Essa frase, uma
brincadeira com o título de um livro-cabeça lançado
na década de 80, é uma boa maneira de definir o negócio
ultramegabilionário que sacudiu o mercado americano de telecomunicações
na semana passada. A Cingular, uma subsidiária da BellSouth
e da SBC Communications, comprou a AT&T Wireless por incríveis
41 bilhões de dólares. A aquisição a
transformou na primeira empresa do setor de telefonia sem fio dos
Estados Unidos, com 46 milhões de clientes, o equivalente
à população da Inglaterra. Os 41 bilhões
de dólares em dinheiro representam um valor não muito
distante dos 47 bilhões de dólares que o Bank of America
desembolsou para incorporar o FleetBoston Financial, no ano passado.
A briga pela AT&T Wireless foi brava e envolveu a inglesa Vodafone.
A primeira proposta apresentada pelas duas interessadas foi muito
parecida, em torno de 13 dólares por ação.
A Cingular, então, aumentou a oferta, que foi imediatamente
coberta pela concorrente inglesa. Para conseguir fechar o negócio,
teve de pagar 15 dólares por ação, um ágio
de 27% em relação ao preço de mercado dos papéis.
Além do pagamento aos acionistas, a Cingular vai assumir
dívidas de 6 bilhões de dólares da AT&T
Wireless. Concluído o leilão, a Vodafone também
saiu ganhando. As ações da empresa haviam caído
mais de 8% desde o anúncio de sua participação
no leilão de compra da AT&T Wireless. Os investidores
temiam que a companhia, que já tem 45% de participação
na Verizon Wireless, pagasse muito caro no embate. Assim que anunciou
a desistência, a Vodafone teve suas ações valorizadas
em 6%.
AP
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| Bolsa
de Valores de Nova York: agora é apostar que o governo chancele
a transação |
A
tacada da Cingular foi ousada, mas está longe de ser uma
maluquice. O futuro é sem fio, como demonstra o crescimento
extraordinário nessa área. Em cada grupo de 1.000
pessoas em todo o mundo, 157 têm telefone celular. Em 1999,
essa proporção era de 84. Ou seja, em menos de cinco
anos, a base desse mercado quase dobrou. À frente da decisão
de compra da AT&T Wireless está Stan Sigman, o presidente
da Cingular, um sujeito irascível e que gosta de cobrar resultados
até quando encontra subordinados no cafezinho. Quando assumiu
a companhia, em 2002, reuniu todos os gerentes e lhes passou um
sabão por causa de uma campanha de marketing que julgava
pouco clara. Depois disso, deu um prazo de trinta dias para que
ela fosse mudada. Trinta dias para mudar uma campanha de marketing
de uma empresa gigante pode ser o equivalente a dar a volta ao mundo
em oitenta dias no século XIX. É provável que
Sigman se torne ainda mais insuportável nos próximos
tempos. Fortes ajustes internos terão de ser feitos. A AT&T
Wireless é a campeã em reclamações de
consumidores. E a média das contas dos clientes da Cingular
vem caindo consistentemente. Para complicar o quadro, Sigman terá
de lutar para aprovar a aquisição na Comissão
Federal de Comunicações, que regula a competição
do setor nos Estados Unidos. O acordo que viabilizou a união
entre as duas empresas fixa em 8,25 bilhões de dólares
o valor máximo de ativos que elas concordam em vender para
satisfazer as exigências legais é comum que,
para chancelar um negócio como esse, o governo obrigue seus
participantes a diminuir de tamanho, a fim de não configurar
competição desleal. Se as autoridades determinarem
um valor mais elevado, o negócio pode ser desfeito.
A Cingular espera reduzir custos com a fusão dos setores
de cobrança, melhorar a oferta de serviços e lucrar
com a ampliação da área de cobertura. Também
acredita que obterá uma posição mais forte
para negociar com seus fornecedores. O diretor de operações
da Cingular, Ralph de la Vega, já avisou que deve haver demissões
entre os 70.000 funcionários da nova companhia, mas não
forneceu números. Antes de a compra ser concretizada, a AT&T
Wireless havia anunciado um plano de mandar para a rua, até
o fim de 2005, quase 2.000 de seus 31.000 funcionários. Empregos
aparentemente sólidos se desmancharão no ar.
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