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Ciência
A
dorzinha que vira doença
Inflamação
crônica pode aumentar
os riscos de infarto e câncer
Egberto Nogueira
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| Exercícios
físicos e alimentação saudável ainda são as melhores armas contra
doenças cardiovasculares |
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Qual a relação entre uma inflamação
persistente no estômago, a conhecida gastrite, e o risco de
sofrer um ataque cardíaco, ter câncer de cólon
ou desenvolver o mal de Alzheimer, uma doença degenerativa
que destrói as células do cérebro? Cientistas
americanos descobriram que pessoas que apresentam um processo de
inflamação crônica por anos seguidos têm
mais probabilidade de ser vítimas de um infarto. A inflamação
é uma defesa natural do organismo para combater bactérias,
vírus e parasitas. Quando alguém chuta, sem querer,
uma porta e contunde o dedão do pé, o cérebro
manda uma mensagem para que as células sadias do corpo travem
uma batalha para livrar aquela região de organismos estranhos
ou células mortas. Em termos simples, esse é o processo
da inflamação. O local fica vermelho e inchado. Em
alguns casos, como na gastrite, a inflamação pode
durar anos.
O
que se sabe com certeza é que a inflamação
crônica pode alterar o nível de colesterol das artérias
coronarianas, facilitando a ocorrência de entupimentos. Os
médicos sabem também que os eventos que dão
origem a um ataque cardíaco culminam com um processo inflamatório.
É esse processo, o súbito acúmulo de células
de defesa em uma região parcialmente obstruída da
artéria, que leva à interrupção da passagem
do sangue e, conseqüentemente, ao infarto. Existem evidências
ainda parciais de que processos inflamatórios estariam envolvidos
na ocorrência do mal de Alzheimer e de alguns tipos de câncer.
Os
cardiologistas foram os primeiros a reconhecer os efeitos da inflamação
sobre a saúde do coração. Até alguns
anos atrás, o ataque cardíaco era visto apenas como
um fenômeno de entupimento das artérias que irrigam
o músculo cardíaco. O colesterol era o vilão
que entupia artérias e impedia o fluxo de sangue para o coração.
Realmente, uma pessoa com alto nível de colesterol tem mais
possibilidade de desenvolver doenças cardíacas. Mas
pesquisas nos Estados Unidos mostraram que grande parte dos ataques
cardíacos ocorre em pacientes com níveis normais de
colesterol. Descobriu-se, então, que as pessoas mais suscetíveis
a um ataque cardíaco eram aquelas que tinham no sangue altas
doses de uma proteína chamada C-reativa. Pessoas nessa situação
corriam um risco três vezes maior de sofrer um ataque do coração.
A proteína C-reativa é produzida pelo fígado
em decorrência dos processos inflamatórios. "Exames
comprovaram que a incidência dessa proteína aumenta
a probabilidade de ocorrer um infarto", diz Agnaldo Anelli, oncologista
do Hospital do Câncer, em São Paulo.
O
que fazer para se prevenir? Atividades físicas e a redução
do colesterol ajudam a diminuir a proteína C-reativa no sangue.
Colesterol, pressão alta e fumo contribuem muito mais para
o risco de infartos do que a inflamação crônica,
que sozinha não é suficiente para produzir perigos
ao coração. Comer frutas, verduras e legumes, manter
o peso adequado e esmerar-se na higiene bucal são armas importantes.
Experiências sugerem o uso de antiinflamatórios como
uma possibilidade de afastar as doenças, mas com exceção
da aspirina ainda não existem protocolos de uso desses
comprimidos com o objetivo específico de evitar infarto,
Alzheimer ou câncer. Na teoria, esses medicamentos anulariam
ou amenizariam os processos inflamatórios e poderiam evitar
o risco de muitas doenças graves. Em pacientes com propensão
a infartos fumantes, sedentários, obesos, hipertensos
, o uso diário de uma aspirina infantil é suficiente
para reduzir o risco de problemas cardíacos. "Orientação
médica é fundamental. Se tomada erradamente, a aspirina
pode causar sangramento digestivo ou inibir a ação
de outros medicamentos", diz Otávio Rizzi Coelho, professor
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Médicos
americanos já estão testando com mais intensidade
os antiinflamatórios vendidos em farmácias. Em 2000,
pesquisas concluíram que pacientes que tomaram Celebra, um
medicamento da Pfizer usado para tratar artrite, ficaram menos vulneráveis
a desenvolver células cancerígenas no intestino. Diversas
clínicas médicas estão testando o medicamento
na prevenção de câncer de mama, perda de memória
e doenças degenerativas. O laboratório de biotecnologia
deCode Genetics anunciou há duas semanas que vai testar se
um antiinflamatório usado no combate à asma pode prevenir
ataques do coração.
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Como
vencer a inflamação
Com
a descoberta de que doenças graves como os ataques
cardíacos, alguns tipos de câncer e o mal
de Alzheimer podem ter como uma das causas as inflamações,
os médicos passaram a aconselhar cuidados especiais
com elas. Algumas de suas sugestões:
EXERCÍCIOS
Praticar exercícios regularmente,
pelo menos trinta minutos por dia, é um aliado
na luta contra a inflamação. Queimar calorias
ajuda a reduzir as células de gordura, que são
um dos fatores envolvidos nos processos inflamatórios.
ALIMENTAÇÃO
O consumo de peixe, óleos vegetais,
frutas e legumes aumenta a quantidade de substâncias
antioxidantes cuja presença no organismo inibe
os efeitos destrutivos das inflamações.
MEDICAÇÃO
Um médico pode recomendar a ingestão
regular de aspirina para evitar inflamações
em geral. As estatinas, substâncias que diminuem
o colesterol, podem ter efeito antiinflamatório
sobre o interior das artérias e, assim, aumentar
seu efeito protetor do sistema cardiovascular. Pesquisas
mostram também o efeito benéfico de certos
medicamentos antiinflamatórios não esteróides.
HIGIENE
ORAL
Escovar os dentes e usar o fio dental regularmente
ajuda a afastar o risco de doenças periodontais
e gengivite, uma das portas de entrada mais comuns para
as inflamações.
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