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Haiti
De mal a pior
Revolta pode tirar Aristide
do poder no Haiti.
E desta vez
os EUA não pretendem salvá-lo
Reuters
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| Presidente
Aristide: fraude e corrupção |
Dez
anos atrás, com apoio internacional, os Estados Unidos invadiram
o Haiti para devolver o poder ao presidente Jean-Bertrand Aristide.
Eleito no primeiro pleito democrático da história
haitiana, ele fora deposto por um golpe militar. Na época,
poucos anos depois do colapso da União Soviética,
a doutrina americana era não tolerar golpes ou ditaduras
nas Américas. Havia ainda uma razão pragmática:
o caos tinha provocado um êxodo em massa de 30.000 haitianos
em embarcações precárias rumo à Flórida.
Na semana passada, o Haiti estava novamente mergulhado em confusão
e matança. Rebelados contra Aristide, milicianos a soldo
de caudilhos regionais tinham tomado várias cidades do interior
e preparavam o assalto à capital, Porto Príncipe.
Há dezenas de mortos e começa a faltar comida na cidade.
A Casa Branca estima que, se as coisas piorarem, o êxodo de
refugiados poderá chegar a 50.000 pessoas. Ainda assim, os
Estados Unidos querem distância da encrenca. Uma razão
é que estão ocupados com outro conflito, no Iraque.
A outra é que a maioria dos países vê com desesperança
a possibilidade de pôr ordem no Haiti, a nação
mais pobre das Américas. Por fim, há o fato de Aristide
ser um péssimo presidente.
Padre popular devido a seu trabalho comunitário nas favelas
de Porto Príncipe, Aristide largou a batina quando entrou
na política. Revelou-se uma decepção. Seus
dez anos de governo em nada melhoraram a situação
de miséria e desespero no Haiti, onde metade da população
de 7,5 milhões de pessoas é subnutrida. Os partidos
de oposição acusam o presidente de corrupção
e de ter fraudado os resultados das eleições parlamentares
do início de 2000 e parece que têm razão
em ambos os casos. Como protesto, boicotaram a eleição
presidencial no fim daquele ano. Sem adversários, Aristide
foi reeleito com facilidade. Na época, como punição,
o Haiti parou de receber ajuda anual de 500 milhões de dólares
do Banco Mundial. O embargo foi inócuo: o presidente continuou
no poder, a miséria aumentou. Para piorar, o presidente recusa-se
a negociar com a oposição uma saída política.
"Os Estados Unidos estão pagando pelo erro de ter reconhecido
a reeleição de Aristide", disse a VEJA o cientista
político americano Robert Fatton Junior, autor de vários
livros sobre o Haiti.
Os rebelados, infelizmente, não são melhores. A principal
milícia é a Frente de Resistência de Artibonite.
Ex-aliada do presidente, a organização mudou de lado
e de nome. Antes era conhecida como Exército Canibal, o que
dá uma idéia de sua truculência. A milícia
pró-Aristide é chamada de Monstros. Grupos armados
de saudosistas da ditadura da família Duvalier, que governou
o país por trinta anos, também entraram na briga.
O Haiti não tem mais Exército, dissolvido por Aristide
em 1994, apenas uma força policial de 5.000 homens. A distribuição
de alimentos na capital depende das estradas que ligam a cidade
ao interior, a maioria sob domínio de bandos rebeldes. A
situação vai de mal a pior.
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