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Estados
Unidos
Até
que a lei os separe
São
Francisco libera matrimônio gay
e faz 2 600 casamentos em cinco dias
Reuters
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Lésbicas
festejam depois de receber a certidão: alguns tiveram
de
esperar mais de
um dia na fila
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A
cidade americana de São Francisco, na Califórnia,
é conhecida por sua convivência pacífica com
uma grande comunidade de homossexuais. Na semana passada, essa relação
especial alcançou um patamar inédito. Há duas
semanas, o prefeito Gavin Newsom democrata, 36 anos, heterossexual
e casado liberou o casamento entre gays. Desde então,
centenas de casais do mesmo sexo, alguns vindos de outros Estados
e até uma brasileira, Marta Donayre, 34 anos, que trocou
alianças com uma americana com quem vive há quatro
anos, apresentam-se diariamente na prefeitura de São Francisco.
Muitos acampam em frente ao prédio durante a noite para garantir
um lugar. Apesar da espera de mais de um dia em alguns casos, o
ambiente na fila é de festa e muitas mulheres aguardam vestidas
de noiva. Em apenas cinco dias, foram concedidas 2.600 certidões
de casamento, 825 só na terça-feira. Para atender
os casais, a prefeitura precisou fazer um mutirão e manteve
as portas abertas no fim de semana.
A demora não parece incomodar ninguém. Ao contrário,
a longa fila converteu-se numa espécie de grande festa de
casamento. Doug Benson, 50 anos, e Duane Gajewski, 40, vieram de
outro Estado e entraram na fila às 4 horas da madrugada de
terça-feira. Só conseguiram se casar no início
da tarde, mas a demora não os incomodou. "Meus pais se casaram
aqui, na II Guerra. Então, isso é muito especial para
mim", disse Benson. Morador de Chicago, no norte dos Estados Unidos,
o dançarino Massimo Pacilli viajou para a Califórnia
para oficializar sua relação com o companheiro Geoff
Myers. "Este é o dia mais feliz da minha vida", disse Massimo.
"Nunca pensei que chegaria".
São Francisco é a primeira cidade americana a liberar
casamentos gays. No Estado de Massachusetts, a Justiça determinou
que esse tipo de união comece a valer a partir de maio. A
decisão foi possível porque nos Estados Unidos o matrimônio
não é regido por uma lei federal. Ainda assim, as
certidões de casamento correm o risco de ser anuladas. Isso
é o que pedem grupos conservadores que entraram na Justiça
baseados na lei estadual que proíbe casamentos de pessoas
do mesmo sexo. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger,
apelou para que a prefeitura de São Francisco respeite a
lei estadual e pare de emitir certidões de casamento para
os gays.
As coloridas filas diante da prefeitura de São Francisco
ameaçam colocar o assunto casamento gay no centro da campanha
eleitoral pela Presidência por mais que os candidatos
prefiram distância do assunto. O presidente George W. Bush
estuda a proposta de uma emenda à Constituição
definindo o casamento como a união entre um homem e uma mulher.
Se aprovar o projeto, irá se indispor com o bem articulado
lobby gay. Mas também poderá conquistar votos para
sua reeleição. De acordo com pesquisa do Instituto
Gallup, 59% dos americanos acham que os casamentos entre homossexuais
devem ser anulados. Enquanto não houver uma decisão
judicial, o prefeito Gavin Newsom permanece decidido a continuar.
"A legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo
sexo é algo inevitável. Cedo ou tarde vai acontecer",
diz Newsom.
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