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Colômbia
O sucesso da política
de mão pesada
Ofensiva do governo na Colômbia
reduz seqüestros e corta pela
metade contingente guerrilheiro

Diogo
Schelp
Reuters
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AP
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| Guerrilheiros
mortos pelo Exército e o presidente Uribe: a ordem é
endurecer com criminosos |
O
presidente Álvaro Uribe foi eleito em 2002 com a promessa
de adotar uma política de linha dura contra a guerrilha comunista
e seus aliados do narcotráfico. No exterior, poucos acreditaram
que ele poderia fazer diferença num país tão
profundamente marcado pela violência. Além de ser palco
de uma luta armada que se prolonga há quarenta anos, a Colômbia
é o maior produtor e exportador de cocaína e, em termos
porcentuais, o campeão mundial em quantidade de assassinatos
e seqüestros. Um ano e meio depois, a mão pesada do
presidente mostra resultados espantosos: o número de seqüestros
caiu 30% entre 2002 e 2003, a taxa de homicídios é
a menor desde 1986 e foi aplicado um duro golpe na produção
de cocaína. Desde 2002, metade dos 22.000 combatentes das
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)
e do Exército de Libertação Nacional (ELN)
foi morta ou presa.
O governo anterior havia tentado negociar um acordo de paz com as
Farc e o ELN. Os guerrilheiros aproveitaram o cessar-fogo para se
fortalecer militarmente, expandir seu território de influência
e dar novo vigor a suas tradicionais atividades: o seqüestro,
a extorsão e a venda de proteção ao narcotráfico.
Em 2002, o terrorismo chegou às grandes cidades, explodindo
carros-bomba em bairros residenciais e em clubes sociais. Do ponto
de vista do presidente Uribe, as Farc e o ELN não passam
de grupos terroristas e não têm nenhuma legitimidade
política. Por isso, não merecem trégua ou negociações
cordiais.
AFP
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| Protesto
contra seqüestros: número de casos caiu 30% |
O
presidente, cujo pai foi morto pela guerrilha há vinte anos,
adotou uma estratégia ofensiva. O contingente do Exército
aumentou. Os embates com as forças ilegais também.
Em janeiro, em uma operação que contou com a ajuda
de agentes americanos, foi preso um líder histórico
da guerrilha, Ricardo Palmera, que havia se refugiado no Equador.
No fim do ano passado, o Congresso aprovou uma lei antiterrorismo
que dá ao Exército poderes judiciais de busca e apreensão,
além do direito de fazer escutas telefônicas. A guerrilha
teve de recuar para regiões onde é tradicionalmente
mais forte, nas províncias de Meta e Caquetá. Ali
estão concentrados os campos de treinamento das Farc.
Em outra frente de batalha, Uribe tem tentado convencer a milícia
Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) a depor suas armas. A
AUC é formada por paramilitares de direita, armados por fazendeiros
para combater as guerrilhas comunistas. Eles seguem uma lei própria,
são financiados por traficantes de drogas e mataram 600 pessoas
no último ano. Em 2003, mais de 800 desses combatentes irregulares
depuseram as armas. Entre mortos e presos, 30% do contingente da
AUC está fora de combate. Uribe defende uma espécie
de meia anistia para os paramilitares que abandonarem a vida criminosa
voluntariamente. Eles pagariam apenas uma indenização
a suas vítimas e não seriam presos.
A mão pesada de Uribe tem o apoio dos colombianos: 80% da
população aprova seu governo. Impulsionada pelo aumento
da confiança do empresariado local e dos investidores externos,
a economia cresceu 3% no ano passado, o melhor índice desde
1997. A situação da Colômbia, no entanto, ainda
está longe de uma saída definitiva. Apesar de os seqüestros
terem diminuído, ainda há centenas de reféns
nas mãos da guerrilha, incluindo Ingrid Betancourt, capturada
quando concorria à Presidência da República.
Os seqüestradores de Ingrid, os guerrilheiros das Farc, são
idolatrados por parte da esquerda mundial, inclusive no Brasil,
por sua origem como movimento revolucionário e social. Há
muito tempo as Farc se tornaram anacrônicas e enveredaram
pelo puro banditismo. Com a queda do comunismo soviético,
em 1991, a organização perdeu sua principal fonte
de financiamento. A partir de 1995, depois da destruição
dos grandes cartéis do narcotráfico, traficantes menores
começaram a contratar as Farc para protegê-los. É
um relacionamento que rende aos guerrilheiros mais de 2,5 bilhões
de reais por ano. Por isso, o desmantelamento da guerrilha anda
junto com o combate ao narcotráfico. Desde que Uribe assumiu,
metade dos 102.000 hectares de plantações de coca
na Colômbia foi destruída.
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