Edição 1842 . 25 de fevereiro de 2004

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Colômbia
O sucesso da política
de mão pesada

Ofensiva do governo na Colômbia
reduz seqüestros e corta pela
metade contingente guerrilheiro


Diogo Schelp

 
Reuters
AP
Guerrilheiros mortos pelo Exército e o presidente Uribe: a ordem é endurecer com criminosos

O presidente Álvaro Uribe foi eleito em 2002 com a promessa de adotar uma política de linha dura contra a guerrilha comunista e seus aliados do narcotráfico. No exterior, poucos acreditaram que ele poderia fazer diferença num país tão profundamente marcado pela violência. Além de ser palco de uma luta armada que se prolonga há quarenta anos, a Colômbia é o maior produtor e exportador de cocaína e, em termos porcentuais, o campeão mundial em quantidade de assassinatos e seqüestros. Um ano e meio depois, a mão pesada do presidente mostra resultados espantosos: o número de seqüestros caiu 30% entre 2002 e 2003, a taxa de homicídios é a menor desde 1986 e foi aplicado um duro golpe na produção de cocaína. Desde 2002, metade dos 22.000 combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) foi morta ou presa.

O governo anterior havia tentado negociar um acordo de paz com as Farc e o ELN. Os guerrilheiros aproveitaram o cessar-fogo para se fortalecer militarmente, expandir seu território de influência e dar novo vigor a suas tradicionais atividades: o seqüestro, a extorsão e a venda de proteção ao narcotráfico. Em 2002, o terrorismo chegou às grandes cidades, explodindo carros-bomba em bairros residenciais e em clubes sociais. Do ponto de vista do presidente Uribe, as Farc e o ELN não passam de grupos terroristas e não têm nenhuma legitimidade política. Por isso, não merecem trégua ou negociações cordiais.

 
AFP
Protesto contra seqüestros: número de casos caiu 30%

O presidente, cujo pai foi morto pela guerrilha há vinte anos, adotou uma estratégia ofensiva. O contingente do Exército aumentou. Os embates com as forças ilegais também. Em janeiro, em uma operação que contou com a ajuda de agentes americanos, foi preso um líder histórico da guerrilha, Ricardo Palmera, que havia se refugiado no Equador. No fim do ano passado, o Congresso aprovou uma lei antiterrorismo que dá ao Exército poderes judiciais de busca e apreensão, além do direito de fazer escutas telefônicas. A guerrilha teve de recuar para regiões onde é tradicionalmente mais forte, nas províncias de Meta e Caquetá. Ali estão concentrados os campos de treinamento das Farc.

Em outra frente de batalha, Uribe tem tentado convencer a milícia Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) a depor suas armas. A AUC é formada por paramilitares de direita, armados por fazendeiros para combater as guerrilhas comunistas. Eles seguem uma lei própria, são financiados por traficantes de drogas e mataram 600 pessoas no último ano. Em 2003, mais de 800 desses combatentes irregulares depuseram as armas. Entre mortos e presos, 30% do contingente da AUC está fora de combate. Uribe defende uma espécie de meia anistia para os paramilitares que abandonarem a vida criminosa voluntariamente. Eles pagariam apenas uma indenização a suas vítimas e não seriam presos.

A mão pesada de Uribe tem o apoio dos colombianos: 80% da população aprova seu governo. Impulsionada pelo aumento da confiança do empresariado local e dos investidores externos, a economia cresceu 3% no ano passado, o melhor índice desde 1997. A situação da Colômbia, no entanto, ainda está longe de uma saída definitiva. Apesar de os seqüestros terem diminuído, ainda há centenas de reféns nas mãos da guerrilha, incluindo Ingrid Betancourt, capturada quando concorria à Presidência da República. Os seqüestradores de Ingrid, os guerrilheiros das Farc, são idolatrados por parte da esquerda mundial, inclusive no Brasil, por sua origem como movimento revolucionário e social. Há muito tempo as Farc se tornaram anacrônicas e enveredaram pelo puro banditismo. Com a queda do comunismo soviético, em 1991, a organização perdeu sua principal fonte de financiamento. A partir de 1995, depois da destruição dos grandes cartéis do narcotráfico, traficantes menores começaram a contratar as Farc para protegê-los. É um relacionamento que rende aos guerrilheiros mais de 2,5 bilhões de reais por ano. Por isso, o desmantelamento da guerrilha anda junto com o combate ao narcotráfico. Desde que Uribe assumiu, metade dos 102.000 hectares de plantações de coca na Colômbia foi destruída.

 
 
 
 
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