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Política
A
nova rotina de Collor
O
ex-presidente paga 38 500 reais de
aluguel por mês para morar em São Paulo,
está reformando a Casa da Dinda, em
Brasília, e fala em voltar à política

Sandra Brasil
Ana Araujo
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UM
CIDADÃO COMUM
O ex-presidente conversa com passageira em vôo
para Brasília: alguns o ignoram, outros se escondem |
Doze
anos após o impeachment, o ex-presidente Fernando Collor
continua a ser reconhecido por onde passa, seja na sala de embarque
do aeroporto, seja no restaurante ou na fila do cinema. Muitos o
cumprimentam, outros fingem não tê-lo visto. "Há
os que são simpáticos, mas, de modo geral, as pessoas
protestam me ignorando", afirma o ex-presidente. A maior parte dos
amigos dos tempos da Presidência o abandonou, diz Collor.
E ele acabou deixando tudo o que o fazia lembrar da passagem traumática
pelo poder, como a Casa da Dinda, que foi sua residência oficial.
O jardim milionário construído durante o mandato foi
devorado pelo mato. As fontes quebraram. Há sinais de decadência
por toda parte, pintura descascada e mofo. Meses atrás, um
ladrão passou por lá e levou um dos três jet
skis usados por Collor nos fins de semana diante dos fotógrafos.
Até mesmo Fidel Castro suspendeu a remessa regular de charutos
da marca Hoyo de Monterrey tamanho doble corona. Collor agora precisa
comprá-los.
Ana Ottoni/Folha Imagem
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NA
ALEGRIA E NA TRISTEZA
Collor e a mulher, Rosane: apoio nos momentos difíceis
e compromissos sociais intensos |
Mas
o ex-presidente continua animado, até mesmo com um eventual
retorno à política. Fernando Collor já fez
duas tentativas. Na primeira, lançou-se candidato a prefeito
de São Paulo em 2000, mas acabou impugnado. Em 2002 disputou
o governo de Alagoas. Começou como favorito, mas terminou
derrotado no primeiro turno pelo governador Ronaldo Lessa, que se
reelegeu. Nos últimos dias, Collor tem dito a amigos que
encontrou nova razão para lutar. O Tribunal Superior Eleitoral
aprecia uma ação impetrada por seus advogados na qual
o ex-presidente pede a destituição do governador Lessa.
Alega em seu processo ter provas de uso indevido da máquina
administrativa visando à reeleição. Caso a
decisão dos juízes lhe seja favorável, diz
Collor, abre-se uma possibilidade jurídica para que pleiteie
sua condução ao cargo, a exemplo do que ocorreu anos
atrás no Piauí. O então governador Mão
Santa foi cassado por irregularidades cometidas em campanha, e a
Justiça decidiu entregar o cargo ao segundo colocado, Hugo
Napoleão. A votação começou em dezembro
e foi interrompida várias vezes. Três juízes
já deram veredicto. Collor está perdendo por enquanto
por 2 a 1. Ainda faltam quatro votos. O ex-presidente classifica
a batalha como a maior em que se envolve desde o impeachment. De
meados do ano passado para cá, Collor viaja para Brasília
com freqüência para acompanhar o desenrolar da ação.
Ana Araujo
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OS
AMIGOS O DEIXARAM SÓ
O ex-presidente em encontro político em Brasília:
"Dos tempos de poder não sobrou ninguém"
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Sua
dedicação ao processo contra Lessa é, no entanto,
a única manifestação visível do interesse
do ex-presidente pela política. Embora declare estar trabalhando
com a hipótese de assumir o governo estadual por meio dos
tribunais, Collor mantém uma rotina própria de quem
parece ter abandonado a vida pública pelo menos temporariamente.
O grupo de comunicação pertencente à família,
as Organizações Arnon de Mello, que possuem rádio,
TV e jornal em Alagoas, está formalmente sob o comando de
seu filho Joaquim. A relação de Collor com a empresa
se dá em duas frentes: uma quase diária, quando palpita
sobre negócios ou pede que o jornal publique alguma notícia
de seu interesse. A outra é mensal. É dali que o ex-presidente
informa retirar o dinheiro para manter seu sustento. Collor não
fala em números, mas o montante parece ser suficiente para
oferecer a ele e à ex-primeira-dama Rosane Collor um padrão
de vida confortável. O casal se estabeleceu há algum
tempo numa casa de quatro andares e 1.500
metros quadrados de área construída localizada no
bairro do Morumbi, em São Paulo. Segundo a proprietária
do imóvel, o ex-presidente paga um aluguel de 38.500
reais por mês. Quando está na capital paulista, circula
a bordo de um automóvel BMW com motorista. Antes de se mudar
para São Paulo, o ex-presidente passou uma longa temporada
em Miami. Daquele período, mantém o pagamento das
prestações do financiamento de uma casa de 3 milhões
de dólares que comprou por lá. As mensalidades consomem
cerca de 12.000 reais.
Collor
passa a maior parte do dia em casa. Sem muita disciplina, dedica-se
à conclusão de um livro de memórias cuja versão
mais recente tem quase 700 páginas. À noite, a vida
social do casal é intensa. São muitos os convites
para festas e inaugurações. Elegante como sempre foi,
comparece aos compromissos com blazers e ternos bem cortados. Prefere
os da marca Salvatore Ferragamo. Aos fins de semana, Collor e Rosane
se reúnem para jogar tranca com amigos paulistas, como o
casal Beth e Gabriel Szafir, pais do ator Luciano Szafir. Mas não
é só. Collor participa de encontros promovidos por
confrarias de vinho, paixão à qual ele se dedica com
seriedade nos últimos tempos. Recentemente, durante um almoço
em Brasília, pediu uma garrafa do vinho francês Château
Beau-Séjour Bécot Saint-Emilion, vendido por 500 reais
no restaurante Piantella.
Aos
54 anos, o ex-presidente mantém o peso entre 88 e 90 quilos,
o mesmo que tinha quando assumiu a Presidência. Para isso,
acorda cedo todos os dias, por volta das 6 da manhã, nada
e faz ginástica. Três vezes por semana recebe a visita
de um personal trainer. Depois disso, toma banho e lê jornais.
Um cuidado adicional é seguir religiosamente as instruções
passadas por uma nutricionista, que todo mês prepara um cardápio
balanceado para ele e Rosane. Collor recorreu a alguns truques que
lhe dão um aspecto mais jovial. Um deles foi o recapeamento
dos dentes. O outro foi a decisão de pintar o cabelo num
tom levemente alourado. Os retoques são feitos quinzenalmente
por um cabeleireiro que o visita em casa. Collor assegura que nunca
fez cirurgia plástica, como alguns dizem, mas admite ter
recorrido ao Botox.
| A
decadência da casa da Dinda
Collor
ficou seis anos sem colocar os pés na casa em
que morou em seus anos de presidente. O mato tomou conta,
a pintura descascou, as fontes do jardim milionário
secaram e um jet ski foi roubado. Agora, ele começa
a reformar o imóvel
Nos tempos da Presidência...
Fotos Ana Araujo
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