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Carta
ao leitor
A
boa e a má notícia
sobre a Amazônia
Araquém Alcântara
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| O
coração da mata quase não foi tocado |
A presente edição de VEJA traz uma reportagem especial
com uma radiografia do atual estado de saúde da Amazônia,
a espetacular floresta tropical brasileira que compõe um
dos mais vigiados e cobiçados ecossistemas do planeta. O
diagnóstico mostra que as ações governamentais,
as campanhas mundiais pela preservação da mata e as
dificuldades de acesso estão se combinando para manter intactas
largas porções do ambiente amazônico. Nos Estados
do Amapá, Amazonas e Roraima cerca de 95% da área
florestal original permanece intocada. E deve permanecer assim.
A selva está sendo monitorada do espaço por satélites
cuja precisão supera todos os levantamentos anteriores. Além
disso, os aviões e radares do projeto Sivam que já
entraram em operação permitem vigiar em tempo real
as atividades suspeitas.
A parte ruim da notícia acima é que falta pessoal
em terra em número suficiente para checar e neutralizar os
assaltos ao meio ambiente. A reportagem de VEJA mostra também
que as regiões que conseguiram estabelecer com a natureza
um regime harmônico de convivência estão cercadas
por Estados onde há problemas ecológicos crescentes.
As bordas da floresta nos Estados de Mato Grosso, Rondônia
e Pará estão sofrendo pressões e desmatamento
muito maiores do que no passado. O motivo é simples: os produtos
que alimentam os habitantes das áreas preservadas são
produzidos em terrenos desmatados dos vizinhos.
A reportagem mostra ainda como o sucesso do plantio da soja no cerrado
e a adaptação do grão a regiões de floresta
estão acelerando o desmatamento na fronteira sul da Amazônia.
Enquanto o repórter Leonardo Coutinho, correspondente de
VEJA em Belém, percorria o sul do Pará, onde estão
concentrados os pólos mais agressivos de desmatamento, outros
jornalistas da revista falavam com especialistas. Leandra Peres
e Carlos Rydlewski, que trabalham na sede da revista, em São
Paulo, examinaram fotos de satélite, leram as mais recentes
avaliações científicas sobre o ritmo do desmatamento
e entrevistaram mais de trinta cientistas.
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