Edição 1842 . 25 de fevereiro de 2004

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Carta ao leitor
A boa e a má notícia
sobre a Amazônia

 
Araquém Alcântara
O coração da mata quase não foi tocado

A presente edição de VEJA traz uma reportagem especial com uma radiografia do atual estado de saúde da Amazônia, a espetacular floresta tropical brasileira que compõe um dos mais vigiados e cobiçados ecossistemas do planeta. O diagnóstico mostra que as ações governamentais, as campanhas mundiais pela preservação da mata e as dificuldades de acesso estão se combinando para manter intactas largas porções do ambiente amazônico. Nos Estados do Amapá, Amazonas e Roraima cerca de 95% da área florestal original permanece intocada. E deve permanecer assim. A selva está sendo monitorada do espaço por satélites cuja precisão supera todos os levantamentos anteriores. Além disso, os aviões e radares do projeto Sivam que já entraram em operação permitem vigiar em tempo real as atividades suspeitas.

A parte ruim da notícia acima é que falta pessoal em terra em número suficiente para checar e neutralizar os assaltos ao meio ambiente. A reportagem de VEJA mostra também que as regiões que conseguiram estabelecer com a natureza um regime harmônico de convivência estão cercadas por Estados onde há problemas ecológicos crescentes. As bordas da floresta nos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará estão sofrendo pressões e desmatamento muito maiores do que no passado. O motivo é simples: os produtos que alimentam os habitantes das áreas preservadas são produzidos em terrenos desmatados dos vizinhos.

A reportagem mostra ainda como o sucesso do plantio da soja no cerrado e a adaptação do grão a regiões de floresta estão acelerando o desmatamento na fronteira sul da Amazônia. Enquanto o repórter Leonardo Coutinho, correspondente de VEJA em Belém, percorria o sul do Pará, onde estão concentrados os pólos mais agressivos de desmatamento, outros jornalistas da revista falavam com especialistas. Leandra Peres e Carlos Rydlewski, que trabalham na sede da revista, em São Paulo, examinaram fotos de satélite, leram as mais recentes avaliações científicas sobre o ritmo do desmatamento e entrevistaram mais de trinta cientistas.

 
 
 
 
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