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Tales
Alvarenga
Maturidade e desonra
"Com o depoimento de Paulo de Tarso,
nada falta a explicar. Desabou o castelo
de areia do partido que queria ter bilhões
para ficar vinte anos no poder"
A elite, a oposição e a mídia,
pintadas por Lula como adversários mal-intencionados, têm
se mostrado perfeitamente maduras no acompanhamento da crise moral
e política do governo petista. O que tem coberto o governo
de desonra não é nenhuma campanha ideológica
contra um presidente que ousou dar relevância às demandas
populares, como gosta de dizer a propaganda oficial. O que existe
são fatos crus que vão sendo desencavados pelas CPIs
e pela imprensa a respeito do mar de corrupção no
governo e no Partido dos Trabalhadores.
Como se não bastasse tudo o que já
se conhecia, explodiu na semana passada uma denúncia que
confirma todas as suspeitas acumuladas anteriormente pelos brasileiros.
Num depoimento à CPI dos Bingos, o ex-petista Paulo de Tarso
Venceslau reafirmou que Lula sabia da arrecadação
criminosa de fundos para o PT pelo menos desde 1995. Não
só sabia como incentivava esse expediente. E tomou a decisão
de punir quem se insurgiu contra o uso da mala preta.
Paulo de Tarso Venceslau denunciou a ladroagem em
documento a Lula e aos mais respeitáveis barões petistas.
Tudo o que conseguiu foi ser expulso do PT, diante do silêncio
cúmplice das vestais da agremiação, que sempre
se venderam como políticos superiores em matéria de
ética e moral.
Segundo Paulo de Tarso, os cúmplices silenciosos
são Aloizio Mercadante, Eduardo Suplicy, José Genoíno,
Gilberto Carvalho (hoje chefe-de- gabinete de Lula) e vários
outros luminares do PT. Um deles, Frei Betto, transmitiu a Paulo
de Tarso a seguinte ameaça do Grande Irmão: "Se o
Lula souber que alguém está conversando com você,
ele jura que aquela pessoa vai ser decapitada do partido".
Paulo de Tarso já havia falado à imprensa
sobre o assunto. Na semana passada, o que houve foi a confirmação
cabal da história, no tribunal oficial da CPI e contra o
pano de fundo de tudo o que já se conhecia sobre a expertise
petista para tomar dinheiro alheio, inclusive por meio de extorsão.
Nas primeiras vezes em que se referiu ao assunto, Paulo de Tarso
podia ser tomado por um ex-petista ressentido em busca de vingança.
Não mais. Sua história se encaixa perfeitamente em
toda a armação bandalha de que o Brasil tem ouvido
falar há oito meses.
Paulo de Tarso era secretário das Finanças
da prefeitura de São José dos Campos quando lá
começou a agir o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula
e fornecedor de uma casa onde o atual presidente morou de favor.
Por interferência de Lula, a consultoria de Roberto Teixeira
arrancou dinheiro de várias prefeituras petistas, além
da de São José dos Campos, manipulando notas falsas.
Em 1994, a consultoria do compadre injetou dinheiro na campanha
presidencial de Lula.
Com o depoimento de Paulo de Tarso, nada falta a
explicar. Tudo se encaixa. Mensalão, Delúbio Soares,
operações de Marcos Valério, sangria dos cofres
públicos e o papel ativo de Lula na fundação
do esquema. Toda a operação de enriquecimento do PT
foi planejada para garantir o caixa dois de um partido que queria
bilhões para realizar o sonho de ficar vinte anos no poder.
O castelo de areia desabou. Ficam por aí seus engenheiros,
com a missão impossível de se justificar perante a
opinião pública.
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