Edição 1940 . 25 de janeiro de 2006

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Tales Alvarenga
Maturidade e desonra

"Com o depoimento de Paulo de Tarso,
nada falta a explicar. Desabou o castelo
de areia do partido que queria ter bilhões
para ficar vinte anos no poder"

A elite, a oposição e a mídia, pintadas por Lula como adversários mal-intencionados, têm se mostrado perfeitamente maduras no acompanhamento da crise moral e política do governo petista. O que tem coberto o governo de desonra não é nenhuma campanha ideológica contra um presidente que ousou dar relevância às demandas populares, como gosta de dizer a propaganda oficial. O que existe são fatos crus que vão sendo desencavados pelas CPIs e pela imprensa a respeito do mar de corrupção no governo e no Partido dos Trabalhadores.

Como se não bastasse tudo o que já se conhecia, explodiu na semana passada uma denúncia que confirma todas as suspeitas acumuladas anteriormente pelos brasileiros. Num depoimento à CPI dos Bingos, o ex-petista Paulo de Tarso Venceslau reafirmou que Lula sabia da arrecadação criminosa de fundos para o PT pelo menos desde 1995. Não só sabia como incentivava esse expediente. E tomou a decisão de punir quem se insurgiu contra o uso da mala preta.

Paulo de Tarso Venceslau denunciou a ladroagem em documento a Lula e aos mais respeitáveis barões petistas. Tudo o que conseguiu foi ser expulso do PT, diante do silêncio cúmplice das vestais da agremiação, que sempre se venderam como políticos superiores em matéria de ética e moral.

Segundo Paulo de Tarso, os cúmplices silenciosos são Aloizio Mercadante, Eduardo Suplicy, José Genoíno, Gilberto Carvalho (hoje chefe-de- gabinete de Lula) e vários outros luminares do PT. Um deles, Frei Betto, transmitiu a Paulo de Tarso a seguinte ameaça do Grande Irmão: "Se o Lula souber que alguém está conversando com você, ele jura que aquela pessoa vai ser decapitada do partido".

Paulo de Tarso já havia falado à imprensa sobre o assunto. Na semana passada, o que houve foi a confirmação cabal da história, no tribunal oficial da CPI e contra o pano de fundo de tudo o que já se conhecia sobre a expertise petista para tomar dinheiro alheio, inclusive por meio de extorsão. Nas primeiras vezes em que se referiu ao assunto, Paulo de Tarso podia ser tomado por um ex-petista ressentido em busca de vingança. Não mais. Sua história se encaixa perfeitamente em toda a armação bandalha de que o Brasil tem ouvido falar há oito meses.

Paulo de Tarso era secretário das Finanças da prefeitura de São José dos Campos quando lá começou a agir o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula e fornecedor de uma casa onde o atual presidente morou de favor. Por interferência de Lula, a consultoria de Roberto Teixeira arrancou dinheiro de várias prefeituras petistas, além da de São José dos Campos, manipulando notas falsas. Em 1994, a consultoria do compadre injetou dinheiro na campanha presidencial de Lula.

Com o depoimento de Paulo de Tarso, nada falta a explicar. Tudo se encaixa. Mensalão, Delúbio Soares, operações de Marcos Valério, sangria dos cofres públicos e o papel ativo de Lula na fundação do esquema. Toda a operação de enriquecimento do PT foi planejada para garantir o caixa dois de um partido que queria bilhões para realizar o sonho de ficar vinte anos no poder. O castelo de areia desabou. Ficam por aí seus engenheiros, com a missão impossível de se justificar perante a opinião pública.

 
 
 
 
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