|
|
Carta ao leitor Juízo
ao escolher juízes Valter
Campanato/ABR
 | | Sessão
do Supremo: a mais alta corte do país não pode se transformar num
"partido da toga" |
Desde o início
da República, a indicação de juízes para o Supremo
Tribunal Federal (STF) é uma atribuição do presidente brasileiro.
A atual Constituição prevê poucas limitações
ao seu arbítrio: exige pessoas "de notável saber jurídico
e reputação ilibada", que tenham mais de 35 e menos de 65 anos.
A seleção se completa com uma sabatina no Senado, que pode resultar
na aprovação ou na rejeição do nomeado. O Brasil não
é uma exceção a adotar esse processo. Os Estados Unidos também
o fazem. Nas últimas semanas, contudo, o método de escolha dos ministros
para o Supremo passou a ser pesadamente criticado. O senador Jefferson Peres chegou
a apresentar um projeto de emenda constitucional para retirar do presidente a
exclusividade da prerrogativa. As razões estariam no risco de aparelhamento
político do STF. A luz vermelha se acendeu quando se soube que três
políticos petistas os deputados Sigmaringa Seixas e Luiz Eduardo
Greenhalgh e o ex-ministro da Educação e ex-presidente do partido
Tarso Genro apareciam numa lista de candidatos às próximas
vagas no Supremo. É natural que o presidente
da República indique para o STF juízes ou juristas que compartilhem
de seus pontos de vista políticos. Mas o termo "político", aqui,
deve ser entendido no sentido mais geral, ideológico. Coisa bem diferente
é nomear políticos amigos, que em determinados momentos podem mostrar-se
mais inclinados a julgar seguindo um cálculo de conveniências circunstanciais,
partidárias ou pessoais, e não com base nos preceitos mais elementares
da ordem constitucional, pela qual cabe ao Supremo zelar. Infelizmente, esse tipo
de cálculo não é desconhecido dos brasileiros a ponto
de suscitar a impressão de que o STF foi se transformando numa espécie
de "partido da toga", com ministros cada vez mais afeitos a maquinações
da baixa política. A nomeação de Seixas, Greenhalgh e Genro,
que têm laços tão estreitos com o PT, só exacerbaria
essa impressão. A presidência Lula vai ficar marcada por uma extensa
modificação nos quadros do STF. Ele já fez quatro indicações
à mais alta corte brasileira. Pode totalizar sete. Há quase três
dezenas de nomes de candidatos sobre a mesa de Lula neste momento. Muitos deles
têm currículo impecável e longo histórico profissional
no direito. É fundamental que o bom senso fale mais alto nas próximas
escolhas do presidente. |